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Monday May 03, 2011 10:54 AM

Faria Canto Magico & Sonhos

(Mensagens)

*Cartas a um amigo*

Pagina do amigo

José Barroca Agostinho

1 – Carta a um amigo

Ontem falámos de crianças, vidas acabadas de

nascer; vidas a começar a gostar de viver;

 vidas para quem o tempo não é contado,

nem acham desperdício de tal.

 Homens e Mulheres nascidos para a vida

e tendo como desafio único seu

alimento para poderem suportar todas as

traquinices próprias de crianças,

suas corridas, seus jogos e o seu mundo

próprio que

os adultos por vezes não compreendem.

Hoje vou falar-lhe de outras crianças

que já foram meninos; diz o ditado:

de velho se torna a moço. Este é daqueles

dizeres populares que assenta

em toda a sua plenitude na palavra escrita.

Não é preciso calcorrear muitas ruas ou vielas,

seja de aldeia ou cidade,

para vê-los sentados à soleira de sua porta,

quando não é alugada ou de um filho;

 olhos postos no além, puxando pela memória

para se lembrarem de algo bom que

tiveram ou passaram num tempo longínquo,

cheios de vida vencendo todos os obstáculos,

em que a maior parte previam um futuro risonho.

Ou vê-los fechados quais bichos, tão Humanos

e tão cheios de saber, dentro de,

chamam-lhe “Casas de Repouso” ou como também

lhe chamam armazém de velhos;

termo repugnante, carregado de desprezo.

Muitos deles voltaram a ser crianças; só que agora,

o carinho de uma Mãe que os gerou,

não está presente, Amor Maternal; só elas sabem

quanta dor e prazer custa trazer uma

Vida ao mundo; só elas sabem o que significa

Amor Verdadeiro; só elas sabem quanto

custa transportar uma vida no Ventre; quanto

ao Pai é-lhe dado o papel de ensinar os seus

 primeiros passos, dar-lhe aquele apoio e aquela

força moral que tanto crescimento traz

às crianças. Assim aquele grupo de Homens que

voltaram a ser crianças, e cujos seus

 descendentes, uma grande parte deles, para

não os suportarem, são colocados naquelas casas,

muitas delas com grades parecendo prisões;

quantas delas com fachada tão bonita e

acompanhadas por pessoas que praticam a Fé,

quanta hipocrisia, quanta maldade é feita

aqueles, muitos deles, ajudaram a construir a

riqueza dos que agora os maltratam.

Grupos de Pessoas com mais idade e maior

nível cultural e formativo, têm criado

Universidades para a dita Terceira Idade;

Professores há que se disponibilizam para

ensinar as suas matérias aquelas Pessoas, para quem

a idade não conta, tal a vontade

 de viverem aprendendo, e, ao mesmo tempo, viverem felizes.

Vamos preparar-nos, para termos a grandeza de sairmos

com Serenidade,

 e sermos recebidos com a Alegria Divina.

Um abraço

José B. Agostinho

2 – Carta a um amigo

Hoje é o dia da Mãe. Hoje é o dia do Pai.

Hoje é o de d .... Como se os dias não fossem

todos, de todos nós. Se cada dia é um novo dia

e todos devemos partilhar a alegria de viver mais uns

momentos que nos foram dados, principalmente junto

de quem amamos, porque rotulam os

dias, atribuindo-os a alguém que nem sequer foi

consultado para tal. Ao assinalarem um dia para

Mãe ou Pai, estão a tirar a grandeza

que diariamente deve estar presente em

nossos corações, por termos a felicidade, de

vivermos juntos de quem num acto de Amor

nos gerou. Não será necessário cada momento

que passamos junto dos nossos progenitores,

vivê-lo, festejá-lo e fazer desses momentos únicos,

porque o são, momentos de amor junto de quem nos

deu a vida ? Não foram umas quantas semanas que

carregou connosco no seu ventre para nos trazer

ao mundo, dando-nos Vida; quantas vezes

com sacrifícios tais, que só elas tiveram o privilégio,

sim privilégio, de suportar; quantas dores tiveram

ao longo do nosso crescimento, dentro do seu ventre.

Qual Árvore que dá seus frutos, assim a Mulher,

é também uma Árvore de Vida.

 Quantas tiveram de pagar com a própria

Vida para que o milagre da vida

se repetisse? Quantas ficam com cicatrizes

psíquicas ou físicas para toda a vida?

Quantas noites sem dormir para que aquela criança,

continuasse seu ritmo de crescimento,

desconhecendo que alguém que a gerou lhe dá toda a

Protecção e Amor?

Porque festejam o dia da Mãe, do Pai ou d ...

Não será um negócio a nível mundial que se aproveita,

usando o nome daqueles

que nos são mais queridos, para nos cativar a despender

por vezes o que faz

falta para outras, essas sim, necessidades prementes?

Quantos biliões são gastos,

naqueles dias, geralmente no mais supérfluo para

o nosso dia-a-dia, e vão engordar

a conta dos proprietários das grandes cadeias comerciais.

Porque não criar um dia em que seja decretado em

todo o Mundo o fim da violência;

seja doméstica, seja entre tribos ou entre nações.

Propomos que aquele dia se repita

ao longo de 365 ou 366 dias. Ah!

As armas, os canhões, todo o belicismo

existente, precisam de ser vendidos nem que

seja a um País inimigo.

Porque nem todos pode ascender a ser ascetas,

e porque já há poucas condições

para que a prática de tal, possa ser cultivada;

vivemos, sendo usados pelos mais

diversos processos, e não avistamos a luz

ao fundo do túnel, capaz de parar a

máquina depradadora de todas as culturas;

à qual chamam de progresso.

Porque hoje é dia de escrever a um Amigo;

hoje sim, vou festejá-lo,

endereçando toda a amizade que uma carta,

cujas palavras de gratidão

 possa transportar, estreite os laços de

Amizade que nos unem.

Um abraço.

José B. Agostinho

3-Carta a um amigo

Há elogios que me asfixiam; isto é, como posso

ir ditando da minha palavra,

semente que se possa recolher, armazenar e

sendo semeada, que possa vir a dar fruto?

Mas como há em nós um pouco de: de médico a

louco temos de tudo um pouco;

ditado popular. Assim, enaltecendo a sua

qualidade de saber onde existe um

pensamento rectilíneo, e agradecendo-lhe

o quanto é bom ler os seus comentários

ao que escrevo encorajando-me a pôr em prática

o que vai há muito no meu pensamento,

irei dando conta do que me vai saindo,

ainda que lentamente, mas com a certeza de

que farei sempre o melhor que souber.

Só lhe peço que me faça

a crítica o mais objectiva, não perdoando,

no que de errado foi cometido.

Largando um olhar para um horizonte

e escutando os rumores do que ouvimos,

é muito difícil levar à prática o que

ontem fazíamos de boa vontade.

Costumo dizer: fomos filhos propriedades dos nossos

Pais; hoje os filhos são máquinas de jogo.

Éramos obedientes, submissos e sem direito

algum como crianças;

fomos preparados para saber estar junto do nosso

semelhante, fosse de poucas ou muitas posses;

fomos criados, muitos de nós, com o mínimo que podia

dar sobrevivência; as nossas brincadeiras

regra geral tinham a rua como cenário,

no verão as ribeiras ou rios, no inverno a neve,

mas sempre a rua como nosso local de passar o tempo.

Convivíamos no dia-a-dia numa

espécie de creche ou infantário, em que as/ou

Educadoras/es eram os que tinham

mais idade e melhor coração, ainda que a pureza

de uma criança se manifesta tal como no adulto.

Assim foi criada uma geração que deu Homens;

o Amigo João é um exemplo;

em quem devemos ter orgulho vendo a

obra que está no caminho que percorreram.

Apontar caminhos que invertam o que

menos bem se vê no dia-a-dia;

só poderá ser com a atitude, positiva pela vida,

que cada um tomar em todas as acções de sua vida;

vale mais uma imagem que mil palavras.

Um abraço

José B. Agostinho

4-Carta a um amigo

Hoje vou revelar-te alguns passos que

ainda não tinha contado. Isto é.

Não se pode ou deve submeter o que nos

pertence, a juiz, que por não estar

devidamente preparado para nos avaliar,

nos dê errada imagem do que havíamos

declarado. Por outro lado, não é de

todo prudente confiar em quem não

tenhamos a nossa confiança.

Ainda que por vezes, bastas vezes,

se manifestem os sorrisos que nos

querem dar a impressão de solidariedade

amiga, este sorrir não é de todo um sinal

de compreensão e ajuda no que de tal

estaremos a precisar; também, não será

o irmos por caminhos que sendo os

mais difíceis, chegaremos mais depressa

à resolução dos problemas que,

havendo-os criado, terão sua resolução no

mesmo quadro de dificuldades.

De acordo! Claro, também não é

apresentando o que nos pertence do

mais íntimo e profundo do nosso Ser,

que esqueceríamos o que foi feito

mediante aquela caminhada; também

não é divulgando que se esquece o

pretérito, ou se risca da memória o

que jamais pode ser apagado. Pois a tal

esponja, não limpa o que existe para

recordar, ela é somente uma sombra

residual que está para lá da nossa mente;

não existe; ou melhor; serão criadas

por outros, que não querendo ser

olhados com e pelo que fazem, para

se sentirem, erradamente, na vertical,

tentam usar o esquecimento voluntário,

se houvera tal predicado ele seria uma

fonte de riqueza para os dias de hoje.

Mas, como só ao Divino pertence o que

há dentro de nós, que foge ao mundo

material, por isso ainda não foram,

e jamais serão criadas as condições,

dentro do quadro natural da criação

humana, aquelas que disponibilizem

conhecimento ou acções para controlar

o espaço do nosso cérebro

onde está instalada a parte que orienta

o nosso conhecimento, o fixe ou o dilua

por vontade própria o seu conteúdo.

Ainda, por outro lado, há uma tendência,

como Tu sabes, para que a degradação

de tudo o que é humano, se vá tornando

dia-a-dia mais patogénico, mais visível

nos seus efeitos nefastos ao olhar de

quem atentamente se interessa pelo

mundo que o rodeia, se preocupa

na defesa de valores e, uma vez desprezados

, dificilmente recuperarão sua forma e vida primitivas.

É verdade que uma revelação igual à que

tenho para contar-te, não se enquadra

naqueles contos, do “Abafa”, ou o da

“Consoada,” pois eles serão sempre

vivências de um tempo que não existiu

a não ser na criação do Autor, e a terem

existido, foram sempre mais do instinto

irracional que, da natureza Humana.

Também é verdade ao dizermos muitas

vezes que o limite é o céu! Será verdade?

O infinito aplicado nesta expressão

tem o seu fundo de verdade? Também não sei.

O meu pouco saber não me permite

ir muito além do que aos Homens,

naturalmente, lhes é concedido no reino dos saberes.

Dar-te-ei a resposta em uma das minhas próximas

missivas; continuo esperando novas tuas.

Vive, aprecie, saboreia e medita em

cada acto da tua vida; pode ser o último.

Um abraço

José B. Agostinho

5-Carta a um amigo

Embora tenha que dar-te razão, ainda

assim, quero dizer-te que me ficou

uma dúvida que gostaria de a ver tirada

em uma das tuas respostas. É claro que

não vou falar-te novamente naquelas

conversas em que tanto tempo passamos juntos,

e nem sequer demos conta desse

mesmo tempo. A preocupação das horas

só se manifesta se o que estivermos a

falar ou a executar não for do nosso agrado.

Aquele foi muito importante, um tempo

que deu semente, foi um aclarar de

ideias, foi uma troca de valores e uma

partilha que ajudou a construir e a

cimentar a nossa amizade; passamos

tanto tempo sem saber da exacta

dimensão do seu valor, que uma

grande parte dele não o usamos da

melhor maneira para que a sua

utilidade nos traga algo de bom em

nossos relacionamentos; afastamo-nos

demais do que é útil procurando, ainda

que sem noção clara onde o estamos

a ocupar, passá-lo nem sempre da

melhor maneira possível; o que é o

melhor possível? Sei que o Agora é

este momento que considero único e

que estou a oferecer-te um pouco

do que me pertence; também pensava

dizer-te isto pessoalmente; uma partilha

deve ser o comungar não só com ideias

ou acções, mas com oferta do tempo

que nos pertence; sem sermos senhores

do mesmo sem possibilidades de alterar

o percurso que nos foi traçado,

mas de qualquer modo dizemos que

oferecemos um pouco do nosso tempo.

Há um tempo para tudo? Deve haver

um tempo para tudo? Também não sei

bem o significado exacto; também não

tenho resposta para te dar. Sei. Isso sim.

Que depois de uma juventude em que

o conceito do mesmo, por vezes não

é bem claro, esta troca de ideias vai

a pouco e pouco, fazendo Luz devido

à energia positiva que empregámos

em nossos diálogos, devido à verdade

que pomos em tudo o que, juntos

planeamos e executamos. Quero dizer-te

que vou esforçar-me para fazer deste

pouco tempo que me resta, que

nem sei qual a sua medida nem esta

preocupação sequer existe dentro de mim,

um passeio pelo que já fiz, pelo que

estou a fazer e delinear uns quantos

projectos para, se houver o tal tempo

que penso pertencer-me, os executar

na medida em que as forças me

acompanhem para tal. Saberás

sempre na medida do possível

o ponto exacto onde me encontro.

Eu sou Presença, perante Deus,

que habita o meu corpo.

Um abraço

José B. Agostinho

6-Carta a um amigo

Quereria ser o cumpridor fiel do que a

mim próprio me proponho, mas não

tendo ou havendo metas e balizas que

me definam os limites dos afazeres,

vou seguindo, tal como fez o Mestre

o seu ritmo da vida; ele será sempre

aquele que a vontade existente no

momento subir até mim; ajudar os

outros que necessitados estarão mais

do que eu; servir sempre os que não

puderam ou não souberam ir mais

longe em busca de um modo de viver

que não lhes trouxesse arrependimento

do caminho andado, sempre os que

precisam de serem levantados, porque

o cair, é da física elementar a acção

natural mais próxima de nós, implica

que terá de haver a acção contrária.

Quero dizer-te que me sinto muito bem

com as palavras que me mandaste,

as quais, sabendo do valor das mesmas

e da fonte inesgotável de saber de onde

provêm, me incentivaram a que o meu

rumo não fosse perturbado nestes

acontecimentos dos últimos dias.

Há sempre acontecimentos que nos

marcam mais ou menos, mediante

o impacto que provocam em nós.

É concerteza dentro do quadro da

Amizade que, o que nos surge de

outrem tem sempre um valor e uma

apreciação de caracter mais intimista,

mais nos enleva ao que nos

pertence; pois assim sem julgamento

estamos a ser apreciados, pelo nosso trato,

pelo nosso trabalho e sobretudo

pela existência de um elo que foi

consolidado ao longo dos anos em

que travamos conhecimento e fomos

trocando correspondência, esta tão em

desuso, e ao usarmos de tal privilégio,

privilégio porque poucos a usam

actualmente, estamos a deixar

escrito aquilo que realmente pensamos

de nós, dos nossos que por laços familiares

nos pertencem, do nosso país e do

planeta em geral; motivo mais que

suficiente para estarmos de bem connosco.

Se a Amizade é um frasco, quero que

seja do tamanho do Planeta.

Há um tempo para tudo; vamos

respeitar aquele tempo.

Um abraço

José Agostinho

7-Carta a um amigo

Embora tenha estado bastante ocupado,

não é meu hábito ou conforme a minha

maneira de proceder deixar em atraso a

correspondência que vou recebendo.

Assim a tua, sempre teve, e está a ter

resposta dentro dos prazos que ambos

consideramos aceitáveis; este modo

de contagem do tempo em horas, e não

em afazeres que nos dão prazer, em

actividades ditas de generosidade ou

mais úteis à comunidade, visto que só

dando algo de nós, nos devemos sentir

melhor, não são bem aquilo

de que mais aprecie para medir o tempo

que tenho para viver; erradicar aquela

ponta de egoísmo habitante, hóspede ou

passageiro que por breves momentos

foi nosso cúmplice; e se existe não é

porque não se tenha feito o esforço

necessário para o pôr de parte,

esquecê-lo ao mesmo tempo, mas

como humanos, errantes e até com

uma certa teimosia que aparece,

estes pequenos acidentes, por

vezes involuntária outras vezes

voluntariamente, não são tragédias

mas levam-nos a afastar da Luz e

escolher a Sombra. A luz quando

nasce não é pertença de todos?

O Criador não distribui por Pessoas,

Materiais ou Líquidos os recursos do

Universo, atribuindo-lhe um dono;

não criou amos nem servos; criação

perfeita, que só ao Divino pertence.

Ao homem, como ser humano,

lhe foi dado aquele modo

de pensar que nos leva a criar as

diferenças, barreiras ou muros tão

compactos que hoje em dia mais

parece uma epidemia; antes fosse,

e daquelas que, muito simplesmente

o barbeiro das nossas aldeias encontrasse

na sua horta, as ervas com que tem curado

tanta gente e tivesse o diagnóstico mais

fácil e das curas mais rápidas igual a

tantos males que tem curado.; repara

que se há algo em que fazemos o melhor

que soubermos, seja distribuir um sorriso,

uma palavra ou um pouco de pão que seja

em benefício dos que nos rodeiam, até a

luz que nos tira da sombra parece ter

mais brilho, até os passos dados são

passadas feitas com maior segurança,

até o dormir aquele sono que o meu

avô nos dizia quando o meu irmão mais

novo estava a dormir; ele está a dormir

o sono dos justos; isso mesmo é sentimento

que vem e nem nos apercebemos, tal

é o encanto interior de que estamos

possuídos; serão fantasias que vêm

desde a infância? Serão modos de

perceber o quanto é grandioso, ver os

acontecimentos tão contraditórios, ver

as diferenças de pensamento, sinal,

ao mesmo tempo do respeito que

ainda vai existindo, se lhe chamarmos

tolerância, e sinal de que nem tudo vai

assim tão mal como se ouve dizer.

A crítica só terá razão de existir

se for feita no sentido construtivo

do criticado. Olhando para os

acontecimentos que se passaram

nestes dias que nos mantivermos

afastados, olhando para os seus efeitos

à escala planetária hoje chamada

globalização, decerto vimos diferenças,

algumas pontuais outras nem tanto,

em todos os factos dos quais

fomos observadores atentos.

Gostaria de ler a tua opinião, de saber

descrito por Ti, naquele teu jeito,

tão perfeito e tão sadio de descreveres

os acontecimentos, com uma

linguagem tão enlevada e tão rica

em elementos, que descreves tudo na

maior das perfeições; não te invejo

o saber escrever; o saber não se inveja;

adquire-se; nasce connosco; mas como

sabes vou fazendo o melhor que sei,

e sempre vou aprendendo, cada dia

que leio o que escreves, e assim não

tenho remorsos desta minha ignorância,

nos modos de ver o mundo que nos rodeia.

A tua opinião como digo, traz-me sempre

mais um esclarecimento, é mais um

saber que vai contrariar aquele

ponto que ignorava ou que tinha mal formulado.

Só pelos caminhos da Luz fugirás aos abismos.

Um abraço

José Agostinho

8- Carta a um amigo

Gostei da resposta que me mandaste

acerca do perfil que traçaste para o

Homem que deseja ir ao encontro do

meio ambiente, que deseja conhecer

o mundo Natural; o mundo do espontâneo

onde está instalada a verdadeira Natureza;

quando te pronuncias sobre os que

desejam ir mais além, com seu saber;

do que apreciar as plantas ou flores

de um jardim, ou que se aborrecem

e dizem impropérios quando chove,

ou que não apreciam a sombra

de uma árvore antes preferem o ar

condicionado, ou preferem a água

que sai das máquinas sujeita a uma

refrigeração e rejeitam as puras e

cristalinas que brotam das nascentes

por onde passam, muitas vezes,

desconhecendo a riqueza que desperdiçam,

àqueles sim, lhes serão dadas todas as

oportunidades para serem os mestres

na arte de mostrar o verdadeiro valor

da vida Humana; pois só poderemos

ambicionar a uma vida saudável,

se existir um Planeta onde os seus

habitantes o conheçam e o estimem;

tirem o verdadeiro prazer de nele

viver não o maltratando. Assim

serão os obreiros mais apreciados

pelas gerações vindouras se a sua

missão for cumprida, se o seu

saber for levado a todos os Humanos

incutindo-lhes a sua preocupação

quanto às agressões que diariamente

se cometem contra a Terra que pisam.

São homens com saber acerca da

vida na Terra, de um modo generalizado,

todos os que a Amam com ou sem saber

Académico, mas todos com seu

empenho na defesa e protecção do

meio ambiente. Se a uns lhes é pedido o saber;

aos outros ser-lhe-á pedido, que continuem,

cada vez mais a intensificar o seu empenho

na preservação de uma vida com qualidade.

Se aos que trazem o saber das Escolas,

todo aquele rigor do conhecimento

científico todos os nomes das plantas,

mas longe de uma prática muito

distante da realidade, uns e outros

na partilha dos saberes darão um

contributo para que um e outro se

completem e sirvam para melhor

dar a conhecer o mundo real que Habitamos;

pois será o saber adquirido ao

longo de uma vida de dedicação, de

empenho na defesa do meio ambiente,

muitas vezes inconscientemente sem

saber, mas que está a dar amor ao pedaço

de terra que pisa, que lhe dão o tal saber

que não trouxeram da Faculdade; amando

protegendo e colaborando para uma

harmonia no meio em que vive, certo

de que os conhecimentos científicos

de todos os Saberes que constituem o

Universo do Ambiente, e dentro deste

pensamento os ramos do saber que

vão desde a Zoologia até à Engenharia

ligada ao campo da Alimentação, do

estudo da geografia das Cidades

até ao estudo dos microorganismos

existente no fundo dos Mares, ou outro saber,

lhe trará benefícios acrescidos aos

seus que o rodeiam, visto o saber e o

contacto com o mundo natural lhe trarão

vantagens em relação àquele que não se

esforça por largar o cadeirão de seu gabinete.

Falar, hoje em dia, em meio ambiente,

é ir ao encontro de tantos interesses

instalados a nível planetário. Quando

foram libertados uns operários que

invadiram as reservas Índias na

Amazónia a fim de construírem uma

Barragem? Quando foi indeferido

o pedido para uma refinaria, cujos

parâmetros de segurança não obedeciam

àqueles que são exigidos para valores

aceitáveis a um ambiente, Quando

foi iniciado o desmantelamento das

centrais nucleares em vários países;

há uma preocupação a despontar,

em muitos governantes, de que para

lá de uma riqueza monetária, faustosa

e vivida em salões de luxo, temos o dever

de proteger um Planeta chamado Terra.

Um abraço

José B. Agostinho

9-Carta a um amigo

Embora possa dizer-te o quanto me

agrada a ideia da construção daquela

Escola de Infância, porque todo o

mundo devia ser um Jardim e todos

os homens podiam ser Mestres e toda

a nossa Vida não passa de uma aula

em que o aprender está sempre presente,

não foi o saber ancestral aquele que

dentro do conhecimento, teve e

tem na prática, o qual lhe dá uma

experiência de vida, sendo esta mestra

do construir; não vamos falar nas sete

maravilhas que nos deixaram e que

demonstram toda aquela técnica

e todo o empenhamento do saber;

qual ramo de engenharia teria dado

aquela matéria cujos cálculos ali aplicados,

deixam estupefactos os que hoje estão

a seguir os seus passos? Quais os mestres

que tiveram alunos tão brilhantes

capazes de nos maravilhar com o

que ajudaram a construir, e, quais

os compêndios onde foram buscar aquele saber?

Sem nostalgia, mas com muitas e

boas recordações que devemos guardar,

daquele tempo em que tivemos, quando

crianças, como primeiro contacto com

a escola, aquele edifício simples,

de paredes muito largas, sem

condições para enfrentar os efeitos

das temperaturas, provocados pelas

diferentes condições climatéricas,

proveniente daquelas serras que

circundavam a nossa escola;

éramos três, e às vezes quatro,

muito arrumadinhos, pois era sempre

a professora que nos impunha o lugar

onde devíamos ficar; quantas vezes

à frente e em lugares mais perto dela

e onde melhor se podia ver e ouvir o

que dizia, eram sempre os filhos dos

poderosos da aldeia; naquelas

carteiras feitas com um desenho de

construção tão diferente do mobiliário

das nossas casas; era nestes e outros

pormenores que estava o motor

motivador e aliciante de existir o

gostar em irmos para as aulas; hoje

dizem que há umas secretárias com

um desenho ergonómico que facilita

o bem estar e ajuda a proteger o corpo

de deformações, algumas já hoje

estamos a sofrer as suas consequências

cujas causas nem adivinhávamos que

fossem aquelas; é claro hoje,

com aquelas mochilas às costas,

qual carregador de saca de carvão,

de azeitona, ou de batata, passa por

sacrifícios que, vistas as coisas

simplificadamente, onde está a utilidade

de tanto papel para aprender a servir a

Comunidade, seja ela científica, ou pastoril?

Um abraço

José B. Agostinho

10-Carta a um amigo

Espero continuar a receber as notas

que começaste a enviar, e que devido

à tua falta de tempo, não te permitiu

preparar o que tínhamos agendado

para entregarmos ao nosso amigo

que, entretanto não pode

estar presente, devido a ter saído

para efectuar uma viajem durante

uns tempos, a fim de se documentar

melhor para poder efectuar os trabalhos,

para a sua tese de Mestrado, e

ao mesmo tempo, para nos dar mais

pormenores sobre os povos que visitará.

É sempre bom ter alguém que reconhecendo

o valor do contacto directo com as

Pessoas; privilégio este que deve ser

tido em conta, hoje quase um

fenómeno este modo de exercer o

conhecimento;

penso estar correcto o termo, pois o

conhecimento não é mais que um

exercício de todo um grupo de

trabalho interior, cujos reflexos estão

no comportamento espontâneo ou não,

do indivíduo; porque nos dias que correm,

a tudo recorremos para não sairmos

do cadeirão de trabalho, para não

nos levantarmos do sofá tendo mesmo

junto à cabeceira, aquela máquina,

por vezes muito barulhenta, incomodativa

que se chama telefone ou telemóvel,

que nos leva para longe e nos traz

novas destes mesmos lados; tendo por

vezes o aparelho de TV, essa máquina,

qual faca de dois gumes, que ao mesmo

tempo que nos traz tudo, o que a ciência

produz, todas as imagens, seja do

homem a caminho do espaço, seja a

observar a vida marítima, seja no

centro cirúrgico de um hospital, seja

sobre a vida selvagem com imagens

de uma beleza que só a Natureza

no-las pode dar, ou sobre outro ramo

da ciência, na realidade uma das

descobertas que nos trouxe uma

imensidão de vantagens, no encurtar

das distâncias, logo, no poupar tempo

para outras tarefas; o outro gume

traz-nos a violência mais monstruosa

e gratuita, a vilanagem mais pérfida

e mais afastada dos valores Humanos,

a chantagem, a contra-informação,

esta, tão ou mais perniciosa e devastadora

que a mentira; isto é, o sair para

viajar, com o fim de procurar

pessoas, lugares e imagens que

desconhecemos, é deveras maravilhoso

e gratificante; pois alia o fugir à rotina,

com o facto de nos trazer novos

conhecimentos, que só indo aos

locais onde o mesmo se pode usufruir,

poderemos ficar mais enriquecidos.

Um abraço

José B. Agostinho

11-Carta a um amigo

Desta missiva que segue, após a viagem

de férias, feita à cidade do Mondego,

não procuro algo mais que a tua opinião

quanto aos locais que fomos visitar;

pois como sabes há mil encantos em

cada canto daqueles becos, daquelas

vielas, daquelas ruas, daquelas casas

centenárias e monumentos que vão

desde o Gótico ao Manuelino, do

Barroco ao Renascentista; se quisermos

uma apaixonada mistura daqueles

estilos, todos eles cheios de tanta beleza,

engenho e arte; não vou falar-te dos

pormenores, além de ser um leigo, ou

melhor um eterno aluno, ou aprendiz;

tu melhor do que nós, tens tempo e

paciência quanta baste, apaixonado

por tudo quanto diga respeito ao que

de mais belo o homem construiu ao

longo dos tempos, possuidor de

uma inteligência muito viva e sempre

criativa. Não foram só os encantos de

arte presente em todos aqueles locais,

que nos deixaram uma marca de

mais um dia passado em tão boas

companhias, mais ainda também o

convívio, com Pessoas possuídas,

com carácteres tão diferentes,

personalidades que vão desde o

individual ao mais colectivo possível de agir.

É sempre nestes encontros de viagens

que percebemos melhor quanto é grande

o mistério da criação, pois ali vê-se os

mais diversos modos de gostar, de

conversar e os assuntos de interesse

que cada um estimula e traz para o diálogo.

Ali vê-se o respeito que cada um

concede aos pares que o acompanham,

que o respeito pelo colectivo está

presente neste ou naquele, que

o saber, a todos pertence. O grau de

solidariedade de cada um é visto

como a qualidade maior que podemos

desenvolver, quando em viagens de grupo;

visto que estamos todos afastados do

nosso local de residência, do nosso

ambiente familiar e quantas vezes

afastados dos iguais que falam a

nossa língua. É meritório para o

grupo aquele que teve a perspicácia

de dedicar algumas horas do seu

tempo repouso a aprender

a falar aquele ou aqueles idiomas

Queria que quando responderes ao

que interpretares acerca destes, meus

modestos apontamentos, o faças, como

te é habitual naquele teu estilo muito

frontal e cheio de um saber que

provém do esforço que para tal tens

desenvolvido ao longo da tua existência.

Um abraço

José B. Agostinho

12-Carta a um amigo

Porque é tanta preocupação com o

que acontece ao Planeta Terra?

Poderia perguntar-te; não vou escrever

a pergunta deste modo. A pergunta que

eu gostaria de fazer-te, para a qual temos

a resposta, mas não temos a terapia

para colmatar o mal que já lhe fizeram

ou que ajudámos a fazer. Decerto modo

somos cúmplices por não erguermos

a voz em uníssono de alertas para o

desaparecimento de um Mundo onde

havia tanta Vida, tanta riqueza e tanta

diversidade Fugimos da era das

Tribos, ficámos extasiados com as

descobertas que nos disseram eram

evolução natural, mentira; fugimos

de modos de viver, do ambiente

Natural, este sim, para nos prenderem

em caixotes de pedra ou construídos

com materiais desta resultantes; fomos

crescendo com desejos de uma vida,

cada vez mais artificial, com desejos

de termos uma vida mais bonita,

cor de rosa, não a das flores, mas

aquela que vem nas revistas ou jornais

aquela que é feita nos laboratórios,

aquela cujo aroma vem até nós em

embalagens de vidro e que infantilmente

é apreciada pela maioria dos Humanos;

não tendo o privilégio de ver e cheirar

aquela que é real, que só se vê nos prados,

viva, trazendo-nos até nós uma

cumplicidade de crescimento,

trazendo-nos a verdadeira vida da Tribo;

a usada pelas tribos, para se pintarem

para as batalhas, para festejarem

uma acontecimento de alegria ou

de tristeza, ou até quando atingem

a maioridade; seja nas cavernas dos

Andes, nas Grutas Africanas ou

as que em muitos países

Europeus, as mesmas aparecem.

Tribos existem hoje em dia, que

não nos trazem novas de um mundo

melhor, que não vêm ou são constituídas

a partir do habitat natural, onde

aquelas são formadas e vivem;

mas sim formadas nos apartamentos,

em condomínios ou em luxuosas vivendas,

sempre com intuitos que não vão ao

encontro das maiorias, ao encontro

dos mais fracos, mas sim para se

protegerem as classes que as compõem,

as classes que já por si, devido ao

ambiente em que nasceram, estão

acima, para grande hipocrisia,

com condições de vida que lhes permite

esbanjarem muitos dos recursos que

a outros carenciados e distribuídos

equitativamente colmataria aquelas necessidades.

Também podemos formular a pergunta

aos que nos rodeiam, e, sendo tu

Homem com tanto saber, tantos

conhecimentos pessoais, com um

dom de palavra, qual orador que não

invejasse o teu prestígio, e decerto,

ao ouvir-te e ao ouvi-los, saberias logo

o que pensam, tirarias as conclusões

porque chegam até nós as cicatrizes

do mundo em que habitamos, qual

mal incurável de que sofre? Resposta?

Nós sabemos, mas sentimo-nos impotentes.

Um abraço

José B. Agostinho

13-Carta a um amigo

Embora não estivesse à espera da

criação de mais uma Universidade no

Litoral português, acima do rio Tejo,

certo é, segundo nos disseram, já começou

a dar seus primeiros passos para receber

no próximo ano lectivo os alunos.

Universidade igual a tantas outras?

Não me parece, pelos objectivos que

estiveram na base de sua criação, ainda

que a mesma seja um local de ensino

ou estudo, que é um dos objectivos duma

universidade, como todas as outras,

se olharmos para os alunos que vão

frequentar aquele estabelecimento que

agora iniciou sua caminhada, se atendermos

à idade dos alunos que ali irão passar

muitas das horas em que o ócio seria o

mais aconselhável depois de uma vida

cheia de rotinas na grande maioria ,

se for feita uma avaliação quanto ao

passado daqueles, todos, ou quase todos,

com uma experiência de vida ligada aos

mais diversos ramos das ciências, devido

ao que fizeram ao longo dos anos em que

estiveram a trabalhar no activo, pois

que a trabalhar passarão o resto dos dias;

portanto uma experiência recolhida que

pode trazer benefícios acrescidos a

todos os elementos que a ela se irão

dirigir, para, dentro dos campos dos

vários saberes, ocuparem o tempo o

mais saudavelmente, e que se possa entender

como mente sã em corpo são, os frutos

recolhidos em cada ano que passarem

dentro das salas de aulas; assim dentro

do que se expôs, não me parece que

seja igual às Universidades ditas Clássicas

ou instaladas segundo aqueles moldes, também,

pelos métodos que vão ali ser seguidos

no seu dia a dia, será mais uma Universidade

de complemento e reforço, de aprendizagem

e de ensinança , mais do que um lugar

para cábulas ou onde a linguagem seja

a mais afastada do verdadeiro falar em

Português. O ir frequentar uma Universidade,

deveria ter como objectivo único,

o preparar-se para aprender a criar riqueza.

A riqueza do saber, do ser humilde sem

ser subserviente, do saber aprender

ensinando, do saber ser Tolerante,

Paciente, isto é, saber ser Humano;

riqueza esta cujo valor não se encontra

nos minerais, nos casinos, na banca ou em

outra actividade cuja legalidade seja ou

não discutível; a riqueza do saber

ser Humano, é dos saberes que mais

enaltecem todos os que o praticam.

Vamos dar a palavra ao Mestre.

“ São desnecessários os cursos

universitários ? – Todas as universidades

deviam empurrar o sujeito a ser autodidacta.

Deviam ter um ambiente tal que aquele

que não se instruísse por ele próprio estava mal.

Mas o que acontece é que os sujeitos

vão para ouvir o professor, decorar o

mais possível, portar-se bem na aula,

fazer uma tese, se for caso disso, e pronto,

está o caso arrumado ... e ainda por cima

saiem de lá com uma terrível ideia:

a de que estudaram para ter uma profissão ...

ora hoje, sobretudo, isso é muito perigoso

porque vamos desembocar num mundo

em que não haverá profissões ...elas só

existirão enquanto a coisa não passa a

Mundo Novo, porque quando passar ...

através da técnica ... vamos ter muitos

tempos livres ... e, realmente, a ideia

de nós todos é não termos profissão

nenhuma ... excerto do livro:

Agostinho da Silva.

Um abraço

José B. Agostinho

14-Carta a um amigo

Não sei, também ainda não souberam

dizer-me, o que se entende por “uma

causa justa”; sei, isso sim, que a maior

causa porque devemos envidar nossos

esforços, terá de ser sempre, no sentido

de obter Liberdade para tudo o que

nos rodeia, sendo essa mesma a

preparação para ir ao encontro do

Divino que habita nós. Sendo hoje

em dia assediados com frequência

para iniciativas, dos mais diversos fins,

ditos altruístas, ou por causas justas;

o nosso discernimento nem sempre

vai ao encontro do que seria mais lógico

quanto ao sentido a dar com o nosso

apoio, ainda que este deva ter sempre

por primazia a defesa dos Valores

Humanos; a Liberdade de que falámos

acima, a Fraternidade, a Tolerância;

e uma Justiça que tenha por base a

origem do réu e menos o acto ilícito

que foi cometido. São estes valores

que fortalecem o ser Humano, lhe

dão força necessária, para que uma

harmonia que se deseja permanente

seja verdadeiramente efectiva. Só o poder,

adquirido por homens que não possuam

aquelas qualidades, leva a que as injustiças,

não sejam só praticadas pelos órgãos

que são destinados a exercê-la, isto

quando há uma falha na sua aplicação,

mas também por governantes, ou

dirigentes, que subindo para além

dos limites das suas funções as

cometem igualmente. A Liberdade

está colada ao acto de Justiça, que se

exerce no nosso quotidiano; não pode

haver liberdade se não houver Justiça

em todos os nossos afazeres diários,

no nosso pensamento deverão estar

sempre presentes aquelas palavras.

Quando perguntam o que entende

por “causa justa”, será sempre um

exercício de interiorização imediata,

qual o fim ou acto que se deseja recercido

ou que se deseja não venha a ser cometido?

Igualmente se poderá perguntar,

onde estão os alicerces que foram

criados para que o muro da Paz,

da Liberdade e Justiça sejam

frequentemente abalados ao mais

pequeno temor que surja? São aqueles,

quando possuídos de uma robustez

alicerçada na Dignidade Humana,

que são o suporte de uma Harmonia global.

Vamos ouvir o que o Mestre nos diz:

“Quais são, pois, essas «bactérias»

tão perigosas, capazes de minarem

até um império? – São, hoje, perfeitamente

definidas, sendo a maior a mania do

homem mandar nos outros homens.

Esta é a «bactéria» mais perigosa.

Depois surge todo o aparelho económico

sobre o trabalho obrigatório, o que faz

de cada império uma prisão. Não se podem

consentir mais cadeias no Mundo,

seja para nós, seja para bichos, nos

jardins zoológicos, como fizemos até hoje.

Em terceiro lugar, a questão da educação.

Como havia trabalho obrigatório e

profissões, a nossa educação nunca

passou de uma preparação para um

determinado serviço. Não aprendemos

aquilo que queremos aprender, mas a matéria

dos cursos dirigidos para isto ou para aquilo.

Em quarto lugar, o facto do trabalho

obrigatório impor classes sociais,

procurando o domínio de umas sobre

as outras: cada pessoa da classe de cima

procura ser diferente da pessoa da classe de baixo.

Em último lugar, temos as crises

ideológicas e metafísicas, as quais

contribuíram, igualmente, para a

ruína dos quatros impérios que o padre

António Vieira tinha posto antes do seu.

Excerto do livro: Agostinho da Silva – Dispersos.”

Um abraço

José B. Agostinho

15-Carta a um amigo

Porque será que todos os projectos

quando iniciados, sem uma ideia

predefinida ou esboçada, os mesmos

vão aparecendo, quais ténues gotas

de água que brotam daquele nascente;

acontece o mesmo dentro de nós, assim

se processam os jogos do saber; os vários

ramos que o irão formar vão saindo

formando o puzle, que ainda há pouco

não sabíamos por onde iniciá-lo.

Esta é uma harmonia que está contida

no nosso cérebro, basta saber ouvi-la

para a mesma passar para o exterior

e dar-se o começo daquele que ao começá-lo

não suspeitávamos que viesse a

surgir tão perfeito e com todas as

características do que ambicionávamos.

Hoje é daqueles dias em que não há muita

pachorra para escrever uma linha,

e afinal terei mesmo de completar ao

que me propus; isto é: nada pode ser

adiado quando esse adiamento não está

contido na proposição que esteve na

origem da proposta feita, em que todos

os dias houvesse algo para escrever,

e esse objectivo teria de ser cumprido

para que afinal a obra chegasse ao fim,

e assim pudéssemos dar andamento ao

que soe dizer-se: plantar uma árvore,

ser pai e escrever um livro; realizações

que dão forma ao estatuto de Homem,

que se completou a si mesmo, quando

concluiu os três projectos atrás enunciados.

É claro que nem tudo o que provêm

da dita sabedoria popular pode ser

levado em conta que estão correctos

os ditados ou aforismos, deixados

por aqueles que nos antecederam.

Sabedoria Popular; que maior riqueza

existe, quando aqueles saberes,

devido há muita prática a que foram

submetidos ao longo dos tempos,

ultrapassam os conhecimentos que muitos

Académicos procuram nas suas sebentas,

nos laboratórios, ou nos livros cujo preço

ultrapassa em muito os alimentos que

aqueles, têm no seu dia-a-dia para se

alimentarem. Quantas vezes, aqueles

recorreram à sabedoria popular para

ultrapassar vários obstáculos, cujos

cálculos aplicados não deram os

resultados que viessem a satisfazer a

sua resolução. Agora fico esperando uma resposta.

Um abraço

José B. Agostinho

16-Carta a um amigo

Prudência quanta baste, tolerância

sempre em demasia, e o Amor nos

virá por acréscimo, sem esforço; já

reparaste que ao teu lado irá sempre

um Humano que precisará de Ti, e

Tu poderás vir a precisar da ajuda dele.

São os caminhos que nos foram dados

para percorrermos, aqueles, aos quais

não podemos fugir; são sempre a linha

que vai em direcção à nossa meta;

que os obstáculos que nos foram

colocados, só há um modo de os

poder ultrapassar: o nosso modo de Amar.

Amar tudo o que nos rodeia, sejam as

pedras que pisamos, sejam as aves do

espaço, as estrelas que brilham lá longe

quais gotas de um orvalho celeste,

o mendigo que pede alimentos ou o

vizinho que vive ao nosso lado e

muitas vezes nem sequer o vemos;

embora passemos muitas vezes

uns pelos outros. Esse amor que

não é fingido, hipócrita, mas sim

desinteressado e que provêm do

mais puro do que há em cada um

de Nós, este é o alimento que nos faz

ganhar força, aquela força que arrasa

as montanhas que criámos ao longo

da vida, que construímos com a maior

facilidade e sempre feitas com o menor

esforço; montanhas da indiferença,

do orgulho, da inveja e da intolerância.

São essas montanhas que ao serem

escaladas, ultrapassadas, nos conduzem

a uma serenidade na vida, a um bem-estar

entre os nossos, e não há calmante

que nos possa trazer aquele estado de bem-estar.

Poderemos percorrer os caminhos

mais lindos, mais floridos, sentados

na mesa do maior banquete, ouvir

os maiores mestres do saber, ouvir a

melhor sinfonia; mas se não houver

uma Paz interior, se não estiver

construído o muro da compreensão

e da Amizade, nada ficará dentro de nós;

o ruído feito pelas setas que estão dentro

de cada um e que ao saírem, não do arco,

mas pela nossa boca, ou devido ao

silêncio ou às nossas atitudes, deixam

aquelas cicatrizes que medicina alguma pode sarar.

Percorrendo, sempre de cabeça erguida,

sempre com um sorriso nos lábios, sempre

com um olhar de compreensão

e estímulo, os caminhos serão

os de duradouras jornadas que não

nos cansam, a fadiga não aparece ao

longo do trajecto; poderemos pedir a

Deus, que nos dê uma partida com

serenidade Divina e nos receba com a mesma

alegria. Ouçamos o que o Mestre escreveu.

“Como não há para mim filosofia sem

teodoceia ou teologia – e gostaria

bem de saber para que filósofo a há,

negue-se ou afirme-se Deus –

reflectiria eu sobretudo, se por

lá andasse, sobre se não há semente

de verdadeiro ecumenismo neste

conjunto de Povos, de que estamos

tratando, ecumenismo que vai da

ponta animista de tantos de seus

índios, africanos ou orientais, ao

cristianismo protestante, com passo

por tantos tipos de católico ou

muçulmanos ou budistas ou ateus,

próximos irmãos destes últimos.”

Agostinho da Silva – Dispersos.

Um abraço

José B. Agostinho

17-Carta a um amigo

De qualquer modo, o saber estar,

o saber ver, o saber ouvir, não podemos

olvidar estes requisitos em todas as

circunstâncias da nossa vida, seja

no ambiente familiar, seja no

caminho para o trabalho, seja no

local de trabalho ou no ambiente

social em que nos encontremos,

pois em todos aqueles onde estejamos,

estamos a influenciar e a sermos

influenciados porque fazemos parte do

Universo;

se temos um estatuto superior aos dos

que connosco estão, no momento ou não,

influenciamos mais do que somos

influenciados, de contrário, também

recebemos mais influências dos

que partilham connosco o nosso meio.

Vem isto a propósito do que se passa

nos meios de comunicação social, e,

se os mesmos forem os audiovisuais,

aqui, as mensagens que passam são

recebidas no seu todo, por uma grande

parte dos telespectadores, sejam elas

no sentido de sensibilizar as massas

para uma maior consciência cívica

ou para outra actividade; se forem

de comunicação via rádio, aqui a

influência é menor mas não deixa

de ter o seu papel, para alguns locais

é o único meio de informação que

chega a esses mesmos, longe de todas

as estradas ou vias de comunicação,

devido ao isolamento em que se encontram.

O grau de aculturamento que pode

estar subjacente nos programas, dos

meios audiovisuais, deveria ir sendo,

pouco a pouco erradicado, para bem

de uma cultura séria, para uma maior

liberdade ao nível do todo; para bem

de um modo de proceder perante o outro;

aqui, aparece a escola local onde os

mesmos efeitos se manifestam com

mais rápida interiorização; pois,

geralmente há uma preponderância

muito maior para tudo o que transgrida

as leis que nos impuseram como as

vigentes e condizentes com o nosso

modo de vida; há uma tendência para

a transgressão, devido à irreverência

que é própria da Juventude. Para tal,

tem de haver uma sensibilização

que deve estar presente em todos

os programas de todas as cadeias

de comunicação Social; se os mesmos

contiverem actos ou atitudes menos

condizentes com as boas regras de

educação, as mesmas passam e aqui

há uma assimilação muito maior por

parte de quem vê e/ou ouve o que

está a passar-se; assim, não é nada

condizente com aqueles meios, certas

atitudes que levam a incentivar todos

os que recebem aquelas mensagens

a entrar no campo da desobediência; não!

Aqui não há teias para tecer lições de

moral ou coisa parecida. Há sim

um bom senso a preservar para uma

conduta mais Harmoniosa na Sociedade

que devemos construir; há sim um sinal

de que devemos caminhar, rumando

para um processo de discernir que

devemos cultivar, indo pelos caminhos que

conduzam o ser Humano ao seu

ponto mais elevado de ter sempre o

seu irmão ou o mundo que o

rodeia como primazia; pois só com

um pensamento livre e com uma

justeza de tais procederes poderemos

ambicionar caminhos que nos

conduzam a um amor fraterno.

Ouçamos o que diz o Mestre:

“Pensaremos sempre que o melhor

mestre é a vida e que só é boa

educação a que parte do concreto

para o abstracto, a que reflui do real

ao mistério, a que se faz no quadro

do colectivo sem a menor perda de

individualidade e, por outro lado,

a que, firmando pé no mito, se não

contente senão com a precisão da matemática.

Agostinho da Silva – Dispersos.”

Um abraço.

José B. Agostinho

18-Carta a um amigo

Por ora o que inventamos não

nos deslumbra mais que o nascer do

malmequer, a flor da esteva ou uma

das minúsculas espécies que povoam

o fundo dos mares; mas fomos até

onde a grandeza Humana conseguiu

levar os seus conhecimentos

científicos; fomos até onde os limites

da aprendizagem consegue levar o

investigador na sua busca incessante

de dar a conhecer novos mundos

nos mais diversos ramos da ciência;

conhecimentos estes que vêm sendo

ampliados desde os primórdios da

constatação da presença do ser

Humano à face da terra. Se as Pinturas

rupestres são um exemplo, se a cultura

religiosa ligada ao Budismo ou Induismo

até às viagens interplanetárias que hoje

se efectuam, todos estes exemplos, são

sinal de que a evolução Humana foi

sempre uma constante, ao longo dos

tempos, com mais ou menos avanços

para trazer mais conforto, maior segurança

e estabilidade terrena. Mas como amanhã

esperamos fazer um pouco melhor que hoje,

tudo depende do Presente; aqui, no Agora,

tudo se desenvolve e se manifesta nas

suas infinitas formas; uma máquina que

governa o mundo, chamada Capital,

não tem rosto, não tem idade, nem tão

pouco conhece Pátria. Toda a vida

material ou a vida de quase todos nós

é vivida com o pensamento nos

bens materiais, sem os quais a nossa

sobrevivência, nos escraviza porque

não estamos preparados, nem tão pouco

há hipóteses de seguir uma vida de

asceta, pois o mundo tal como se nos

apresenta, está a definhar a passos

largos para nos levar a sucumbir

um após outro numa era não muito

longínqua; aquela máquina de criar o

oxigénio, fundamental para que haja

uma vida com alguma qualidade, está

a desaparecer, estão a dar-nos estradas

em vez de florestas; estão a dar-nos

grandes edifícios em vez de hortas e

pomares; estão a queimar o que

resta de uma floresta que os nossos

antepassados preservaram e nos legaram;

estão a poluir os rios e os mares com

os mais venenosos produtos que a

máquina Humana constrói; não há

regato, ou poucos existirão, que não

contenham um dos químicos que

hoje são fabricados pelas poderosas

multinacionais; no ar os aviões e as

naves que lançam para o espaço;

em terra os carburantes dos escapes

dos motores com milhões de nuvens

de gases que são lançados para o espaço;

nos mares, tanto os produzidos pela

energia nuclear com os carburetos

extraídos dos fosseis, todos eles, qual

cancro que está a contaminar o corpo,

que é o nosso Planeta, e em cada dia

constatamos mais agressividade.

Isto tudo para que, um grupo muito

pequeno, possa usufruir de todas as

comodidades, todos os luxos possíveis

e imagináveis que desejam possuir.

É neste cenário e com os argumentos

de uma vida que se quer bem vivida,

que estamos a construir o nosso túmulo.

Parar para pensar, é urgente; parar

para reiniciar outro modo de viver,

é urgente. Se o ser Humano pensar

no que é eterno, no que não se esgota

no que nos traz harmonia e paz interior,

no Divino que nos habita, decerto que

podemos iniciar uma nova era para

um mundo melhor e com melhor

qualidade de Vida, tendo como fim o regresso ao

Eterno. Esperando comentários e a aquela crítica

sempre objectiva que nos incentiva envio.

Um abraço

José B. Agostinho

19-Carta a um amigo

Dos templos de luxo que a mesma possui;

a uma vida de luxo que hoje em dia os

mais altos dignatários, altos porque

assim se intitulam, se dignam levar,

contrasta num sentido muito real com

a doutrina que Jesus Cristo deixou

aos que o seguiram. Num País onde

milhares, muitos milhares de Homens,

Mulheres e Crianças passam fome

diariamente, e sentem a falta de uma

mão amiga, de uma palavra que lhes

leve conforto; não é admissível à

Luz da Religião Católica, que se diz,

Apostólica Romana, vermos cenas

de degradação Humana, devidas ao

egoísmo, à hipocrisia e à falta de

Solidariedade que existe dentro do

que se chama território da Santa

Madre Igreja; carências que estão

a afectar tantos Portugueses e até

cidadãos que procuraram Portugal

como sua Pátria para viver. Não queremos

que seja criado um Banco, tipo Banco

Ambrosiano, mas deve ser criado um

Banco Contra a Fome. Em cada Diocese

o dinheiro que será enviado para Roma,

vir a ser canalizado para aquele Banco

Contra a Fome, e assim colmatar tanta

carência que existe. Dignidade Humana?

Será que haverá dignidade Humana

sem ter o essencial para viver?

Será dignificar o Homem, Imagem

e Semelhança de Deus, a construção

de templos de luxo, levar uma vida

faustosa, quase todos, associada a

uma prepotência que ultimamente

vêm tomando alguma parte dos que a

constituem, que faz lembrar os tempos

da Inquisição em alguns episódios recentemente vividos?

O próprio Bento XVI já veio falar numa

igreja decadente nos seus métodos, velha

nas suas teorias e no seu modo de pensar,

outrora alinhando com o poder político

que tantos males infligiram a uma

grande parte da população

portuguesa que divergia das suas ideias.

Para aqueles assuntos em que a

delicadeza tem de existir, vamos

ter o poder de aceitar tudo o que se faz.

Aceitação, é ir ao encontro da paz interior do Divino.

É claro que o que foi passado de boca

a orelha, durante os primórdios, neste

caso da vida de Jesus Cristo, tal como

aconteceu com os escritos Vedas ou

com as tábuas da Lei ou outros escritos,

de grande valor para a Humanidade,

que tiveram a mesma origem, houve

em todos eles discrepâncias de autor

para autor e assim nem tudo o que

hoje lemos que foi atribuído aquelas

entidades o poderemos considerar

como tendo sido realmente dito por eles.

Assim a faca continua com dois gumes.

Escolheremos aquele em que a

defesa da Dignidade Humana, da

Solidariedade, do Amor ao Próximo

esteja implícito na doutrina que Jesus

pregou aos seus Apóstolos. Que sejam

os Evangelhos uma prática diária

cujos Apóstolos foram espectadores

daquelas qualidades que teriam sido

o fundamento da Doutrina de Jesus

e a que esteve na origem da criação

da Igreja de Cristo. Pois em tudo o

que fizermos seja para ir ao encontro

do Divino que nos habita. Ir ao encontro do Eterno.

Aguardo uma resposta igual a tantas outras; lúcida.

Um abraço

José B. Agostinho

20-Carta a um amigo

Continua a caminhada para o abismo,

continuam a querer o que não lhes

pertence; continuam a usar como

vivência diária um tipo de violência

que nos remete para os primórdios

em que era só o Humano e o animal

da floresta a lutar pela sobrevivência

sendo sempre a lei do mais forte a impor

a sua vontade de viver; continuam a

fugir à prática de tudo o que é digno no Ser Humano.

A resposta que mais acertadamente

se pode dar a todos os acontecimentos

que no dia-a-dia assinalam o viver

num Mundo de Dor; tudo o que é

digno terá de ser suportado pelos

espíritos vencedores, pelos espíritos

que terão de fazer a sua entrega total

ao serviço do Divino, quando do Divino

se trata; pois as caminhadas feitas

pelos caminhos enfeitados com muitas

cores, daquelas cores que não estão

nos campos ou nos jardins, não serão

decerto os que nos levarão a bom porto,

não serão decerto os que nos levarão

a uma vida que seja vivida com dignidade

e que possam contribuir para um

Mundo mais justo mais fraterno e Harmonioso

em que nas desigualdades nos façamos todos mais iguais.

O pensamento do homem de hoje está,

todo ou quase todo, concentrado em

adquirir ou atingir uma vida de

posse e de mando em que as suas

responsabilidades nunca sejam postas

em causa pelos que os rodeiam; em

levar uma vida sem preocupações

sejam elas que de natureza forem;

em muitas situações agir à margem

do que é admissível e cujos actos

e pensamentos o afastam do que é o Homem.

O Homem é por natureza um animal

sociável; que foi criado e vive em

sociedade junto dos seus iguais;

o único que tem regras escritas para

seu comportamento; o que se auto-intitula

racional. Porque não procura o

Homem ir ao encontro do verdadeiro

homem: essa verdade está dentro de Ti;

“José Saramago no Ensaio Sobre a

Cegueira diz: dentro de nós há uma

coisa que não tem nome essa coisa é o que nós somos.”

Vamos procurar, essa Coisa que não

tem Nome; é o Divino; vamos iniciar

um movimento de busca das nossas

verdadeiras raízes Humanas; vamos

em busca do que é Divino e que nos

Habita, estando aí o remédio para tudo;

iniciemos a viagem procurando nela

a força que nos leva a construir

uma Vida mais adulta que nos leve a

percorrer os caminhos da Luz, do Amor e da Paz.

Vamos procura a Luz necessária,

a que possamos atingir, para que não

caminhemos iluminados pelo lucilar

da mesma, vamos procurá-la para que

o nosso andar não esteja envolto

em trevas em sombras tais que não

saibamos os caminhos que estamos

a percorrer, mas que seja uma Luz

fonte de Vida um farol que nos guie

ao longo da caminhada que vamos fazendo.

Ao Humano tudo é possível: basta

querer, mas este querer tem de estar

assente no respeito por tudo o que o

rodeia, só assim será um Homem livre,

só assim haverá liberdade e só assim

poderá ser estancada a caminhada para o abismo.

Um abraço

José B. Agostinho

21-Carta a um amigo

Demorou retomar um costume quase diário,

de passar para estas folhas o que me

vai saindo e que possa melhorar o

mundo à minha volta. Sim! Porque

não tenho, nem quero ter pretensão

alguma de querer mudar o mundo,

não há cosmética que valha, ou produto

científico que possa ser criado, que

manipule, no sentido real a vida de cada ser.

Costumo dizer que vim para ajudar a

construir algo de novo. Todos viemos

como uma Missão. Não viemos por

acaso; nada veio ou foi feito por acaso.

Pensemos na Luz. Pensemos no Ar. Pensemos na Água.

Quando se pensa ajudar alguém,

só o devemos fazer se tivermos plena

consciência de que o que irá ser feito

seja sempre em prol do maior número

de Pessoas; pois tudo o que se venha

a fazer recairá por sua vez, em prol

do Universo; tudo será, para nosso

e benefício de todos. E o bem que se

pratique, seja sempre dirigido aos

mais fracos, seja no poder de compra

ou no modo de pensar, seja na defesa

do Ambiente ou em defesa da Paz,

ou seja em criar condições para

que no Universo haja uma redistribuição

mais equilibrada de todas as suas riquezas.

Reconheço como meio ambiente,

tudo o que existe à face da Terra,

seja no sentido da palavra escrita,

ou no sentido físico do Planeta,

tudo está interligado e dependente, nada é singular.

Ontem não vi imagens que me dessem

algo de especial, ou música que me

enchesse o cérebro de ondas sonoras,

daquelas que nos fazem elevar o espírito

até às alturas do reconhecimento

musical Divino. Ontem já não existe,

existe sempre o presente; chamemos-lhe,

Agora. Assim iniciaremos um modo

diferente de ver o que nos rodeia.

Vamos ler o que diz o mestre espiritual

Eckhart Tolle. Desde os tempos mais

antigos que os mestres espirituais de

todas as tradições apontam para o

Agora como sendo a chave para a

dimensão espiritual. Não obstante,

parece que tal continua a ser um segredo.

Não é de certeza ensinado nas igrejas

nem nos templos. Se você frequentar

uma igreja, poderá ouvir leituras dos

Evangelhos tais como “Não penses

no amanhã; pois o amanhã pensará

por si próprio”, ou “Ninguém que

ponha as mãos no arado e olhe

para trás é digno do Reino de Deus”.

ou poderá ouvir a passagem sobre

os lírios do campo que não se mostram

ansiosos pelo amanhã, mas vivem à

vontade no Agora intemporal e dos

quais Deus toma conta.

A profundidade e a natureza

radical desses ensinamentos não

são reconhecidas. Ninguém parece

compreender que se destinam a ser

vividas e a proporcionar assim

uma transformação interior.”

Como atrás se diz vamos iniciar a

caminhada que nos levará à partida

do corpo, a carcaça; só o Divino que

nos habita é eterno; agora tomaremos

a decisão que acharmos mais útil para

nos despedirmos dos bens terrenos e

sermos recebidos com a alegria divina.

Um abraço

José B. Agostinho

22-Carta a um amigo

Quando alguém daqui a alguns anos

fizer um resumo do que foi a vivência

deste início de século, decerto se

interrogará para saber o que levou

os homens a usar uma violência tal,

contra o meio ambiente, contra os

animais e até contra os animais

de sua própria espécie.

Porque estamos juntando mais dor

à que já nos foi dada como dádiva

da nossa existência. Onde estiver um

Homem, há uma possibilidade de se

gerar um mundo de dor; “devemos ser

bons para tudo o que existe porque

tudo sofre de existir ”; onde o viver

tem de passar pelo saber viver. Esta

premissa, embora custe a aceitar,

tem toda a razão de seu fundamento,

uma vez que a vida, seja ela animal

ou vegetal, não é pertença de nenhum

ser humano; visto que nem fomos

consultados para saborear a Luz

do dia, ou mais acertadamente, para

nascermos e nem tivemos opção de

ter escolhido os nossos progenitores.

Voltemos séculos atrás e, veremos,

por certo, outras épocas de tanta ou

mais violência; métodos, embora

rudes mas todos tinham como fim a

sobrevivência do mais forte, luta pelo

poder, seja ele pela caverna, seja pelos

recursos naturais, pelas riquezas ou

pelo reino; actos praticados por

muitos príncipes e que os levou a

lutar contra os seus irmãos de sangue

pelo e com o motivo de obter o

poderio e a coroação de Rei.

Mas séculos passaram, e a ordem evolutiva

da espécie Humana, seria natural que

aprendesse com os erros cometidos

por aqueles; engano; o Tempo esse

grande escultor, cito Margueritey

Yourcenar, não foram apreendidos

tendo o poder; podiam ter feito

algo para mudar o rumo dos

acontecimentos que hoje vivemos;

isto é; a lição não teve alunos

brilhantes, nem mestres que propiciassem

lições de vida a gerações futuras; e os

poucos que quiserem dar testemunho

de um mundo melhor, ou, não foram

ouvidos, ou, foram espezinhados

e seus princípios foram renegados.

Pobres, ficamos mais pobres sempre

que não soubermos aproveitar,

pelo menos, o que de bom foi feito

por gerações que nos antecederam

no que se relaciona com a defesa do

Planeta. Ficamos mais pobres

quando desbaratamos energia que

poderia ter sido usada para avistarmos

a luz ao fundo do túnel; a luz da

sabedoria que nos foi legada, luz de

experiências, e saber, que dariam

seus promissores frutos para uma

continuidade evolutiva e construtiva.

Erros? Onde está o erro está uma

solução! Certo. Nem sempre aquela

é obtida pelo processo de resolução

mais prático, rectilíneo e que satisfaça,

e obedeça à doutrina existente

em teorema que nos foi dado.

As decadência que se vem acentuando

com mais nitidez a partir do início

do século XX e com maior violência

neste início de Séc. XXI. O que deveria

ser o início de uma nova vida, visto

que iniciámos um novo século, não

quiseram os governantes que têm o

poder a nível mundial que se iniciasse

e que um ciclo de vida harmonioso

a nível planetário fosse recebido,

principalmente, por aqueles cuja dor

e fome são constantes do seu dia-a-dia,

e um pouco de esperança lhes fosse dado

porque têm direito a ter uma vida com dignidade.

Estamos a assistir nos quatro

continentes a um recrudescer de

métodos, ainda não há muito

desaparecidos os seus efeitos nefastos,

cujos requintes de horror foram vividos

nos anos de 1914 a 1918 e mais tarde

entre 1939 e 1945; não esquecendo o

que se passou na antiga URSS,

nesses mesmos anos; nas duas

últimas décadas do século XX, a

Europa entrou de novo em convulsões

que deram origem a que fossem

perpetrados vários massacres de

pessoas inocentes, milhares de pessoas

tiveram de abandonar as suas casas, o

seu país e terem de ir viver para novas

terras; para por término aos conflitos

foram usados meios de destruição

de alta tecnologia e grande poder

de destruição, pois perante o terror,

só agindo com o mesmo terror os

beligerantes se renderam à evidência

da força, isto o que se passou

na zona dos Balcãs. É claro que

o desmembramento de um Império

e dos seus satélites, levou aqueles povos

subjugados e humilhados durante

muitos anos, a não entender que o

recomeçar, tal como a criança pequena

inicia seus primeiros passos sempre

devagar em equilíbrio instável até

se poder manter e caminhar no mais

perfeito dos seus movimentos, implica

um saber que só os mais idosos e com

mais experiência os podem aconselhar,

se para tal, aqueles que foram bons

alunos e cidadãos exemplares tiverem

o condão de Mestres. Mas tal não

tem acontecido. Onde há grandes

transformações sociais ou políticas,

há convulsões que fogem aos padrões

inicialmente tidos como lógicos.

Assim os conflitos generalizaram-se

entre grupos de etnias diferentes, de

religião diferente ou devido a questões

territoriais, nem sempre fáceis

de distinguir a razão do acontecido.

Mas há a palavra Esperança;

esperança num Novo Mundo; um

Mundo melhor onde haja um tecto

e uma côdea de pão para cada ser Humano.

E é tão simples; deixem de fabricar

armas, fabriquem por sua vez

arados, tractores e todos os

utensílios destinados à agricultura.

Um abraço

José B. Agostinho

23-Carta a um amigo

Hoje gostaria de falar daquele continente,

cujo tema, ainda não chegámos a

esclarecer e tanto há para dizer

acerca do mesmo. Ontem ouvi dizer

num programa da National Geographfic,

se ouvi bem, que há muitos milhões

de anos tivemos no planeta sete continentes;

hoje não sei quantos há; devido ao degelo

que se está a dar, provavelmente criar-se-ão

outros continentes; embora seja assim

perante a classificação que os homens

do saber lhes atribuem, ainda não

repararam que há aquele continente

que eles próprios transportam; sejamos

mais diligentes um pouco na busca de

encontrar motivos para que

possamos chamar-lhe assim.

Vamos percorrer esse trilho de veredas,

ruelas, avenidas e grandes lagos que o

mesmo possui; vamos chamar ao que

enfeita o exterior os jardins suspensos;

quantas variedades, qualidades e formas

de crescimento há neste conjunto; tantas,

como seres humanos que existem à

superfície do planeta; uns mais

coloridos, outros mais lisos, outros

mais curtos, ainda outros mais

compridos e mais invulgares.

Do sitio do Pavilhão do Conhecimento –

Ciência Viva; tirei o seguinte: os pêlos

têm 3 funções: isolam do calor ou do frio,

protegem a pele quando o animal se

desloca no seu meio e formam uma

espécie de “radar” (sobretudo os

pêlos da cauda e ao longo da

coluna, à semelhança dos bigodes);

se partirmos em direcção à máquina

que bombeia o sangue para todos

os circuitos, qual lago que alimenta

milhares de rios dando-lhe Vida.

Se formos para a parte que diz

respeito ao que alimenta o corpo

dando origem ao sangue para todo

o nosso organismo ali temos outro

mapa para nos orientar para uns

lugares remotos, cuja importância

em todos eles existe, claro, mas ali é

mesmo vital o seu mau funcionamento.

Obra do Divino, uma das obras

maravilhosas que o Criador nos deixou

para usufruirmos de todo um Planeta

que tão mal tratado foi que está a

ficar cansado e doente: pois assim

não aguentará muitas centenas de

anos, para assistir, quem cá estiver,

à sua destruição. Continuando a

desaparecer as espécies a um ritmo

que tem sido observado ultimamente,

terão as gerações vindouras motivos

para nos culparem por aquilo que

lhe legámos. O próprio corpo humano

e todas as espécies, ou seja tudo o

que existe no planeta virão a sofrer

modificações das mais variadas

no campo da genética.

O tal continente que acima se refere,

tal como os outros geograficamente

localizados e uma vez que se estão a

deslocar à média de dois centímetros

por ano, será o que mais virá a sofrer

com todos os desequilíbrios que se

vieram a manifestar. E a surdez de uns

a ganância de outros e a ambição

sem limites, que é apanágio em

muitos cérebros, não pára um pouco

para escutar a voz dos que estudam

o comportamento do meio em que

vivemos perante as ameaças

diárias que lhes infligem.

Pelo seu comportamento, pelo prazer

de viver e não olhando aos meios

com que o faz, pela sua atitude

perante toda uma Vida que se desejaria

saudável, mas que os procedimentos

o contradizem, asfixia-se todo um

Paraíso que o Criador pôs à nossa

disposição para uma Vida cheia de saúde,

paz e alegria. Poderemos deixar a citação:

por quem os sinos dobram.

Um abraço

José B. Agostinho

24 -Carta a um amigo

Desabafos

O respeito por mim implica que te respeite

Sê paciente, tolerante e viverás pacificamente

Se quiseres viver entre os teus escuta, depois pede

para falares Criai em mim Senhor um coração

que saiba ouvir. Só os ouvidos que não sabem

escutar conduzem ao confronto.

Não atropeles o teu semelhante seja com

palavras ou acções amanhã o inverso

poderá ser verdadeiro. Se alguém te magoar,

ignora mas não mudes teus princípios

A melhor prova de uma amizade verdadeira

é saber dizer-te que erraste.

O respeito pelo próximo não se

coaduna com a idade.

Todo o Ser por mais frágil que seja, tem

direito a ser respeitado.

Ser tolerante e paciente é a melhor

semente que podemos semear. Ao dares, espera;

sempre receberes com igual moeda.

Um abraço

José B. Agostinho

25-Carta a um amigo

A Árvore

Diz o povo que, “ de uma árvore boa

se poderão colher frutos menos bons.”

É claro que, nem todos os dizeres que vêm

de geração em geração, os devemos

considerar como sendo justa a sua aplicação

à vida prática. Indo ao encontro do

Reino Vegetal, quão surpreendente é

a natureza quanto aos seres que nos dá; quão

perfeita obra, seja ela do minúsculo insecto,

ao gigante dos mares ou ao porte grandioso

do animal da mata ou savana. Todos crescem

obedecendo à lei natural da sobrevivência;

seja os que habitam as profundezas dos oceanos,

as cavernas mais profundas ou os que

se passeiam pelos bosques e nos gélidos pólos.

Lições de vida. Lições de como sobreviver,

seja perante as condicionalidades do meio em

que nasceram, seja devido ao seu porte

ou à satisfação dos seus hábitos alimentares. Além

da formiga que amealha no verão para comer

no inverno; isto nas zonas onde e quando as

estações eram bem definidas, quanto às

temperaturas; sendo o esquilo ou serelepe, outro,

quão gracioso e habilidoso, que amealha em

épocas de fartura , para se precaver nas épocas

em que bate-lhes na toca a escassez.

Mas todos, sejam de origem vegetal ou animal,

usam o meio onde vivem preservando-o o

melhor possível, não violentando a Terra Mãe.

Lições que não foram e não estão a ser recebidas

por quem devia; o ser Humano; o animal mais

destruidor à face da terra; o que amealha para se

abastar desprezando o seu irmão, vizinho ou

companheiro, com fim último de o moldar

a seu belo prazer ou de o escravizar.

Sinal de enfraquecimento da cadeia Humana,

elos que se queriam fortes, quais peças de puzle,

que a pouco e pouco vão ficando incompletos;

braços que não abraçam; braços em que uma

grande parte são utilizados para usar as armas

mais mortíferas ou escrevendo artigos para noticiário,

com fim último de desestabilizar ou criar pânico ou ódio.

Vamos todos usar as nossas mãos,

utilizando os dedos para fazer o sinal de vitória,

para dizer um Adeus de alegria, por termos

tido a felicidade de habitar um Planeta tão lindo.

E os nossos irmãos que amanhã chegarão,

darão graças ao Divino o termos sido generosos

no preparar de sua chegada.

Prestamos uma singela homenagem àquela árvore;

a que foi feita à imagem e semelhança

do Criador, à qual chamamos Mãe.

Vamos dar as mãos em defesa de todas as árvores;

e a árvore Divina à qual todo o

Universo pertence, proteger-nos-á com sua sombra.

Um abraço

José B. Agostinho

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