Faria Canto Magico & Sonhos

Sala da Saudosa poeta e amiga

Antonieta Elias Manzieri

 

 

SEM VAIDADES...

©Antonieta Elias Manzieri

Quando chegar a hora da partida,

não levarei bagagem.

Será longa a caminhada.

Para que carregar mais peso?

Não precisarei de mais nada!

Tudo quanto eu possa levar

não será de utilidade,

seriam apenas vaidades

que não terei onde usar.

Nada de material ou supérfluo,

tudo ficará para trás...

Levarei, sim, outros valores,

que não farão nenhum peso,

mas irão acrescentar!

Seguirei tão leve...

Levarei o carinho de quem me amou,

que também amei e sempre amarei!

Levarei a ternura dos amigos queridos

e também muitas saudades...

Comigo irá a certeza que terei deixado

para quem fica o meu maior legado:

minha grande amizade

e o meu amor a eles dedicado.

Deixarei meus versos

para que se lembrem de mim,

quando um dia eu me chamar...

"Saudade”.

(Protegido pela lei dos direitos autorais n° 9610/98).

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Créditos:

tube by

Nara Pamplona  e Anna.Br

arte final e voz:

Astir*Carr

AMANHECER NO CERRADO

©Antonieta Elias Manzieri.

Os primeiros raios de luz despontam no horizonte.

Na quietude da natureza que desperta lentamente,

contemplo fascinada, aqui do alto da velha ponte,

o esplendor do cerrado desenhado-se imponente...

A natureza não se fez de rogada, espargiu sua luz

e calor, fez um brinde em louvor ao amor e à vida,

estendeu seus braços no caminho que me conduz,

deixou um rastro luminoso voltado para a ermida.

Pode-se desfrutar essa beleza aqui da velha ponte,

Ah, tanto tenho para louvar e agradecer ao Criador...

Quando eu partir, que seja assim, olhando o horizonte,

enquanto eu viver, conceda-me essa bênção, Senhor...

Terça-feira, 4 de janeiro de 2011.

18 h 44 min.

*************

Créditos:

tubes by

 Anna Br

e Nara Pamplona

arte final e voz

Astir*Carr:

SEDUÇÃO...

Antonieta© Elias Manzieri


Então, começarei com um doce olhar.

Quero desvendar-te a alma.

Entrelaço tuas mãos nas minhas,

deixo tudo por conta do destino

e me aproximo bem devagar...


Assim, nesse enleio, meu amor,

o desejo em nós irá aumentar!

Tomo teu rosto entre as mãos,

com beijos mordisco teus lábios

e roço com a língua para te provocar...


Antes de continuarmos, dize-me:

“E tu, como desejas me amar?”

Acompanharei tuas fantasias,

teu modo de gostar, de te entregar

mas, sem pressa, bem devagar...

 

Tu e eu, uma esteira e nada mais...

Praia deserta, sob a luz do luar.

Ah, meu amor, o marulhar das ondas

é a orquestra que irá nos embalar

na dança do amor, até o dia clarear...

Tinha interpretação de Astir Carr.


AUSÊNCIA

©Antonieta Elias Manzieri

Fixo meu olhar na imensidão,
tento divisar teu vulto.
Nada encontro na escuridão...

Nesse abandono que fustiga,
não há mais motivação,
o coração magoado empertiga.
Dos meus ais nem a cantiga
desperta minha emoção.

A dor é silente, marcada...
Vez ou outra o murmúrio
de quem tudo aceita calada.
Mas que sonha ainda ser
a tua eterna amada.

Aguço o olhar atento no infinito,
nada mais vejo além  da lua...
Em descompasso, coração aflito,
minha mão procura a tua
em busca de um afago...

Qualquer coisa
que me devolva a esperança.

Admito:
-Não suporto tua ausência!


07. 08. 2009.
20h 49 min.

SIMPLESMENTE MÃE...

©Antonieta Elias Manzieri

Ser mãe é não mais se pertencer.

É abrir mão de dias tranquilos

ao dedicar-se a outro ser

e em nada ver empecilhos...

É saber renunciar sem cobrança,

ao trocar sua vida tranquila

para cuidar de uma criança

que é a continuação de sua vida.

É contemplar com ternura

o ressonar de um anjo seu.

É lutar a cada dia com bravura

e, ao adormecer, agradecer a Deus...

É ensinar a enfrentar o mundo

no caminho da retidão.

É plantar sementes em solo fecundo

E, quando for preciso, saber dizer não!

É sacrificar  seu próprio coração

ao chamar para si o iminente perigo.

É suportar tudo, até mesmo a ingratidão,

se algum dia ele a colocar num asilo.

Sexta-feira, 24 de abril de 2009.

14h 15 min

Arte de Astir Carr

TEU AMOR PROIBIDO

©Antonieta Elias Manzieri

 

Querer-me é teu castigo,

doença que não terá cura.

Por ser proibido, manténs as aparências

de um sentimento que te leva à loucura!

 

Impregnei-me em teus poros, sou o ar que respiras.

Faço parte de tua vida, e mesmo que queiras,

não consegues desvencilhar-te.

Por mais que lutes e não admitas,

queimo dentro de ti igual fogueira.

 

Sou teu doce pesadelo, tua noite de insônia,

quando reviras no leito em busca de meu calor,

sou aquela que te dá prazer, te domina!

Que nada te cobra, pois sabes que sou “tua dona”,

e mesmo que não admitas, esse amor é tua sina.

 

Sei que sou o néctar, a seiva que te alimenta,

que faço tua vida novamente ter sentido.

Que te levo aos liames da loucura,

numa dor que não dói, mas que tortura...

 

Aquela que terás de ocultar perante o mundo,

para que prossigas em teu mundo de aparências.

Numa vida falsa onde nada faz sentido,

sou a razão de tua vida, o teu amor proibido...

DESAFIO

Antonieta Elias Manzieri

 

O relacionamento está por um fio,

foram anos de sofrimento,

ninguém suporta tanto tomento.

Aceito esse novo desafio.

 

Chega uma época na vida

em que mais nada faz sentido,

onde tudo vale quase nada,

e a felicidade é promissória vencida.

 

Por que insistir por teimosia,

atados por laços que deram um nó,

se cada um segue seu caminho e vive só?

 

A mágoa foi crescendo...

Transbordou até derramar.

Insisto na pergunta que está sem resposta:

até quando continuaremos teimando?

 

Encaremos o problema de frente,

não temos por que protelar!

Chega, para que nos enganar?

Terminar de maneira decente

 

sem culpar um ao outro, a vida ou o destino.

Não deu certo por mais que se tentasse.

Siga em frente, não permita que eu o abrace,

para que eu não cometa o mesmo desatino.

 

Vá, antes que lhe peça para ficar...

ETERNA BUSCA

©Antonieta Elias Manzieri

 

Ah! Essa eterna e incontida busca...

Mas afinal, o que tanto procuramos?

Muitas vezes, até já encontramos,

mas o brilho é tanto, que a vista ofusca!

 

Passamos por ela e não notamos,

sempre buscamos um bem maior,

em coisas ruins, pensando ser melhor.

Nessa busca, muitas vezes tropeçamos!

 

Temos o dom de fantasiar nosso sonho,

a cada conquista julgamos dominar o jogo.

Ele se transforma e nos prega um novo logro,

destruindo o porvir que se mostrava risonho.

 

Buscar, buscar... buscar sempre, quanta ilusão...

É a meta do ser humano em sua conquista.

Ao se dar conta, já escapou, não mais se avista.

Queremos que na vida inexista a palavra não.

 

Buscamos, em novos amigos, novos amores,

em distantes paragens, no desconhecido, que.

nessa incessante busca nos passam despercebidos.

E esquecemos o primordial, os nossos valor es.

 

Igual ao rio que segue seu curso, não irá voltar.

Que decepção, não conseguimos nossos intentos.

Está dentro de nós, mas vivemos desatentos.

Na verdade é a insatisfação, o não querer aceitar!

 

Ah! Essa eterna e insensata busca...

Desiste, pois o que tanto buscas,

nunca conseguirás encontrar.

ALMA DE POETA


©Antonieta Elias Manzieri

 

Poeta, eterniza-te por deixa r- nos tuas obras para a posteridade.
Porém, muitas passarão despercebidas em tua trajetória de vida,
Mas, quando partires, todas serão reverenciadas com saudade.
Ah! poeta, quanto revelas em versos sobre amores e desditas!

 

Descreves em tom piegas sentimentos que levas na alma aflita.
Sofres a decepção quando os que leem teus escritos ironizam:
“Poeta! Que sandices estás a dizer? Quão fértil é tua imaginação!
Queres que acreditemos que alguém sofra tanto assim por amor”?

 

Ora, francamente, poeta...

 

Os inflexíveis não alcançarão a profundeza de tuas letras.
Em sua sensibilidade, o poeta percebe o que outros não veem.
O gorjear dos pássaros ou o perfume das flores o enternecem.
A fina garoa o inspira e serve de tema para um novo poema.

 

É na sutileza dos detalhes que ele enxerga a vida por outro prisma.
Mostra-nos a beleza imperceptível ao olhar comum dos desatentos.
Só o entenderemos quando ele partir, e a brisa de leve nos acariciar,
Intuiremos que é a alma do poeta compondo novos versos no além.

 

Estará enfeitando a vida e os amores, cantando as belezas da natureza,
Que irão brotando de sua alma adormecida, transcendida lá no infinito!
Dele, nos restarão as lembranças e o doce legado dos seus belos escritos,
Surgindo assim uma nova estrela no firmamento, de um jeito tão bonito.

 

São Pedro/setembro/2007.

 

 

"SUBLIMAÇÃO DO AMOR"

 

©Antonieta Elias Manzieri

 

Quando “literalmente” eu te amar,

Não será uma aventura de momentos.

Será uma entrega total dos sentimentos,

De quem sabia o que estava a buscar.

 

Não será um amor de “ficar” por ficar...

Igual fogo de palha, ou chuva de verão,

Será a entrega por inteiro, de um coração,

Que de tão sofrido, não se permite “errar”.

 

 

Sei que o teu também há muito anda carente.

Assim como o meu não aceita imposições,

Nem tampouco quem venha dar opiniões,

Pois, conselho bom ninguém dá, vende...

 

Será assim o meu amor, pleno nas decisões.

Sem ressalvas, meias palavras ou pretextos,

Com todas as palavras no mesmo contexto,

Para viver contigo todas as emoções.

 

Assim será!

Quando “literalmente” eu te amar...

 

AMOR INCONFESSO

 

©Antonieta Elias Manzieri

 

Se eu pudesse colher todas as flores

e oferta r- te como prova de amor,

seria um buquê com todas as cores

e aromas com que nos brindou o Senhor.

 

Ah! Se eu fosse poeta para descrever

em doces rimas e cadenciados versos

o que arde no peito e não ouso dizer...

Não sei se me aceitarias em teu universo!

 

Ah! Esse aroma a me endoidecer

faz renascer desejos adormecidos

de tomar-te nos meus braços e dizer:

-Aceita, meu amor, que por ti foi vencido!

 

Ah! Se eu pudesse dizer! Mas, não arrisco.

Prefiro viver com a incógnita da incerteza

do que confessar-te e correr o risco

de perder esse pouco e morrer de tristeza.

 

Ao Pedro, 14 de junho de 2007.

 

ONTEM, ATÉ A LUA SE OCULTOU...
©Antonieta Elias Manzieri

Deitada na rede sob a luz do luar
esperei alvoroçada, na incerteza.
Será que meu amor vencerá as barreiras
da distância cruel que nos separa?

A contar estrelas, contei às estrelas,
do amor que afogueia meu coração;
das noites seguidas que por ele espero,
e da tristeza que sinto dessa espera em vão.

Assim, a esperar e a sonhar fiquei,
sentindo a brisa que meu rosto tocava.
Por fim, vencida pelo sono, desanimei...
Penalizada, entre as nuvens, a lua se ocultava.

Elas se foram, a lua, as estrelas, a madrugada...
Para não verem meu pranto a rolar a fio.
E eu aqui fiquei a sofrer na solidão calada,
à espera de outra noite a sonhar com nosso idílio...

Oh, Deus! Tenha pena, não me deixe assim...
Não suporto mais viver esta incerteza.
Faça com que ele enfim apareça, ou então...
Arranque de vez esse amor de dentro de mim.


SURPRESA, EU?

 

©Antonieta Elias Manzieri

 

Podes até devolver-me, quem sabe,

os versos sinceros que um dia te escrevi.

Mas sei que não terás nunca mais,

quem te entregue o mesmo amor que ofereci.

 

Tampouco quem consiga entender-te,

e aceitar-te como fiz, sem restrição.

Ah... Mas faço questão de devolver-te,

o que julguei ser leal, teu falso coração!

 

Tanta coisa poderias devolver-me,

com teu jeito frio e calculista de ser...

Não creias, no entanto, que irás ferir-me.

Nada significas, nem é preciso te esquecer.

 

Nem te dê ao trabalho, não devolvas nada.

O que te ofereci, a vida retribuiu-me em dobro!

E não creias que por ti fui enganada.

Acabastes vítima de teu próprio logro.

SIMPLES ALERTA

 

©Antonieta Elias Manzieri

 

Não deixe que eu me acostume a viver na solidão,

pode tornar-se um hábito achar bom viver longe sem ti.

Posso descobrir atalhos nessa estrada para meu coração,

e quando deres conta, não me acharás mais aqui...

 

Não deixe o amor esbarrar no esquecimento,

cada dia que passa é uma página virada.

Depois vem a solidão, o amargo arrependimento,

e nos deparamos sozinhos numa triste caminhada...

 

É das pequeninas coisas que o amor se alimenta,

de simples gestos cercados de atenção.

É preciso alicerçar os pilares que o sustenta,

para sedimentá-lo nas profundezas do coração.

 

Meu querido, é simples encontrar-se o meio termo.

Basta ter amor e querer se doar, se deixar amar...

Por isso o alerta, não deixe meu coração a ermo,

para que não te esqueça, e vá à busca de outro par...

ETERNA BUSCA

 

©Antonieta Elias Manzieri

 

 

Ah! Essa eterna e incontida busca...

Mas afinal, o que tanto procuramos?

Muitas vezes, até já encontramos,

mas o brilho é tanto, que a vista ofusca!

 

Passamos por ela e não notamos,

sempre buscamos um bem maior,

em coisas ruins, pensando ser melhor.

Nessa busca, muitas vezes tropeçamos!

 

Temos o dom de fantasiar nosso sonho,

a cada conquista julgamos dominar o jogo.

Ele se transforma e nos prega um novo logro,

destruindo o porvir que se mostrava risonho.

 

Buscar, buscar... buscar sempre, quanta ilusão...

É a meta do ser humano em sua conquista.

Ao se dar conta, já escapou, não mais se avista.

Queremos que na vida inexista a palavra não.

 

Buscamos, em novos amigos, novos amores,

em distantes paragens, no desconhecido, que.

nessa incessante busca nos passam despercebidos.

E esquecemos o primordial, os nossos valor es.

 

Igual ao rio que segue seu curso, não irá voltar.

Que decepção, não conseguimos nossos intentos.

Está dentro de nós, mas vivemos desatentos.

Na verdade é a insatisfação, o não querer aceitar!

 

Ah! Essa eterna e insensata busca...

Desiste, pois o que tanto buscas,

nunca conseguirás encontrar.

AMOR INSANO

 

©Antonieta Elias Manzieri

 

Quero a doçura do teu sorriso cativante,

a sombra do caminho por onde pisas,

o aroma que te envolve quando passas

e o ar que respiras em teu peito arfante.

 

Quero o brilho no olhar que me encanta,

o contato de tua pele morena, provocante,

teus sonhos, teu doce semblante,

e tudo o que minha imaginação acalanta.

 

Quero te amar com pureza de criança,

temerosa, por viver um instante fugidio.

Quero te amar repleta de esperança,

e se preciso morrer, como a tarde em estio.

 

Ah, meu amor! Como roubas minhas noites...

Quantos devaneios estás a me provocar!

Fantasias e delírios neste peito adolescente,

tão sincera e apaixonada, no desejo de te amar.

TEU AMOR PROIBIDO

 

©Antonieta Elías Manzieri

 

Querer-me é o teu castigo.

Doença que não tem cura.

Por ser impossível, manténs as aparências,

de um sentimento que te leva à loucura!

 

Impregnei-me em teus poros, sou o ar que respiras.

Faço parte de tua vida, e mesmo que queiras,

não consegues desvencilhar-te.

Por mais que lutes e não admitas,

queimo dentro de ti igual fogueira.

 

Sou teu doce pesadelo, tua noite de insônia

quando reviras no leito em busca de meu calor.

Sou aquela que te dá prazer, te domina!

Que nada te cobra, pois sabes que sou “tua dona”...

E mesmo que não admitas, esse amor é tua sina.

 

Sei que sou o néctar, a seiva que te alimenta...

Que faço tua vida novamente ter sentido.

Que te levo aos limites da loucura,

numa dor que não dói, mas que tortura...

 

Aquela que terás de ocultar perante o mundo,

para que prossigas em teu mundo de aparências.

Numa vida falsa onde nada faz sentido...

Sou a razão da tua vida, o teu amor proibido...

DESABAFO

 

©Antonieta Elias Manzieri

 

Quero ser feliz, chega de sofrimento...

Mas, a vida está ai, sempre a cobrar...

Esvazia-se a alma, perde-se o alento,

tudo que me resta é apenas chorar...

 

Como dói minha alma, quanta solidão...

Por que tem que ser assim meu Deus, por quê?

Não há um porto seguro para ancorar meu coração?

Se tudo o que desejo é ser feliz com você...

 

Vazio, distância, tristeza e solidão...

Até quando viver assim,

até quando agüentará este coração?

 

Ah, Senhor... Se não tenho esse direito,

se minha  estrada termina aqui,

apiede-se de mim, encerre minha jornada...

DESEJOS REPRIMIDOS


©Antonieta Elias Manzieri
 
Ansiedade louca que consome,
vontade de me deixar levar.
Não pensar em mais nada!
E te amar, amar até me fartar...
 
Desejo que nos consome,
de nos deixarmos ficar...
Não despertar deste sonho,

isola r- nos do resto mundo,
neste mundo particular...

 

Sufoca r- te com meus beijos,
pecar com irresponsabilidade,

satisfazer todos os desejos,

ainda que pareçam insanidades...
 
Ansiedade de perder os sentidos
em meio aos gemidos, a coerência.
Viver esse amor que está reprimido,
que consome a nossa existência...

Segunda-feira, 25 de setembro de 2006.

REMINISCÊNCIAS

© Antonieta Elías Manzieri

 

Hoje acordei com desejo de você.

Lembrei seu perfume, sua pele macia,

dos beijos guardados em nossa alma sufocada!

Senti uma ponta de saudade a incomodar-me...

 

Nosso primeiro encontro, um breve momento;

convidou-me para dançar e não nos separamos mais.

Descobri naquele instante nossa cumplicidade,

quanto amor tinha para dar, mas era impossível...

 

Porém a vida bipartiu nossos destinos,

cada qual seguiu seu rumo.

Nunca mais nos encontramos,

nunca mais é muito tempo, é demais...

 

Lembrei melodias que marcaram nossas vidas.

A chuva fina, os dias de inverno,

quando me aquecia puxando-me bem perto,

enroscávamos-nos entre as cobertas.

 

Relembro os dias de verão, em praias desertas.

Passeávamos junto na orla em longas caminhadas,

que saudade das mãos entrelaçadas...

 

Lembro da atitude singela ao estender a mão.

Trazias uma concha nacarada onde dizia:

- Nunca te esqueças de que és meu único amor.

 

Não dá para esquecer, não dá!

Hoje acordei assim, com desejo de você...

 

A BUSCA

© Antonieta Elias Manzieri

 

Estou a caminho do nada

seguindo na estrada deserta.

Na bagagem, as lembranças,

de lembranças, quase nada...

 

A cada curva que surge,

penso ser a derradeira.

Sigo rápido, o tempo urge.

Desço a última ladeira.

 

Mas, por que a pressa em chegar?

Se lá, não sei o que me espera,

não sei o que tento alcançar,

se um sonho real ou quimera?

 

Continuo a caminho do nada

nesta longa estrada sem fim.

Quem sabe é a última morada

que está esperando por mim!

 

Como saber sem ir adiante...

Nesta corrida desenfreada,

encontrarei o que busco?

Ou estou em busca do nada!

São Pedro, 10 de junho de 2004.

17h 29 min

CUMPLICIDADE

 ©Antonieta Elias Manzieri

 

Quero um amor incondicional

sem dividirmos o mesmo leito.

Que ele seja um eterno madrigal

sem olharmos os nossos defeitos.

 

Não quero a maçante rotina

que deteriora os sentimentos.

Quero ser tua eterna rainha,

a dona dos teus pensamentos.

 

Quero te esperar impaciente,

sentir dúvida: será que virás?

Para enfim te beijar docemente,

e te amar, amar até nos fartar...

 

Quando vieres , não digas nada.

Nada perguntes, para que saber?

Parte no silêncio da madrugada,

Vai só depois que eu adormecer...

 

É por isso que te quero assim:

meu inteiramente, mas pela metade.

Sem pensarmos se haverá um fim,

o importante é a nossa cumplicidade.

 

Que importa se julguem iniquidade,

há muito que somos um único ser.

Ainda que fale de nós toda a sociedade,

não conseguirá nosso amor desvanecer.

 

Quero-te... Quero-te sempre, tanto!

Falta-me o ar só de pensar em te perder,

sem ti, nada mais tem encanto...

A vida era insossa antes de te conhecer.

 

12 de abril de 2007.

21h 28 min.

OMISSÃO

© Antonieta Elias Manzieri.

 

Ah, esse desejo de amar-te!

Envolver-te em minhas loucuras.

Mostra-te, não escondas tua face.

 

Tenho desejos, venhas satisfazê-los.

Não fiques surdo ante meus apelos.

Há anseios reprimidos em meu peito,

sentimentos não adormecidos.

 

Não imaginas o quanto te quero...

Nem tampouco as alegrias que me dás.

O quanto teu sorriso ilumina meus dias,

e quão tristes eles são quando não estás.

 

Oculto de ti para que não te ufanes...

Não percebas que sem ti já não vivo?

Melhor que penses que o amor corre perigo,

e atento fiques com receios que eu te engane.

 

É tão grande o amor que a ti devoto,

que de tantas renúncias quase me perdi.

Por isso insisto, mostre tua face!

Não te omitas... Venha, estou aqui.

 

FRAGMENTOS.

©Antonieta E. Manzieri.

 

Minha boca,

teus olhos...

Carícias,

tuas mãos...

 

Brisa suave,

cheiro de mar...

Raio de sol,

calor de dois corpos.

 

Uma nuvem,

silêncio...

Pecado,

pecado?

 

Não...

Instante fugaz

num tempo qualquer.

Lembranças,

esperanças.

 

Eu, você

e o mar...

LÚBRICO DESEJO

 

© Antonieta E. Manzieri

 

O esmagar de folhas mortas denunciam;

são teus passos vindos em minha direção.

Meus braços se abrem para acolher-te,

e num doce abraço extravaso a emoção.

 

Descontrolam-se meus sentidos,

queimo em brasas de tanta ansiedade.

Em arroubos cubro-te de beijos,

para fartar-me desse amor tempestivo!

 

Lúbrico desejo a consumir-nos,

que não passa, não ameniza...

Esquecemos de tudo, nada mais importa,

a não ser viver o amor em todos os sentidos.

 

Não, não vá embora, te necessito...

Ainda há muito para desfrutar-mos!

Se partires, temo que não voltes,

e aqui ficando te prenderei comigo.

 

ALTIVEZ

 

©Antonieta Elias Manzieri.

 

Via-te sempre ao passar.
Porte esguio, olhar indiferente.
Que lindos teus louros cabelos!
Olhos azuis, duas contas de cristal.
Boca rubra sumarenta.
Apetitosa, parecia convidar-me:
Beija-me...


Porém, sorrias com desdém
a quem insinuasse pretender-te.
Por muito tempo assim passaste,
não vias nada, ninguém,
a não ser tua própria beleza, tua altivez.


Muitos corações se destroçaram com teus encantos!
Mas o tempo é impiedoso, não perdoa ninguém.


A vida prosseguiu.
Aqueles que um dia te amaram,
seguiram seus destinos ao lado de outro alguém.
Ninguém conseguiu prender-te, ninguém!


Hoje, novamente passas como antes,
porém, triste, na mesma calçada de sempre
em que um dia desfilaste com ares de rainha.
Quanta pena ao rever-te...


Pensar que já fui teu escravo,
com um único gesto me trarias cativo.
Procuras como a mendigar,
ainda que seja um simples olhar,
de alguém que te ofereça um pouco carinho!

 

Concurso Pablo Neruda 2004.

(A Grande Chance) Alberto Peyrano

3° lugar

 

 

AMOR (tecendo) PAIXÕES

 

© Antonieta Elias Manzieri

 

Arrebata-me com a fúria de teus beijos,

a sede de amar que transcende em teu olhar.

Arrebata-me que estou louca de desejos,

selemos nosso amor sob a luz do luar.

 

Arrebata-me, porque sempre fui tua,

mesmo quando não te conhecia.

Divagava pela vida em insensata loucura,

na busca incansável da nossa alquimia.

 

Arrebata-me!

Preenche minha vida com loucas fantasias.

Percorreste mil caminhos em busca deste amor.

Agora que o encontraste, desfruta das alegrias

desta entrega, sem ressalvas, sem pudor...

 

Embriaga-te no champanhe derramado,

bebe-o em meu corpo, faze dele tua taça.

Sorve gota a gota até que eu fique lassa

e esmoreça em teus braços nesse doce pecado.

 

Ah! Paixão que me consome e acalenta,

perco o tino, não mais sou dona de mim.

Igual à minha alma, a tua está sedenta.

Arrebata-me! Não deixes que eu fique assim...

 

Tece comigo em nossa cama essa trama,

essa explosão de amor que nos consome.

Esperar porque dentro de nós tudo clama

por esse desejo que nos mata de tanta fome...

POEMA DERRADEIRO

© Antonieta Elias Manzieri

 

A ti componho meus últimos versos

meu poema derradeiro,

quero deixar todo o passado submerso.

Viro a página de quem foi meu amor primeiro.

 

Aparta-te para sempre de minha vida,

lembranças que magoaram os dias meus,

quero reatar o liame da meada partida,

numa nova vida reconstruir os sonhos meus.

 

Estou vivendo um novo tempo

o porvir sorri um futuro promissor,

tudo o mais lancei no esquecimento,

despojei-me dos temores sem pudor.

 

Curtas, pois estas últimas palavras,

saboreie-as, são meus derradeiros versos.

Não diga depois que não usei de boas falas,

chegou à hora de mostrar-te meu lado perverso.

 

Afinal, nem sei por que te digo,

se nada te interessas, será que estas a ouvir-me?

Comportas-te sempre fingindo ser meu amigo

só que desta vez não conseguirás enganar-me!

 

Guarde-os, são meus últimos versos,

ofereço-te este derradeiro relicário,

releias quando teus sonhos forem dispersos,

divagues nas lembranças, faças deles um escapulário.

 

ORGULHO SEM HUMILDADE

© Antonieta Elias Manzieri

 

Queria sentir-me orgulhosa em dividir contigo
este momento de alegria que vivo agora,
mas infelizmente tudo que consigo
é lamentar a distância que esta vida nos devora.

Como posso ser feliz, se com teu orgulho tolo
chegas para mim enunciando que não aprovas.
 Estou trocando tudo por um mundo novo,
e me dizes:- já passou tua hora...

Como dividir a emoção que sinto com minha vitória
com alguém que nunca teve a humildade em reconhecer,
que por trás desta simples "senhora”,
pulsava um coração buscando seus ideais, tentando vencer.

Só que nunca foram percebidos, por quem agora,
não quer admitir muito menos se orgulha em saber
desta que está triunfante! Esta simples "senhora”,
que se vê reconhecida e reencontrou novamente o prazer de viver.

Carrego sim este orgulho, e não tenho humildade em dizer;
lutei muito para alcançar o que desfruto agora.
Sei o preço da árdua conquista, das renúncias que tive de fazer.
Disso não abro mão, colherei todos os frutos!
Assinado "Senhora"

 

OBRA DE ARTE

© Antonieta Elias Manzieri

 

Tentei desenhar minha vida

fazer dela uma obra de arte,

vi minha esperança perdida

e a vida sorrindo de minha arte.

 

Mas, sou obstinada, não desisto!

Tenho a minha artimanha.

Nessa tela ainda insisto

até cumprir tal façanha.

 

Vou dando pincelada

buscando matizes entre as cores.

Quando achar a cor exata

não mais será uma obra de arte,

será um mundo de horrores.

 

Minha tela abstrata

de difícil compreensão,

revelará na medida exata

a dor de minha alma,

de meu sofrido coração.

 

.

INCOERÊNCIA

© Antonieta Elias Manzieri

 

Quantos vivem sob o mesmo teto,

separados por milhas, sem afinidade,

sendo tratados como mero objeto,

num jogo de interesses por pura praticidade.

 

Quantos mergulham em caminhos sem retorno,

acreditando piamente nos engodos da ilusão,

levando uma vida de sentimento morno,

sem jamais ter vivido uma paixão...

 

Engavetam os sonhos e jogam a chave fora,

sem questionarem tantas incoerências.

Numa atitude impensada a teia se forma,

seguem pela vida afora mantendo as aparências.

 

Quantos se perdem pelos caminhos da vida

ao deparar que nada resta, nem mesmo a ilusão,

ao dar-se conta de que a vida não foi vivida,

não conseguem recuar e lutar por sua ambição.

 

São tantos os que assim sobrevivem...

Fracassados, inseguros, com medo de arriscar,

de tentarem libertar-se da prisão em que vivem,

sendo arrastados, pisoteados e não conseguem se soltar.

São incoerentes, cruéis e desumanos consigo mesmo, 

deixam que lhes conduzam a vida sem lutar,

tem que se olharem nos espelhos e constatarem;

os culpados são eles mesmos por se deixarem levar!

 

EM BUSCA DE UM SONHO

© Antonieta Elias Manzieri

 

Vivo em busca daquele que seja

minha alma gêmea, meu amigo.

Que queira dividir comigo

sua vida, sua fonte que roreja.

 

Que busque os mesmos ideais

sem usar de subterfúgio.

Que meu corpo seja seu refúgio,

sem tolices ou conversas banais.

 

Que se encante com o pôr-do-sol,

com a beleza de uma flor.

E não tenha vergonha de chorar,

ou de falar palavras de amor...

 

Que me tome docemente pela mão,

olhe nos meus olhos com carinho.

E que acima de tudo seja cúmplice

das loucuras de amor, das volúpias,

que juntos faremos em nosso ninho.

 

Que, ao olhar em minha retina,

enxergue minha alma também!

Saiba que busco esse alguém

e compreenda meu lado de “menina”.

 

Ele existe, por isso não desisto

e sei que é diferente dos demais.

Somos duas metades tão iguais,

por isso esse sonho eu persigo.

.

DESPEDIDA...

 

© Antonieta Elias Manzieri

 

Quando eu disse adeus com a voz cálida

e minhas mãos estavam frias,

não entendeste o que eu te ocultava,

eu não podia amar-te como querias.

 

Quando notaste meu olhar perdido na imensidão,

buscando ao longe divisar o infinito,

tentando desesperada ouvir tua voz na solidão,

tudo o que eu escutava, era meu próprio grito.

 

Quando olhaste nos meus olhos e percebeste

lágrimas escondidas em sorrisos disfarçados,

não eram de alegria, eram meus pesares,

que guardei por toda vida e jamais te foram revelados.

 

Eram as cicatrizes que a vida em mim deixava.

Indeléveis, doloridas, que magoaram e fizeram sofrer.

E cada vez que nelas eu olhava ou tocava,

sangravam novamente, não me deixavam esquecer.

 

Ah...

Mas quando eu disse adeus e pensaste que não fazia sentido,

achando que eram palavras pronunciadas, nada mais,

há muito eu já havia partido sem que tivesses percebido.

E por mais que procures, não me encontrarás jamais.

COLCHA DE RETALHOS

©Antonieta Elias Manzieri.

 

A vida é uma imensa colcha

toda feita de retalhos.

Há muito estou costurando,

tentando mudar meu fadário.

 

Buscando na minha infância

algo que traga saudade,

com certeza só encontrarei

tristeza e infelicidade.

 

Seguiram-se os anos assim.

Fui seguindo o roteiro,

tentando mudar o cenário.

Tudo o que consegui

foi só juntar mais retalhos...

 

Vejo a colcha quase pronta,

não há muito que tecer,

pouco uso fazer dela,

apenas reviver...

 

Agora, no inverno da vida,

quando o frio se faz intenso,

olho esta imensa colcha,

onde cada cor é uma história

e cada história uma saudade.

 

Percebo então a ironia,

quanta coisa mudou nesta vida!

Só não mudou meu fadário...

Agosto de 2005.

18h 43 min.

 

IMPREVISTO

 

©Antonieta Elias Manzieri

 

Há coisas que acontecem inesperadamente,

e tardiamente modificam nossas vidas.

Depois de tantas experiências já vividas,

eis que voltamos a sonhar novamente.

 

Ah! Se eu te conhecesse noutro tempo,

viveria contigo todos os meus sonhos,

os desejos, quando fito os teus olhos,

que docemente em meu coração acalento.

 

Quero te amar com meus desvarios,

com teus desatinos, me ama, meu bem...

Não despertarei, não despertes também,

mesmo que seja por instantes fugidios.

 

Não será pecado, será uma doce loucura,

ele é infinito como o céu que nos abriga.

Está além do bem, do mal ou da intriga,

não o deixe escapar pelo temor da censura.

 

Deixa-o seguir como um rio caudaloso

marca  seu curso e delineia seu leito.

Para que não seja mais um sonho desfeito,

ele nos traz tranquilidade, embora sinuoso...

 

Quinta-feira, 27 de março de 2008

 

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