Faria Canto Magico & Sonhos
Sala do Poeta e Amigo
Bernardino Matos




QUANDO VOCÊ SONHAR!
Bernardino Matos.
Quando você sonhar, deixe a mente alerta,
não sonhe com o passado, nem com o porvir,
sonhe com o presente, mantenha a porta aberta,
seja feliz com o agora, não sofra com o que há de vir.
Quando você sonhar, não se aflija com o que perdeu,
afague o amor que tem, não faça dele a fronteira,
alargue o seu horizonte, não se limite ao que viveu,
sonhe com estrelas,com a lua, mas saia dessa soleira.
Quando você sonhar, se for com pessoas indigentes,
não pense ser um pesadelo, nem um mal agouro,
mas apenas um aviso, para que não se alie aos indiferentes,
eles estão excluídos, mas são de Deus um tesouro.
Quando Você sonhar, mesmo que seja com um jardim florido,
ao acordar, pense nos que andam em estradas enlameadas,
ou em meio a pedregulhos,ou num caminho tortuoso e sofrido,
reze por eles, chore, procure amenizar suas estradas.
Quando você sonhar, se sentir cercado de violências,
de crimes hediondos, de maldades, de intensa insegurança,
jamais deixe de acreditar no amor,agregue às suas vivências,
a certeza de que existirá sempre um recanto para a esperança.
Quando você sonhar, se for com um barracão de zinco ,
com uma casinha de sapé, com um barraco de madeira,
ou com uma casinha de taipa, pense com afinco,
que o amor se vive ao relento ou no aconchego de uma lareira.
Quando você sonhar, mesmo seja fugindo na guerra,
ou se protegendo das bombas ou dos perigosos estilhaços,
se cair ao lado de um agonizante, jamais deixe cair por terra,
seu amor à vida, sua crença no ser humano, apesar dos cansaços.
Quando você sonhar e tiver a grande felicidade,
de ter ao seu lado o seu amor verdadeiro, seus filhos para afagar,
jamais perca a esperança,acredite que sempre vence a verdade,
e que o amor não escolhe lugar, ele é divino, jamais vai naufragar.
Bernardino Matos
Fortaleza,23-09-2006



MINHA NAMORADA!
Bernardino Matos.
Sempre senti um fascínio por você,
por me aceitar como eu sou, por não
me impor limites, por me deixar viver,
por ser acolhedora, mexeu com minha emoção.
Você sabia da minha inquietude,
mas jamais procurou me convencer,
a seguir suas idéias, o que é uma virtude,
você respeita minhas opções, meu modo de ser.
Você respeita a todos, não tem preconceitos,
não discrimina ninguém, não importa a cor,
a cultura, o nível social, o passado, os defeitos,
com você eu posso vaguear, pelas trilhas do amor.
Você jamais perguntou pelos meus amores,
não procurou saber se fui feliz ou se sofri,
apenas me acolheu, aliviou minhas dores,
pôs-me em contato com amigos, eu revivi.
Ouvimos juntos tantas histórias de amor,
uns mal sucedidos, muitas dores de cotovelos,
muitas feridas não cicatrizadas, muito desamor,
mas você não os julgou, apenas quis recebê-los.
Vivi com você intensas emoções,
você me permitiu sonhar , sorrir, chorar,
me suportou nos momentos de aflições,
acatou minhas impaciências, meu caminhar.
Nunca me senti tão perto de mim,
quando estava com você, sempre me colocou,
cara a cara com minhas limitações, foi assim,
que me apaixonei por você e ainda estou.
Você será sempre a minha eterna namorada,
minha companheira de todos os momentos,
com quem gosto de ficar até num fio de calçada,
você é um ombro amigo, que ouve lamentos.
O seu nome é conhecido, você se chama noite,
todos querem estar com você, por sua magia,
não importa venha brisa ou do vento o açoite,
você é fonte de paixões , lindo recanto da poesia.
Bernardino Matos
Fortaleza, 23 de setembro de 2006.



Se o amanhã não vier!
Bernardino Matos
Se eu soubesse que esse dia o último seria,
em que você se recostaria ao meu lado,
e naquele aconchego manhoso, você adormeceria ,
por uma saudade intensa eu seria dominado.
Se eu soubesse que esse dia o último seria,
em que. ternamente, eu beijaria você,
mesmo chorando , amargurado, eu aceitaria,
por saber que na eternidade voltarei a lhe rever.
Se eu soubesse que esse dia o último seria,
eu voltaria pro sertão, para rever os caminhos,
para caçar, pescar, em cada atalho eu passaria,
e no meio das juremas, ouviria os passarinhos.
Se eu soubesse que esse dia o último seria,
eu percorreria os roçados, em noite de lua cheia,
e envolto em meus sonhos de infância eu voltaria,
a ter esperanças, longe dessa dor que me rodeia.
Se eu soubesse que esse dia o último seria,
voaria até Paris, para vagar sofrido,
liso, trêmulo de frio, mas coragem eu teria,
para apostar num amanhã, que eu construiria.
Se eu soubesse que esse dia o último seria,
uma viagem de trem, engolindo fumaça,
vendo casebres pobres, eu empreenderia,
para repetir para mim, só se vence na raça.
Se eu soubesse que esse dia o último seria,
eu reuniria os meus amigos, de todas as idades,
faria um brinde à vida, e a eles agradeceria,
os felizes momentos, que me trariam saudades.
Se eu soubesse que esse dia o último seria,
eu agradeceria a Deus por ter me dado a chance,
de existir e do que fiz não me arrependeria,
pois sempre vivi com o amor ao meu alcance.
Se eu soubesse que esse dia o último seria,
eu beijaria minhas filhas, carinhosamente,
e que acreditem no futuro eu a elas pediria,
e enxugaria suas lágrimas, delicadamente.
Se eu soubesse que esse dia o último seria,
eu faria um contato com o céu, para falar,
com meus pais, anunciando a hora que partiria,
para que pudessem com alegria me esperar.
Bernardino Matos
Fortaleza, 21 de setembro de 2006 .



BARRACÃO, RECANTO DO AMOR!
Bernardino Matos.
Barraco, um casebre humilde, de aparência,
sofrida, que sempre abriga pessoas pisoteadas,
pela vida, que lutam por um pouco de decência,
excluídas, socialmente, às vezes discriminadas.
Seria essa a real sensação que nos invade a alma,
quando nos deparamos com um barraco encravado,
no meio de uma riqueza que nos faz perder a calma?
Ou nos invadiria o calor de um coração apaixonado?
Será que muitos que habitam mansões luxuosas,
não as trocariam por um barraco num lugar ermo,
contanto que existisse amor e ouvissem maravilhosas,
declarações de total entrega, sem ter a alma enferma?
Será que um barraco não se equivale a um casinha,
de sapé, onde podemos sonhar e amar ternamente,
na certeza que a felicidade em nossa direção caminha.
sem a preocupação com o amanhã, confiantemente?
Barraco, bangalô, casinha de sapé, mansão, de fato,
são a mesma coisa. pois a felicidade não depende.
do luxo, da riqueza, da segurança, de um contrato.
mas de um carinho sincero, que o coração apreende.
O Barraco, é apenas um espaço, um recanto acolhedor,
um local de afeto, cuja beleza do seu recinto reflete,
a nossa emoção, quando damos guarida ao amor,
somos nós a felicidade, o ambiente apenas nos repete.
A Canção "Ave Maria no Morro" retrata muito bem,
a essência da felicidade, o calor do acalanto,
a leveza da ternura e da sinceridade também,
e a decoração do barraco brota da afeição e do encanto.
“Barracão de zinco, sem telhado, sem pintura”.
Lá no morro barracão é bangalô”, linda canção,
que nos aporta aquele sentimento de candura,
que retrata a felicidade ,que afaga nosso coração.
“Lá não existe felicidade de arranha-céu, pois quem ,
mora lá no morro, já vive pertinho do céu”, nobreza,
esse é o verdadeiro barraco, que nos mantém refém,
do romantismo, da sensibilidade, num tom de realeza.
“Tem alvorada, tem passarada, ao alvorecer”
isso nos passa uma corrente de vitalidade e de união,
com a natureza, mexe diretamente com o enternecer,
que dá sentido à nossa vida, e nos aponta a direção.
Dalva de Oliveira, numa voz insinuante, nos deixou,
uma obra de arte, uma poesia marcante, uma prece,
meiga, suave, que reflete o que o Criador nos legou,
o amor despojado, que quem se entrega total merece.
O barraco, portanto, está dentro de nós, independente,
da condição social, da cultura, da riqueza material,
nós o decoramos, com a criatividade de nossa mente,
e o tornamos um recanto de uma vivência imortal.
“E o morro inteiro, no fim do dia , reza uma prece,
Ave Maria”, o que nos coloca numa relação direta,
com Deus, cujo carinho conosco jamais se esquece,
e o barraco expressa o amor, na alma de um poeta.
Bernardino Matos.
Fortaleza, 21 de setembro de 2006.



Estamos caminhando juntos e unidos,
há 28 anos, não temos nada pra esquecer,
foi tão curta a vida para os momentos tidos,
agradeço a Deus por ter encontrado você.
Nossas filhas vão continuar essa missão,
que Deus nos confiou de o amor florescer,
de joelhos eu O agradeço de coração,
por ter me proporcionado encontrar você.
Bernardino Matos
Fortaleza, 08 de março de 2006.



NOSSO CAMINHAR!
Embora o percurso seja indefinido,
não existe na estrada da vida, monotonia,
cada amanhecer é um poema não lido,
o luar jamais será o mesmo cada dia.
Deus quis, através, da natureza que se renova,
evitar que nossos momentos fossem repetidos,
a claridade do sol não tem a mesma intensidade,
são desiguais até nossos momentos sofridos.
A leveza da estrada depende de nossas opções,
o cenário onde atuamos muda a cada segundo,
temos apenas que deixar fluir nossas emoções,
somos os artífices de um amor sincero e profundo.
Quando nossa alma está sintonizada na ternura,
quando com alguém assistimos o amanhecer,
cada detalhe da natureza vemos sem ranhura,
o mar, a lua, as estrelas,a floresta, o nosso viver.
A estrada da vida jamais será uma reta,
ela é tortuosa, cheia de curvas, de surpresas,
tanto faz, sua configuração não nos afeta,
se vivenciamos intensamente,
um amor repleto de certezas.
Na sinfonia dos pássaros sempre muda o refrão,
a natureza sempre apresenta uma roupagem diferente,
o mar muda de cor, Deus não quis repetição,
para que cada dia, nos deparássemos com um novo ambiente
E, assim, percorremos cada trecho da estrada da vida,
se caminhamos sozinhos, ela se torna cansativa,
de mãos dadas, num afago permanente, sua lida,
será amena, cada gesto jamais será uma ação repetitiva.
Bernardino Matos



O AMOR E O BOM SENSO!
Entre o sonho e a realidade o bom senso se situa,
“nem tanto ao mar, nem tanta à terra”, o ditado
popular aprova o meio termo como verdade nua,
posições extremas geram conflitos, é confirmado.
A paixão embaça a visão e compromete a decisão,
a análise parcial dos fatos embota, então, a mente,
a objetividade sai do foco essencial é pura emoção,
provocando desconfortos, angústias, finalmente.
Nosso primeiro encontro, um olhar penetrante,
um suave fascínio, uma empatia instantânea,
marcou o início de nossa caminhada vibrante,
um amor puro, não uma atração momentânea.
Em trinta dias nos casamos, sem muitos rodeios,
sem planos, dominava-nos a euforia do presente,
não houve pedido de tempo, tudo sem floreios,
não houve bom senso, apenas uma certeza latente.
Pela lógica a primeira fase seria de conhecimento,
para cada emoção haveria uma atitude conivente,
avaliaríamos da paciência a força, o desprendimento.
não houve bom senso, apenas uma certeza latente.
Partimos do rio de Janeiro, no carro toda a bagagem,
a mobília éramos nós, nossa perspectiva o presente,
a amor, a confiança, a doação total, nossa coragem,
não houve bom senso, apenas uma certeza latente.
Em Porto Alegre, de corpo e alma mergulhamos,
no trabalho, numa conquista diária, sem precedente,
o futuro era um simples detalhe, a fé adotamos,
não houve bom senso, apenas uma certeza latente.
Não nos preocupamos com moradia, com segurança,
o custo de nossa felicidade era baixo, convincente,
formamos uma reserva de carinho, só de esperança,
não houve bom senso, apenas uma certeza latente.
A idéia de termos um patrimônio não nos convencia,
a presença de nossas filhas, uma alegria permanente,
elas baniram a carência, a tristeza, do nosso dia a dia,
não houve bom senso, apenas uma certeza latente.
O dinheiro curto nos causava apreensões passageiras,
nosso foco era outro, queríamos desfrutar intensamente,
de todos os momentos, nossas convicções alvissareiras,
não houve bom senso, apenas uma certeza latente.
Nosso espaço, o universo, encarceramos a solidão,
nossas emoções eram vividas sempre imensamente,
éramos dois adolescentes, o amor nossa munição,
não houve bom senso, apenas uma certeza latente.
Você era bancária, trabalhava com financiamentos,
visitava clientes, sua alegria era muito envolvente,
recebia muitas cantadas, não causavam sofrimentos,
não houve bom sendo, apenas uma certeza latente.
Nasceram as filhas e vieram as primeiras tensões,
nossa confiança não se abalou, era indiferente,
o amor tudo superaria, afagaria nossos corações,
não houve bom senso, apenas uma certeza latente.
Um salário de professor, assistências a empresas.
muito suor, muito sofrimento, era real, iminente,
não fazíamos cálculos, para evitarmos surpresas,
não houve bom senso, apenas uma certeza latente.
Você abandonou o emprego para da filha cuidar,
eu discordei pensando no seu futuro,era evidente,
que num a amanhã incerto, a renda iria faltar,
não houve bom senso, apenas uma certeza latente.
Com tantas incertezas, angústias, você enfartou,
duas paradas cardíacas, uma tristeza ardente,
pela força da vontade de viver, você se superou,
não houve bom senso, apenas uma certeza latente.
Hoje, de cabelos brancos, ainda estamos lutando,
a insegurança é a mesma, nada de vida carente,
não somos conformistas, apenas estamos falando,
não houve bom senso, apenas uma certeza latente.
De toda a luta travada, apenas uma convicção,
o importante não e ter, mas viver calorosamente,
o hoje, cada minuto, cada instante, cada emoção,
o amor jamais terá bom senso, essa é a lição.
Bernardino Matos
Fortaleza, 09 de agosto de 2005.


”Vendo o triste pastor que com enganos,
lhe fora negada a sua pastora
como se a não tivera merecida,
começa a servir outros sete anos,
dizendo,o mais servira se não fosse,
por tão longo amor,
tão curta a vida”, promissora,
viver um grande amor,
de tão sublime e puro,
findou deveras me envaidecendo.
De repente num toque de mão,
num beijo felino, a respiração
se torna ofegante,
a emoção invade o corpo,
penetra a alma, a lua se torna
um lindo farol, um guia
os ponteiros do relógio giram
ao contrário, encerra-se
minha vida de itinerante,
inicia-se. ali, uma nova caminhada,
numa feliz cumplicidade,
numa grande empatia.
Uma estrada longa, são 28 anos,
apesar dos inúmeros percalços, bem vividos,
no caminho fomos aparando arestas,
eliminando espinhos, cultivando flores,
uma pedra aqui, um sobressalto acolá,
tivemos todos os temores recolhidos,
momentos alegres, instantes tristes, crescemos com a força da fé, sem tremores.
Mas a felicidade, tal construção,
tijolo a tijolo , surgiu e se tornou
nossa moradia,
muita paciência, muito desvelo,
grandes renúncias, o amor
se instalou definitivo.
Sinto, hoje, saudades, não remorsos,
certamente , sem vacilo,
tudo eu recomeçaria,
do mesmo jeito, no mesmo tom,
na mesma balada, feliz, eliminando o aflitivo.
As filhas estão crescidas
e jamais avaliarão nossas angústias,
nossa luta intensa,
para afastar as pedras pontiagudas
do seu caminho e arrancar
sangrando os espinhos,
preparando uma estrada mais amena,
mais agradável, sem dores,
numa ternura imensa
tem sido uma caminhada
palmilhada com muito amor,
muita luta, muitos carinhos.
Agradeço a Deus a maneira suave,
apesar dos solavancos,
como estou envelhecendo,
não guardo mágoas, afastei
todos os rancores, deixei meu coração,
qual folha branca,
para tudo voltar a escrever,
dia a dia, sem indecisão,
sem amargura, sem arrependimento,
estou colhendo os frutos de caminhada
tão profunda e tão marcante,
de tão franca.
Ainda bem que não fui enganado
pelo destino e em vez de Raquel,
tivesse vindo Lia,
e estivesse, agora, de cabelos brancos,
murmurando: a sorte me foi madrasta,
vida dura,
talvez, Deus, em sua infinita bondade,
tenha sempre andado à nossa frente,
com sabedoria,
em nenhum momento, mesmo
os mais difíceis, dessa árdua
caminhada, nos faltou ternura.
Não tenho nenhum perdão a pedir,
nem nada a agradecer,
pois tudo foi vivido com amor,
o amor não tem passado,
nem presente, ele simplesmente existe ,
se instala, acontece,
é muito exigente, às vezes intransigente,
não abre mão da felicidade,
adora o destemor,
tudo o que passamos valeu a pena,
um beijo carinhoso, um abraço terno,
uma prece.
Posso ter tido amores passageiros,
pequenos romances sem
nenhuma conseqüência,
nunca fui leviano, nunca explorei
a certeza do amor de alguém,
quando nada sentia,
quando fiz o poema Tereza,
minha querida Raquel,
nele não há incoerência,
pois você chegou para ficar,
para encher minha vida, e eliminar
qualquer ação arredia.
Eu me orgulho de envelhecer
sem amarguras, de ter vivido
um tão lindo amor,
de ter sabido enxugar suas lágrimas
e acolher seus sorrisos com imensa ternura,
de ter compartilhado com você
cada minuto, cada segundo,
na alegria e na dor,
que palmilhemos felizes esses
últimos trechos, na mesma toada,
com fé, sem amargura.
Bernardino Matos
Fortaleza, 03 de junho de 2005.
Respeitem os direitos autorais
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