Faria Canto Magico & Sonhos

Sala da Poeta e amiga

Isabel Pakes

 

Poema de amor intenso

 

Amas-me tanto, Senhor!
Puseste nas alturas a extensão da tua grandeza
e banhaste os meus olhos com as luzes das estrelas
para que eu possa me extasiar ao contemplar tua beleza!  

 

Amas-me tanto, Senhor!
Sobre a terra deixaste transbordar o cálice da tua providência
e fertilizaste o meu espírito nos princípios da fé
para que eu possa me abastar do Pão sem temores de carência!

 

Amas-me tanto, Senhor!
Concedeste-me o dom da Vida.
Tomaste-me por teu filho e herdeiro dos teus astros, 
das tuas águas, das tuas flores...
E para consumar o teu amor por mim
ofereceste em holocausto o teu melhor cordeiro!

 

Amas-me tanto, Senhor!
Dentro da minha pequenez me constituíste grande e forte
quanto a tua imagem e semelhança.
E tudo o que esperas de mim é tão pouco!
Apenas que eu me guarde simples aos teus olhos,

tua eterna criança!

 

Amas-me tanto, Senhor!
Quantas vezes tenho te agastado com lamúrias infundadas
sem que te apartes de mim...
Quantas vezes tenho te contristado, apresentando-me fraca diante de ti
e mesmo assim me reconfortas e me reconduzes à caminhada!

 

Amas-me tanto, Senhor!
Que eu me perco em meus anseios de muito te louvar.
E sinto-me impotente na busca de palavras
que retratem fielmente a minha inspiração.
Por mais que eu me desdobre em pensamento
não consigo me alcançar no infinito da minha gratidão!

Isabel Pakes

Um sem fim
O tempo traça em meu rosto o seu percurso,
circundante, acentuando os sulcos,
colhendo noites e replantando dias,
sorvendo o orvalho e absorvendo os raios...
Dentro do espelho me agastando.

Porém, porquanto em mim
registre o seu transcurso,
guardo-me eterna em sua razão
e entremeando crepúsculos e auroras,
trespasso o espelho
e me refaço - caminho de transmigração.

Que o tempo em mim é um
sem fim.

Isabel Pakes xxx


Gari de estrelas


O Sol, gari de estrelas e amantes,
varreu a noite pela madrugada.
Espanou carícias, recolheu amores,
levou Morfeu dos braços da amada.

Passou o dia austero, inclemente,
a espreitar lembranças e saudade.
Desfez promessas, desmentiu as juras
e demorou-se prolongando a tarde.

Mas o cansaço o alcança e o domina.
Torna-o morno... fraco... sonolento.
Depois o arrasta horizonte além.
O céu muda de cor nesse momento!

E Vênus, esplendorosa alcoviteira,
por sobre os ombros do horizonte espia:
- O Sol já dorme - sussurrando avisa.
Volta, Morfeu, que terminou o dia!

Isabel Pakes

Se você quiser

Se você quiser, eu desenho risos nos seus lábios
e salpico estrelas nos seus olhos.

Se você quiser,

eu deponho flores em suas mãos
e acendo luzes no seu pensamento.

Se você quiser,

eu faço festas dentro do seu peito

e embriago de amor o seu coração.

Isabel Pakes

Às tardes

Às tardes, o horizonte pintado de sol poente

é o porto onde ancoram meus olhos,

barcos dos desencantos.

As nuvens franjadas de ouro, súditas fiéis,

reverenciam o grande rei que é posto.

A primeira estrela aparece prenunciando o luto.

Pesaroso o céu se despe de sua veste azul.

A luz se ausenta.

O dia é morto. Mais um...

Meus olhos, nascidos pranteadores,

envolvidos nesse rito, fazem água.

Náufragos crepusculares, retornam a mim vazios,

porém ávidos de uma nova ilusão.

E tudo recomeça.

Lá se vão estes barcos contumazes

navegar por entre estrelas,

içar dos sonhos o novo amanhecer.      

Isabel Pakes

Às candeias do amanhã

 


Ausente do meu toque, feito um anjo ou feito um bruxo,

me olhas do alto da lua, me beijas através da brisa

e nas rosas que admiras me mandas lembranças tuas.

Pareces estar vibrando em tudo quanto me envolve,

até nos livros que leio, como se teus mensageiros, 

contam-me histórias de amor iguais à tua e a minha.

E isso não te bastando, interceptas meus pensamentos,

seduzes meus argumentos e, de pronto,

te colocas porta adentro dos meus sonhos.

De tal forma te embrenhas em minha mente

que não há como fugir dos teus enleios e nem tenho eu por quê.

Se às vezes me exasperas pelo ontem que adiaste,

outras vezes me comoves, muito, profundamente,

quando feito a canção que mais gosto,

vens, manso e cativo, aninhar-te no meu peito.

Alheio ao tempo e à distância

por onde vou me alcanças trespassando dimensões,

alongando os teus sentidos aos menores dos meus gestos,

guardando-me em calmaria, às candeias do amanhã,

em noite de turbilhão. 

 


  Se és um anjo ou um bruxo, não sei.

Se me guardas ou me enfeitiças, não sei.

Talvez em mim só preserves o alento em cuja sombra repousas.

Mas estás aí, é o que importa!

Estás aí e me ouves devotado

e sem que te apercebas, minha alma embevecida

por um breve instante me escapa para abraçar-se à tua.

Isabel Pakes

Minha eternidade

 

Conduze-me ao teu infinito!

Deixa-me romper-te

como o sol rompe a noite.

Eu quero afugentar os teus temores,

teus pesares, tuas dores...

Eu quero iluminar-te em larga aurora

num eterno amanhecer!

Quero-te claro como o dia,

sem segredos, inteiro!

Quero-te na plenitude do teu ser.

 


Conduze-me ao teu infinito!

Deixa-me lançar-me em tua vida

como uma aeronave no espaço etéreo.

Eu quero desvendar os teus mistérios,

descobrir-te como um novo mundo

e exilar-me em ti, confiar-me a ti,

compor contigo uma unidade,

esquecer-me em teu amor

como se fosse a minha eternidade!

Isabel Pakes 

Poeta

Teu ego a descoberto,

teus sentimentos, tuas emoções,

tuas alegrias literalmente expostas,
 
tua saudade rimando à Auroras, Amélias e Marias...

teus desabafos, teus apelos, teus cuidados,

teu coração pulsando cá do teu lado de fora - tuas agonias,
tua morte de cada dia, tua alma exteriorizada,

teu inferno, teu céu, tua vida tanta vezes renascida,

teus êxtases, teus sonhos, teus delírios...

Teu ser em minhas mãos - tua poesia!

 


Teu demônio me tentando

teus pecados me pervertendo

teu anjo me guardando

teu amor me absolvendo

tua sina me encantando

tua arte me seduzindo

tua essência escorrendo em mim

pelas entrelinhas

minha alma se entregando à tua estesia

tuas musas fecundando as minhas

meus versos vindo à luz...

Meu ser em tuas mãos! 

Isabel Pakes