Faria Canto Magico & Sonhos
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Um pouco de informação do nome Faria:
Família Faria, Alcaide de Faria,
e Castelo de Faria.
No livro do Armeiro-mor encontram-se estas armas
com elmo de ouro, distinguindo-se assim, os Farias
e outras famílias, das restantes que nele figurão com
elmo de prata, ignora-se pôr que motivo o seu autor,
João du Cros, deu o elmo de ouro a certas famílias.
O solar desta família é a freguesia de Faria, termo da
vila de Barcelos, no sopé do monte da Franqueira,
em cujo cimo se ergueu o castelo de Faria. Ainda que
a família tomasse o apelido desta (freguesia de Santa
Maria de Faria), talvez tivesse o seu principio na
Quinta da Onega do Paço, situada no lugar de Espesses,
na freguesia de S. Romão de Milhazes limítrofe de Faria.
A história e o uso deste sobrenome Faria é bastante remoto,
não se sabendo qual a sua raiz, possivelmente toponímica.
Na segunda metade do séc. XII vivia já um João de Faria
que foi pai de D. Godinho, o prelado que sucedeu a D. João
Peculiar na arquidiocese de Braga e que viria a ser beatificado.
De outros Farias medievais se tem notícia documentada, todos eles
pertencentes à nobreza, se bem que nos não seja possível entroncá-los
uns aos outros. De um Lourenço Faria se faz menção em 1288,
nas inquirições de D. Dinis, dizendo-o senhor da Quinta de Onega do Paço.
E em 1360, no instrumento de comprovação do casamento de D. Pedro I
com D. Inês de Castro, surge como uma das testemunhas um Garcia Martins
de Faria, cavaleiro. O mais famoso de todos eles não devemos esquecê-lo:
Nuno Gonçalves de Faria, o célebre alcaide-mor do castelo de Faria,
que deu a vida para manter este em poder dos portugueses .
Ocorreu no começo de 1373, pôr ocasião da segunda guerra de
D. Fernando com o rei de Castela. Este invadiu Portugal,
ao se encaminhar de Viseu, pôr Santarém para Lisboa,
entraram pela fronteira do Minho forças militares da Galiza,
que vieram assolando a região, até que nas vizinhanças de
Barcelos lhes saíram ao encontro forças militares do Porto
e de Guimarães. Veio se juntar uma guarnição do castelo
de Faria, o seu alcaide, Nuno Gonçalves de Faria, o qual,
no desastroso desfecho do recontro, ficou, como outros,
prisioneiro. Temendo porém que, a troco de conseguir a
libertação, seu filho, a quem deixara confiada a guarda do
castelo, condescendesse em franqueá-lo aos inimigos,
logo concebeu um ardiloso meio de prevenir essa possível
fraqueza sentimental, ao convencê-los de que, se o levassem
à falar com ele, lhe aconselharia a rendição, quando bem
outro era o seu intento. Conduzido ao sopé da muralha,
dali chamou o filho e, lhe ordenou a mais estrénua
resistência, dirigindo-lhe um animoso apelo, ao qual,
interceptando a heróicadecisão, o cronista deu, nas
seguintes palavras, uma imorredoura vida: «Filho, bem
sabes como esse castelo me foi dado pôr el-Rei D. Fernando,
que o tivesse ele tivesse pôr ele, e lhe fiz pôr ele menagem.
E, pôr minha desventura, eu saí dele, cuidando de o
servir, e estou agora preso em poder de seus inimigos,
os quais me trazem aqui para te mandar que lho entregues;
e porque isto é cousa que eu fazer não devo guardando
minha lealdade, te mando, sob pena de minha benção,
que o não faças, pois para te aperceber disto me fiz
aqui trazer; e pôr tormentos nem morte que me vejas dar,
não o entregues a outrem senão a el-Rei meu senhor, ou a
quem ele o mandar entregar. Vendo-se logrados, os que
custodiavam o glorioso alcaide logo o crivaram de mortais
golpes, ante o angustiado olhar do filho. Lançando-se depois
ao assalto do castelo, todas as suas investidas foram repelidas,
defrontando-as, em reforço da resistência das fortes muralhas,
a estimulante amargura dum coração filial cruelmente dilacerado
e a firmeza de ânimo dos seus valorosos companheiros de armas.
Resistiu heroicamente e os inimigos tiveram de retirar.
Gonçalo Nunes de Faria, acabada a guerra, era altamente louvado
pelo seu brioso procedimento e pelas façanhas que obrara na defensão
da fortaleza, cuja guarda lhe fora encomendada pôr seu pai no último
transe da vida. Mas a lembrança do horrível sucesso estava sempre
present no espírito do moço alcaide. Pediu a El-Rei que o desonerasse
do cargo que tão bem desempenhara, para se cobrir com as vestes
pacíficas do sacerdócio. Ministro do santuário, era com lágrimas e
preces que ele podia pagar a seu pai o ter coberto de perpétua
glória o nome dos alcaides de Faria. O nome de Nuno Gonçalves de
Faria não mais se apagou nas páginas da história de Portugal,
e a sua memória ilumina com o mais vivo brilho os fastos do
patriotismo português. O Castelo de Faria, com suas torres e
ameias, com a sua barbacã e fosso, com seus postigos e alçapões
ferrados, campeou aí como dominador dos vales vizinhos.
Castelo real da Idade Média, a sua origem some-se nas trevas
dos tempos que já lá vão há muito; mas a febre lenta que
costuma devorar os gigantes de mármore e de granito, o tempo,
coou-lhe pêlos membros, e o antigo alcácer das eras dos reis
de Leão desmoronou e caiu. Ainda no século dezassete parte
da sua ossada estava dispersa pôr aquelas encostas; no século
seguinte já nenhuns vestígios dele restavam, segundo o testemunho
de um historiador. Um cemitério, fundado pelo célebre Egas Moniz,
era o único eco do passado que aí restava. Este castelo amigo tinha
recordações de glória. Os nossos maiores, porém, curavam mais de
praticar façanhas do que delas conservar os monumentos. Deixaram,
pôr isso, sem remorsos, sumir nas paredes de um claustro, pedras que
foram testemunhas de um dos mais heróicos feitos de corações
portugueses. Serviram os fragmentos do castelo de Faria para se
construir o convento edificado ao sopé do monte. Assim se converteram
em dormitórios as salas de armas, as ameias das torres em bordas de
sepulturas, os umbrais das balhesteiras e postigos em janelas claustrais.
O ruído dos combates calou-se no alto do monte, e nas faldas dele
alevantaram-se a harmonia dos salmos e o sussurro das orações. O Grupo
Alcaides de Faria promoveu campanhas de escavação, pondo a descoberto
os restos da Torre de Menagem Fernandina e todo o sistema defensivo
de muralhas e barbacãs. Encontraram-se vestígios que remontam ao
reinado de D. Afonso Henriques, enquanto as duas torres de menagem
datam uma do reinado de D. Dinis e outra do reinado de D. Fernando.
A ocupação medieval aproveitou parte das muralhas anteriores,
acrescentando outras. A sua fama prende-se essencialmente com o feito
dos Alcaides de Faria, que como já foi anteriormente referido o Alcaide
Nuno Gonçalves de Faria morreu para defender Castelo, à vista de
seu filho Gonçalo Nunes de Faria, no reinado de D. Femando.
Posteriormente às Guerras Fernandinas, o Castelo de Faria
foi sendo progressivamente abandonado, mudando-se o poder
régio e administrativo para a vila de Barcelos. Porém em nossos
dias, um grupo de devotados barcelenses vela pelo pouco que ainda se
conserva de pé, tornando objectivo de patriótica peregrinação esse local,
onde algumas quase informes ruínas estão pedindo que ali comovidament
meditem as almas portuguesas, em lembrança dum sublime
testemunho de amor à Pátria, sobre o qual rolaram seis séculos.









Source - livro do Armeiro-mor,
História de Portugal, e da net.
Coodernada e publicada pôr
João Faria