> Faria Canto Magico & Sonhos (Mensagens) *Cartas a um amigo* Pagina do amigo José Barroca Agostinho 1 – Carta a um amigo Ontem falámos de crianças, vidas acabadas de nascer; vidas a começar a gostar de viver; vidas para quem o tempo não é contado, nem acham desperdício de tal. Homens e Mulheres nascidos para a vida e tendo como desafio único seu alimento para poderem suportar todas as traquinices próprias de crianças, suas corridas, seus jogos e o seu mundo próprio que os adultos por vezes não compreendem. Hoje vou falar-lhe de outras crianças que já foram meninos; diz o ditado: de velho se torna a moço. Este é daqueles dizeres populares que assenta em toda a sua plenitude na palavra escrita. Não é preciso calcorrear muitas ruas ou vielas, seja de aldeia ou cidade, para vê-los sentados à soleira de sua porta, quando não é alugada ou de um filho; olhos postos no além, puxando pela memória para se lembrarem de algo bom que tiveram ou passaram num tempo longínquo, cheios de vida vencendo todos os obstáculos, em que a maior parte previam um futuro risonho. Ou vê-los fechados quais bichos, tão Humanos e tão cheios de saber, dentro de, chamam-lhe “Casas de Repouso” ou como também lhe chamam armazém de velhos; termo repugnante, carregado de desprezo. Muitos deles voltaram a ser crianças; só que agora, o carinho de uma Mãe que os gerou, não está presente, Amor Maternal; só elas sabem quanta dor e prazer custa trazer uma Vida ao mundo; só elas sabem o que significa Amor Verdadeiro; só elas sabem quanto custa transportar uma vida no Ventre; quanto ao Pai é-lhe dado o papel de ensinar os seus primeiros passos, dar-lhe aquele apoio e aquela força moral que tanto crescimento traz às crianças. Assim aquele grupo de Homens que voltaram a ser crianças, e cujos seus descendentes, uma grande parte deles, para não os suportarem, são colocados naquelas casas, muitas delas com grades parecendo prisões; quantas delas com fachada tão bonita e acompanhadas por pessoas que praticam a Fé, quanta hipocrisia, quanta maldade é feita aqueles, muitos deles, ajudaram a construir a riqueza dos que agora os maltratam. Grupos de Pessoas com mais idade e maior nível cultural e formativo, têm criado Universidades para a dita Terceira Idade; Professores há que se disponibilizam para ensinar as suas matérias aquelas Pessoas, para quem a idade não conta, tal a vontade de viverem aprendendo, e, ao mesmo tempo, viverem felizes. Vamos preparar-nos, para termos a grandeza de sairmos com Serenidade, e sermos recebidos com a Alegria Divina. Um abraço José B. Agostinho 2 – Carta a um amigo Hoje é o dia da Mãe. Hoje é o dia do Pai. Hoje é o de d .... Como se os dias não fossem todos, de todos nós. Se cada dia é um novo dia e todos devemos partilhar a alegria de viver mais uns momentos que nos foram dados, principalmente junto de quem amamos, porque rotulam os dias, atribuindo-os a alguém que nem sequer foi consultado para tal. Ao assinalarem um dia para Mãe ou Pai, estão a tirar a grandeza que diariamente deve estar presente em nossos corações, por termos a felicidade, de vivermos juntos de quem num acto de Amor nos gerou. Não será necessário cada momento que passamos junto dos nossos progenitores, vivê-lo, festejá-lo e fazer desses momentos únicos, porque o são, momentos de amor junto de quem nos deu a vida ? Não foram umas quantas semanas que carregou connosco no seu ventre para nos trazer ao mundo, dando-nos Vida; quantas vezes com sacrifícios tais, que só elas tiveram o privilégio, sim privilégio, de suportar; quantas dores tiveram ao longo do nosso crescimento, dentro do seu ventre. Qual Árvore que dá seus frutos, assim a Mulher, é também uma Árvore de Vida. Quantas tiveram de pagar com a própria Vida para que o milagre da vida se repetisse? Quantas ficam com cicatrizes psíquicas ou físicas para toda a vida? Quantas noites sem dormir para que aquela criança, continuasse seu ritmo de crescimento, desconhecendo que alguém que a gerou lhe dá toda a Protecção e Amor? Porque festejam o dia da Mãe, do Pai ou d ... Não será um negócio a nível mundial que se aproveita, usando o nome daqueles que nos são mais queridos, para nos cativar a despender por vezes o que faz falta para outras, essas sim, necessidades prementes? Quantos biliões são gastos, naqueles dias, geralmente no mais supérfluo para o nosso dia-a-dia, e vão engordar a conta dos proprietários das grandes cadeias comerciais. Porque não criar um dia em que seja decretado em todo o Mundo o fim da violência; seja doméstica, seja entre tribos ou entre nações. Propomos que aquele dia se repita ao longo de 365 ou 366 dias. Ah! As armas, os canhões, todo o belicismo existente, precisam de ser vendidos nem que seja a um País inimigo. Porque nem todos pode ascender a ser ascetas, e porque já há poucas condições para que a prática de tal, possa ser cultivada; vivemos, sendo usados pelos mais diversos processos, e não avistamos a luz ao fundo do túnel, capaz de parar a máquina depradadora de todas as culturas; à qual chamam de progresso. Porque hoje é dia de escrever a um Amigo; hoje sim, vou festejá-lo, endereçando toda a amizade que uma carta, cujas palavras de gratidão possa transportar, estreite os laços de Amizade que nos unem. Um abraço. José B. Agostinho Há elogios que me asfixiam; isto é, como posso ir ditando da minha palavra, semente que se possa recolher, armazenar e sendo semeada, que possa vir a dar fruto? Mas como há em nós um pouco de: de médico a louco temos de tudo um pouco; ditado popular. Assim, enaltecendo a sua qualidade de saber onde existe um pensamento rectilíneo, e agradecendo-lhe o quanto é bom ler os seus comentários ao que escrevo encorajando-me a pôr em prática o que vai há muito no meu pensamento, irei dando conta do que me vai saindo, ainda que lentamente, mas com a certeza de que farei sempre o melhor que souber. Só lhe peço que me faça a crítica o mais objectiva, não perdoando, no que de errado foi cometido. Largando um olhar para um horizonte e escutando os rumores do que ouvimos, é muito difícil levar à prática o que ontem fazíamos de boa vontade. Costumo dizer: fomos filhos propriedades dos nossos Pais; hoje os filhos são máquinas de jogo. Éramos obedientes, submissos e sem direito algum como crianças; fomos preparados para saber estar junto do nosso semelhante, fosse de poucas ou muitas posses; fomos criados, muitos de nós, com o mínimo que podia dar sobrevivência; as nossas brincadeiras regra geral tinham a rua como cenário, no verão as ribeiras ou rios, no inverno a neve, mas sempre a rua como nosso local de passar o tempo. Convivíamos no dia-a-dia numa espécie de creche ou infantário, em que as/ou Educadoras/es eram os que tinham mais idade e melhor coração, ainda que a pureza de uma criança se manifesta tal como no adulto. Assim foi criada uma geração que deu Homens; o Amigo João é um exemplo; em quem devemos ter orgulho vendo a obra que está no caminho que percorreram. Apontar caminhos que invertam o que menos bem se vê no dia-a-dia; só poderá ser com a atitude, positiva pela vida, que cada um tomar em todas as acções de sua vida; vale mais uma imagem que mil palavras. Um abraço José B. Agostinho 4-Carta a um amigo Hoje vou revelar-te alguns passos que ainda não tinha contado. Isto é. Não se pode ou deve submeter o que nos pertence, a juiz, que por não estar devidamente preparado para nos avaliar, nos dê errada imagem do que havíamos declarado. Por outro lado, não é de todo prudente confiar em quem não tenhamos a nossa confiança. Ainda que por vezes, bastas vezes, se manifestem os sorrisos que nos querem dar a impressão de solidariedade amiga, este sorrir não é de todo um sinal de compreensão e ajuda no que de tal estaremos a precisar; também, não será o irmos por caminhos que sendo os mais difíceis, chegaremos mais depressa à resolução dos problemas que, havendo-os criado, terão sua resolução no mesmo quadro de dificuldades. De acordo! Claro, também não é apresentando o que nos pertence do mais íntimo e profundo do nosso Ser, que esqueceríamos o que foi feito mediante aquela caminhada; também não é divulgando que se esquece o pretérito, ou se risca da memória o que jamais pode ser apagado. Pois a tal esponja, não limpa o que existe para recordar, ela é somente uma sombra residual que está para lá da nossa mente; não existe; ou melhor; serão criadas por outros, que não querendo ser olhados com e pelo que fazem, para se sentirem, erradamente, na vertical, tentam usar o esquecimento voluntário, se houvera tal predicado ele seria uma fonte de riqueza para os dias de hoje. Mas, como só ao Divino pertence o que há dentro de nós, que foge ao mundo material, por isso ainda não foram, e jamais serão criadas as condições, dentro do quadro natural da criação humana, aquelas que disponibilizem conhecimento ou acções para controlar o espaço do nosso cérebro onde está instalada a parte que orienta o nosso conhecimento, o fixe ou o dilua por vontade própria o seu conteúdo. Ainda, por outro lado, há uma tendência, como Tu sabes, para que a degradação de tudo o que é humano, se vá tornando dia-a-dia mais patogénico, mais visível nos seus efeitos nefastos ao olhar de quem atentamente se interessa pelo mundo que o rodeia, se preocupa na defesa de valores e, uma vez desprezados , dificilmente recuperarão sua forma e vida primitivas. É verdade que uma revelação igual à que tenho para contar-te, não se enquadra naqueles contos, do “Abafa”, ou o da “Consoada,” pois eles serão sempre vivências de um tempo que não existiu a não ser na criação do Autor, e a terem existido, foram sempre mais do instinto irracional que, da natureza Humana. Também é verdade ao dizermos muitas vezes que o limite é o céu! Será verdade? O infinito aplicado nesta expressão tem o seu fundo de verdade? Também não sei. O meu pouco saber não me permite ir muito além do que aos Homens, naturalmente, lhes é concedido no reino dos saberes. Dar-te-ei a resposta em uma das minhas próximas missivas; continuo esperando novas tuas. Vive, aprecie, saboreia e medita em cada acto da tua vida; pode ser o último. Um abraço José B. Agostinho Embora tenha que dar-te razão, ainda assim, quero dizer-te que me ficou uma dúvida que gostaria de a ver tirada em uma das tuas respostas. É claro que não vou falar-te novamente naquelas conversas em que tanto tempo passamos juntos, e nem sequer demos conta desse mesmo tempo. A preocupação das horas só se manifesta se o que estivermos a falar ou a executar não for do nosso agrado. Aquele foi muito importante, um tempo que deu semente, foi um aclarar de ideias, foi uma troca de valores e uma partilha que ajudou a construir e a cimentar a nossa amizade; passamos tanto tempo sem saber da exacta dimensão do seu valor, que uma grande parte dele não o usamos da melhor maneira para que a sua utilidade nos traga algo de bom em nossos relacionamentos; afastamo-nos demais do que é útil procurando, ainda que sem noção clara onde o estamos a ocupar, passá-lo nem sempre da melhor maneira possível; o que é o melhor possível? Sei que o Agora é este momento que considero único e que estou a oferecer-te um pouco do que me pertence; também pensava dizer-te isto pessoalmente; uma partilha deve ser o comungar não só com ideias ou acções, mas com oferta do tempo que nos pertence; sem sermos senhores do mesmo sem possibilidades de alterar o percurso que nos foi traçado, mas de qualquer modo dizemos que oferecemos um pouco do nosso tempo. Há um tempo para tudo? Deve haver um tempo para tudo? Também não sei bem o significado exacto; também não tenho resposta para te dar. Sei. Isso sim. Que depois de uma juventude em que o conceito do mesmo, por vezes não é bem claro, esta troca de ideias vai a pouco e pouco, fazendo Luz devido à energia positiva que empregámos em nossos diálogos, devido à verdade que pomos em tudo o que, juntos planeamos e executamos. Quero dizer-te que vou esforçar-me para fazer deste pouco tempo que me resta, que nem sei qual a sua medida nem esta preocupação sequer existe dentro de mim, um passeio pelo que já fiz, pelo que estou a fazer e delinear uns quantos projectos para, se houver o tal tempo que penso pertencer-me, os executar na medida em que as forças me acompanhem para tal. Saberás sempre na medida do possível o ponto exacto onde me encontro. Eu sou Presença, perante Deus, que habita o meu corpo. Um abraço José B. Agostinho Quereria ser o cumpridor fiel do que a mim próprio me proponho, mas não tendo ou havendo metas e balizas que me definam os limites dos afazeres, vou seguindo, tal como fez o Mestre o seu ritmo da vida; ele será sempre aquele que a vontade existente no momento subir até mim; ajudar os outros que necessitados estarão mais do que eu; servir sempre os que não puderam ou não souberam ir mais longe em busca de um modo de viver que não lhes trouxesse arrependimento do caminho andado, sempre os que precisam de serem levantados, porque o cair, é da física elementar a acção natural mais próxima de nós, implica que terá de haver a acção contrária. Quero dizer-te que me sinto muito bem com as palavras que me mandaste, as quais, sabendo do valor das mesmas e da fonte inesgotável de saber de onde provêm, me incentivaram a que o meu rumo não fosse perturbado nestes acontecimentos dos últimos dias. Há sempre acontecimentos que nos marcam mais ou menos, mediante o impacto que provocam em nós. É concerteza dentro do quadro da Amizade que, o que nos surge de outrem tem sempre um valor e uma apreciação de caracter mais intimista, mais nos enleva ao que nos pertence; pois assim sem julgamento estamos a ser apreciados, pelo nosso trato, pelo nosso trabalho e sobretudo pela existência de um elo que foi consolidado ao longo dos anos em que travamos conhecimento e fomos trocando correspondência, esta tão em desuso, e ao usarmos de tal privilégio, privilégio porque poucos a usam actualmente, estamos a deixar escrito aquilo que realmente pensamos de nós, dos nossos que por laços familiares nos pertencem, do nosso país e do planeta em geral; motivo mais que suficiente para estarmos de bem connosco. Se a Amizade é um frasco, quero que seja do tamanho do Planeta. Há um tempo para tudo; vamos respeitar aquele tempo. Um abraço José Agostinho 7-Carta a um amigo Embora tenha estado bastante ocupado, não é meu hábito ou conforme a minha maneira de proceder deixar em atraso a correspondência que vou recebendo. Assim a tua, sempre teve, e está a ter resposta dentro dos prazos que ambos consideramos aceitáveis; este modo de contagem do tempo em horas, e não em afazeres que nos dão prazer, em actividades ditas de generosidade ou mais úteis à comunidade, visto que só dando algo de nós, nos devemos sentir melhor, não são bem aquilo de que mais aprecie para medir o tempo que tenho para viver; erradicar aquela ponta de egoísmo habitante, hóspede ou passageiro que por breves momentos foi nosso cúmplice; e se existe não é porque não se tenha feito o esforço necessário para o pôr de parte, esquecê-lo ao mesmo tempo, mas como humanos, errantes e até com uma certa teimosia que aparece, estes pequenos acidentes, por vezes involuntária outras vezes voluntariamente, não são tragédias mas levam-nos a afastar da Luz e escolher a Sombra. A luz quando nasce não é pertença de todos? O Criador não distribui por Pessoas, Materiais ou Líquidos os recursos do Universo, atribuindo-lhe um dono; não criou amos nem servos; criação perfeita, que só ao Divino pertence. Ao homem, como ser humano, lhe foi dado aquele modo de pensar que nos leva a criar as diferenças, barreiras ou muros tão compactos que hoje em dia mais parece uma epidemia; antes fosse, e daquelas que, muito simplesmente o barbeiro das nossas aldeias encontrasse na sua horta, as ervas com que tem curado tanta gente e tivesse o diagnóstico mais fácil e das curas mais rápidas igual a tantos males que tem curado.; repara que se há algo em que fazemos o melhor que soubermos, seja distribuir um sorriso, uma palavra ou um pouco de pão que seja em benefício dos que nos rodeiam, até a luz que nos tira da sombra parece ter mais brilho, até os passos dados são passadas feitas com maior segurança, até o dormir aquele sono que o meu avô nos dizia quando o meu irmão mais novo estava a dormir; ele está a dormir o sono dos justos; isso mesmo é sentimento que vem e nem nos apercebemos, tal é o encanto interior de que estamos possuídos; serão fantasias que vêm desde a infância? Serão modos de perceber o quanto é grandioso, ver os acontecimentos tão contraditórios, ver as diferenças de pensamento, sinal, ao mesmo tempo do respeito que ainda vai existindo, se lhe chamarmos tolerância, e sinal de que nem tudo vai assim tão mal como se ouve dizer. A crítica só terá razão de existir se for feita no sentido construtivo do criticado. Olhando para os acontecimentos que se passaram nestes dias que nos mantivermos afastados, olhando para os seus efeitos à escala planetária hoje chamada globalização, decerto vimos diferenças, algumas pontuais outras nem tanto, em todos os factos dos quais fomos observadores atentos. Gostaria de ler a tua opinião, de saber descrito por Ti, naquele teu jeito, tão perfeito e tão sadio de descreveres os acontecimentos, com uma linguagem tão enlevada e tão rica em elementos, que descreves tudo na maior das perfeições; não te invejo o saber escrever; o saber não se inveja; adquire-se; nasce connosco; mas como sabes vou fazendo o melhor que sei, e sempre vou aprendendo, cada dia que leio o que escreves, e assim não tenho remorsos desta minha ignorância, nos modos de ver o mundo que nos rodeia. A tua opinião como digo, traz-me sempre mais um esclarecimento, é mais um saber que vai contrariar aquele ponto que ignorava ou que tinha mal formulado. Só pelos caminhos da Luz fugirás aos abismos. Um abraço José Agostinho 8- Carta a um amigo Gostei da resposta que me mandaste acerca do perfil que traçaste para o Homem que deseja ir ao encontro do meio ambiente, que deseja conhecer o mundo Natural; o mundo do espontâneo onde está instalada a verdadeira Natureza; quando te pronuncias sobre os que desejam ir mais além, com seu saber; do que apreciar as plantas ou flores de um jardim, ou que se aborrecem e dizem impropérios quando chove, ou que não apreciam a sombra de uma árvore antes preferem o ar condicionado, ou preferem a água que sai das máquinas sujeita a uma refrigeração e rejeitam as puras e cristalinas que brotam das nascentes por onde passam, muitas vezes, desconhecendo a riqueza que desperdiçam, àqueles sim, lhes serão dadas todas as oportunidades para serem os mestres na arte de mostrar o verdadeiro valor da vida Humana; pois só poderemos ambicionar a uma vida saudável, se existir um Planeta onde os seus habitantes o conheçam e o estimem; tirem o verdadeiro prazer de nele viver não o maltratando. Assim serão os obreiros mais apreciados pelas gerações vindouras se a sua missão for cumprida, se o seu saber for levado a todos os Humanos incutindo-lhes a sua preocupação quanto às agressões que diariamente se cometem contra a Terra que pisam. São homens com saber acerca da vida na Terra, de um modo generalizado, todos os que a Amam com ou sem saber Académico, mas todos com seu empenho na defesa e protecção do meio ambiente. Se a uns lhes é pedido o saber; aos outros ser-lhe-á pedido, que continuem, cada vez mais a intensificar o seu empenho na preservação de uma vida com qualidade. Se aos que trazem o saber das Escolas, todo aquele rigor do conhecimento científico todos os nomes das plantas, mas longe de uma prática muito distante da realidade, uns e outros na partilha dos saberes darão um contributo para que um e outro se completem e sirvam para melhor dar a conhecer o mundo real que Habitamos; pois será o saber adquirido ao longo de uma vida de dedicação, de empenho na defesa do meio ambiente, muitas vezes inconscientemente sem saber, mas que está a dar amor ao pedaço de terra que pisa, que lhe dão o tal saber que não trouxeram da Faculdade; amando protegendo e colaborando para uma harmonia no meio em que vive, certo de que os conhecimentos científicos de todos os Saberes que constituem o Universo do Ambiente, e dentro deste pensamento os ramos do saber que vão desde a Zoologia até à Engenharia ligada ao campo da Alimentação, do estudo da geografia das Cidades até ao estudo dos microorganismos existente no fundo dos Mares, ou outro saber, lhe trará benefícios acrescidos aos seus que o rodeiam, visto o saber e o contacto com o mundo natural lhe trarão vantagens em relação àquele que não se esforça por largar o cadeirão de seu gabinete. Falar, hoje em dia, em meio ambiente, é ir ao encontro de tantos interesses instalados a nível planetário. Quando foram libertados uns operários que invadiram as reservas Índias na Amazónia a fim de construírem uma Barragem? Quando foi indeferido o pedido para uma refinaria, cujos parâmetros de segurança não obedeciam àqueles que são exigidos para valores aceitáveis a um ambiente, Quando foi iniciado o desmantelamento das centrais nucleares em vários países; há uma preocupação a despontar, em muitos governantes, de que para lá de uma riqueza monetária, faustosa e vivida em salões de luxo, temos o dever de proteger um Planeta chamado Terra. Um abraço José B. Agostinho Embora possa dizer-te o quanto me agrada a ideia da construção daquela Escola de Infância, porque todo o mundo devia ser um Jardim e todos os homens podiam ser Mestres e toda a nossa Vida não passa de uma aula em que o aprender está sempre presente, não foi o saber ancestral aquele que dentro do conhecimento, teve e tem na prática, o qual lhe dá uma experiência de vida, sendo esta mestra do construir; não vamos falar nas sete maravilhas que nos deixaram e que demonstram toda aquela técnica e todo o empenhamento do saber; qual ramo de engenharia teria dado aquela matéria cujos cálculos ali aplicados, deixam estupefactos os que hoje estão a seguir os seus passos? Quais os mestres que tiveram alunos tão brilhantes capazes de nos maravilhar com o que ajudaram a construir, e, quais os compêndios onde foram buscar aquele saber? Sem nostalgia, mas com muitas e boas recordações que devemos guardar, daquele tempo em que tivemos, quando crianças, como primeiro contacto com a escola, aquele edifício simples, de paredes muito largas, sem condições para enfrentar os efeitos das temperaturas, provocados pelas diferentes condições climatéricas, proveniente daquelas serras que circundavam a nossa escola; éramos três, e às vezes quatro, muito arrumadinhos, pois era sempre a professora que nos impunha o lugar onde devíamos ficar; quantas vezes à frente e em lugares mais perto dela e onde melhor se podia ver e ouvir o que dizia, eram sempre os filhos dos poderosos da aldeia; naquelas carteiras feitas com um desenho de construção tão diferente do mobiliário das nossas casas; era nestes e outros pormenores que estava o motor motivador e aliciante de existir o gostar em irmos para as aulas; hoje dizem que há umas secretárias com um desenho ergonómico que facilita o bem estar e ajuda a proteger o corpo de deformações, algumas já hoje estamos a sofrer as suas consequências cujas causas nem adivinhávamos que fossem aquelas; é claro hoje, com aquelas mochilas às costas, qual carregador de saca de carvão, de azeitona, ou de batata, passa por sacrifícios que, vistas as coisas simplificadamente, onde está a utilidade de tanto papel para aprender a servir a Comunidade, seja ela científica, ou pastoril? Um abraço José B. Agostinho Espero continuar a receber as notas que começaste a enviar, e que devido à tua falta de tempo, não te permitiu preparar o que tínhamos agendado para entregarmos ao nosso amigo que, entretanto não pode estar presente, devido a ter saído para efectuar uma viajem durante uns tempos, a fim de se documentar melhor para poder efectuar os trabalhos, para a sua tese de Mestrado, e ao mesmo tempo, para nos dar mais pormenores sobre os povos que visitará. É sempre bom ter alguém que reconhecendo o valor do contacto directo com as Pessoas; privilégio este que deve ser tido em conta, hoje quase um fenómeno este modo de exercer o conhecimento; penso estar correcto o termo, pois o conhecimento não é mais que um exercício de todo um grupo de trabalho interior, cujos reflexos estão no comportamento espontâneo ou não, do indivíduo; porque nos dias que correm, a tudo recorremos para não sairmos do cadeirão de trabalho, para não nos levantarmos do sofá tendo mesmo junto à cabeceira, aquela máquina, por vezes muito barulhenta, incomodativa que se chama telefone ou telemóvel, que nos leva para longe e nos traz novas destes mesmos lados; tendo por vezes o aparelho de TV, essa máquina, qual faca de dois gumes, que ao mesmo tempo que nos traz tudo, o que a ciência produz, todas as imagens, seja do homem a caminho do espaço, seja a observar a vida marítima, seja no centro cirúrgico de um hospital, seja sobre a vida selvagem com imagens de uma beleza que só a Natureza no-las pode dar, ou sobre outro ramo da ciência, na realidade uma das descobertas que nos trouxe uma imensidão de vantagens, no encurtar das distâncias, logo, no poupar tempo para outras tarefas; o outro gume traz-nos a violência mais monstruosa e gratuita, a vilanagem mais pérfida e mais afastada dos valores Humanos, a chantagem, a contra-informação, esta, tão ou mais perniciosa e devastadora que a mentira; isto é, o sair para viajar, com o fim de procurar pessoas, lugares e imagens que desconhecemos, é deveras maravilhoso e gratificante; pois alia o fugir à rotina, com o facto de nos trazer novos conhecimentos, que só indo aos locais onde o mesmo se pode usufruir, poderemos ficar mais enriquecidos. Um abraço José B. Agostinho Desta missiva que segue, após a viagem de férias, feita à cidade do Mondego, não procuro algo mais que a tua opinião quanto aos locais que fomos visitar; pois como sabes há mil encantos em cada canto daqueles becos, daquelas vielas, daquelas ruas, daquelas casas centenárias e monumentos que vão desde o Gótico ao Manuelino, do Barroco ao Renascentista; se quisermos uma apaixonada mistura daqueles estilos, todos eles cheios de tanta beleza, engenho e arte; não vou falar-te dos pormenores, além de ser um leigo, ou melhor um eterno aluno, ou aprendiz; tu melhor do que nós, tens tempo e paciência quanta baste, apaixonado por tudo quanto diga respeito ao que de mais belo o homem construiu ao longo dos tempos, possuidor de uma inteligência muito viva e sempre criativa. Não foram só os encantos de arte presente em todos aqueles locais, que nos deixaram uma marca de mais um dia passado em tão boas companhias, mais ainda também o convívio, com Pessoas possuídas, com carácteres tão diferentes, personalidades que vão desde o individual ao mais colectivo possível de agir. É sempre nestes encontros de viagens que percebemos melhor quanto é grande o mistério da criação, pois ali vê-se os mais diversos modos de gostar, de conversar e os assuntos de interesse que cada um estimula e traz para o diálogo. Ali vê-se o respeito que cada um concede aos pares que o acompanham, que o respeito pelo colectivo está presente neste ou naquele, que o saber, a todos pertence. O grau de solidariedade de cada um é visto como a qualidade maior que podemos desenvolver, quando em viagens de grupo; visto que estamos todos afastados do nosso local de residência, do nosso ambiente familiar e quantas vezes afastados dos iguais que falam a nossa língua. É meritório para o grupo aquele que teve a perspicácia de dedicar algumas horas do seu tempo repouso a aprender a falar aquele ou aqueles idiomas Queria que quando responderes ao que interpretares acerca destes, meus modestos apontamentos, o faças, como te é habitual naquele teu estilo muito frontal e cheio de um saber que provém do esforço que para tal tens desenvolvido ao longo da tua existência. Um abraço José B. Agostinho Porque é tanta preocupação com o que acontece ao Planeta Terra? Poderia perguntar-te; não vou escrever a pergunta deste modo. A pergunta que eu gostaria de fazer-te, para a qual temos a resposta, mas não temos a terapia para colmatar o mal que já lhe fizeram ou que ajudámos a fazer. Decerto modo somos cúmplices por não erguermos a voz em uníssono de alertas para o desaparecimento de um Mundo onde havia tanta Vida, tanta riqueza e tanta diversidade Fugimos da era das Tribos, ficámos extasiados com as descobertas que nos disseram eram evolução natural, mentira; fugimos de modos de viver, do ambiente Natural, este sim, para nos prenderem em caixotes de pedra ou construídos com materiais desta resultantes; fomos crescendo com desejos de uma vida, cada vez mais artificial, com desejos de termos uma vida mais bonita, cor de rosa, não a das flores, mas aquela que vem nas revistas ou jornais aquela que é feita nos laboratórios, aquela cujo aroma vem até nós em embalagens de vidro e que infantilmente é apreciada pela maioria dos Humanos; não tendo o privilégio de ver e cheirar aquela que é real, que só se vê nos prados, viva, trazendo-nos até nós uma cumplicidade de crescimento, trazendo-nos a verdadeira vida da Tribo; a usada pelas tribos, para se pintarem para as batalhas, para festejarem uma acontecimento de alegria ou de tristeza, ou até quando atingem a maioridade; seja nas cavernas dos Andes, nas Grutas Africanas ou as que em muitos países Europeus, as mesmas aparecem. Tribos existem hoje em dia, que não nos trazem novas de um mundo melhor, que não vêm ou são constituídas a partir do habitat natural, onde aquelas são formadas e vivem; mas sim formadas nos apartamentos, em condomínios ou em luxuosas vivendas, sempre com intuitos que não vão ao encontro das maiorias, ao encontro dos mais fracos, mas sim para se protegerem as classes que as compõem, as classes que já por si, devido ao ambiente em que nasceram, estão acima, para grande hipocrisia, com condições de vida que lhes permite esbanjarem muitos dos recursos que a outros carenciados e distribuídos equitativamente colmataria aquelas necessidades. Também podemos formular a pergunta aos que nos rodeiam, e, sendo tu Homem com tanto saber, tantos conhecimentos pessoais, com um dom de palavra, qual orador que não invejasse o teu prestígio, e decerto, ao ouvir-te e ao ouvi-los, saberias logo o que pensam, tirarias as conclusões porque chegam até nós as cicatrizes do mundo em que habitamos, qual mal incurável de que sofre? Resposta? Nós sabemos, mas sentimo-nos impotentes. Um abraço José B. Agostinho Embora não estivesse à espera da criação de mais uma Universidade no Litoral português, acima do rio Tejo, certo é, segundo nos disseram, já começou a dar seus primeiros passos para receber no próximo ano lectivo os alunos. Universidade igual a tantas outras? Não me parece, pelos objectivos que estiveram na base de sua criação, ainda que a mesma seja um local de ensino ou estudo, que é um dos objectivos duma universidade, como todas as outras, se olharmos para os alunos que vão frequentar aquele estabelecimento que agora iniciou sua caminhada, se atendermos à idade dos alunos que ali irão passar muitas das horas em que o ócio seria o mais aconselhável depois de uma vida cheia de rotinas na grande maioria , se for feita uma avaliação quanto ao passado daqueles, todos, ou quase todos, com uma experiência de vida ligada aos mais diversos ramos das ciências, devido ao que fizeram ao longo dos anos em que estiveram a trabalhar no activo, pois que a trabalhar passarão o resto dos dias; portanto uma experiência recolhida que pode trazer benefícios acrescidos a todos os elementos que a ela se irão dirigir, para, dentro dos campos dos vários saberes, ocuparem o tempo o mais saudavelmente, e que se possa entender como mente sã em corpo são, os frutos recolhidos em cada ano que passarem dentro das salas de aulas; assim dentro do que se expôs, não me parece que seja igual às Universidades ditas Clássicas ou instaladas segundo aqueles moldes, também, pelos métodos que vão ali ser seguidos no seu dia a dia, será mais uma Universidade de complemento e reforço, de aprendizagem e de ensinança , mais do que um lugar para cábulas ou onde a linguagem seja a mais afastada do verdadeiro falar em Português. O ir frequentar uma Universidade, deveria ter como objectivo único, o preparar-se para aprender a criar riqueza. A riqueza do saber, do ser humilde sem ser subserviente, do saber aprender ensinando, do saber ser Tolerante, Paciente, isto é, saber ser Humano; riqueza esta cujo valor não se encontra nos minerais, nos casinos, na banca ou em outra actividade cuja legalidade seja ou não discutível; a riqueza do saber ser Humano, é dos saberes que mais enaltecem todos os que o praticam. Vamos dar a palavra ao Mestre. “ São desnecessários os cursos universitários ? – Todas as universidades deviam empurrar o sujeito a ser autodidacta. Deviam ter um ambiente tal que aquele que não se instruísse por ele próprio estava mal. Mas o que acontece é que os sujeitos vão para ouvir o professor, decorar o mais possível, portar-se bem na aula, fazer uma tese, se for caso disso, e pronto, está o caso arrumado ... e ainda por cima saiem de lá com uma terrível ideia: a de que estudaram para ter uma profissão ... ora hoje, sobretudo, isso é muito perigoso porque vamos desembocar num mundo em que não haverá profissões ...elas só existirão enquanto a coisa não passa a Mundo Novo, porque quando passar ... através da técnica ... vamos ter muitos tempos livres ... e, realmente, a ideia de nós todos é não termos profissão nenhuma ... excerto do livro: Agostinho da Silva. Um abraço José B. Agostinho 14-Carta a um amigo Não sei, também ainda não souberam dizer-me, o que se entende por “uma causa justa”; sei, isso sim, que a maior causa porque devemos envidar nossos esforços, terá de ser sempre, no sentido de obter Liberdade para tudo o que nos rodeia, sendo essa mesma a preparação para ir ao encontro do Divino que habita nós. Sendo hoje em dia assediados com frequência para iniciativas, dos mais diversos fins, ditos altruístas, ou por causas justas; o nosso discernimento nem sempre vai ao encontro do que seria mais lógico quanto ao sentido a dar com o nosso apoio, ainda que este deva ter sempre por primazia a defesa dos Valores Humanos; a Liberdade de que falámos acima, a Fraternidade, a Tolerância; e uma Justiça que tenha por base a origem do réu e menos o acto ilícito que foi cometido. São estes valores que fortalecem o ser Humano, lhe dão força necessária, para que uma harmonia que se deseja permanente seja verdadeiramente efectiva. Só o poder, adquirido por homens que não possuam aquelas qualidades, leva a que as injustiças, não sejam só praticadas pelos órgãos que são destinados a exercê-la, isto quando há uma falha na sua aplicação, mas também por governantes, ou dirigentes, que subindo para além dos limites das suas funções as cometem igualmente. A Liberdade está colada ao acto de Justiça, que se exerce no nosso quotidiano; não pode haver liberdade se não houver Justiça em todos os nossos afazeres diários, no nosso pensamento deverão estar sempre presentes aquelas palavras. Quando perguntam o que entende por “causa justa”, será sempre um exercício de interiorização imediata, qual o fim ou acto que se deseja recercido ou que se deseja não venha a ser cometido? Igualmente se poderá perguntar, onde estão os alicerces que foram criados para que o muro da Paz, da Liberdade e Justiça sejam frequentemente abalados ao mais pequeno temor que surja? São aqueles, quando possuídos de uma robustez alicerçada na Dignidade Humana, que são o suporte de uma Harmonia global. Vamos ouvir o que o Mestre nos diz: “Quais são, pois, essas «bactérias» tão perigosas, capazes de minarem até um império? – São, hoje, perfeitamente definidas, sendo a maior a mania do homem mandar nos outros homens. Esta é a «bactéria» mais perigosa. Depois surge todo o aparelho económico sobre o trabalho obrigatório, o que faz de cada império uma prisão. Não se podem consentir mais cadeias no Mundo, seja para nós, seja para bichos, nos jardins zoológicos, como fizemos até hoje. Em terceiro lugar, a questão da educação. Como havia trabalho obrigatório e profissões, a nossa educação nunca passou de uma preparação para um determinado serviço. Não aprendemos aquilo que queremos aprender, mas a matéria dos cursos dirigidos para isto ou para aquilo. Em quarto lugar, o facto do trabalho obrigatório impor classes sociais, procurando o domínio de umas sobre as outras: cada pessoa da classe de cima procura ser diferente da pessoa da classe de baixo. Em último lugar, temos as crises ideológicas e metafísicas, as quais contribuíram, igualmente, para a ruína dos quatros impérios que o padre António Vieira tinha posto antes do seu. Excerto do livro: Agostinho da Silva – Dispersos.” Um abraço José B. Agostinho 15-Carta a um amigo Porque será que todos os projectos quando iniciados, sem uma ideia predefinida ou esboçada, os mesmos vão aparecendo, quais ténues gotas de água que brotam daquele nascente; acontece o mesmo dentro de nós, assim se processam os jogos do saber; os vários ramos que o irão formar vão saindo formando o puzle, que ainda há pouco não sabíamos por onde iniciá-lo. Esta é uma harmonia que está contida no nosso cérebro, basta saber ouvi-la para a mesma passar para o exterior e dar-se o começo daquele que ao começá-lo não suspeitávamos que viesse a surgir tão perfeito e com todas as características do que ambicionávamos. Hoje é daqueles dias em que não há muita pachorra para escrever uma linha, e afinal terei mesmo de completar ao que me propus; isto é: nada pode ser adiado quando esse adiamento não está contido na proposição que esteve na origem da proposta feita, em que todos os dias houvesse algo para escrever, e esse objectivo teria de ser cumprido para que afinal a obra chegasse ao fim, e assim pudéssemos dar andamento ao que soe dizer-se: plantar uma árvore, ser pai e escrever um livro; realizações que dão forma ao estatuto de Homem, que se completou a si mesmo, quando concluiu os três projectos atrás enunciados. É claro que nem tudo o que provêm da dita sabedoria popular pode ser levado em conta que estão correctos os ditados ou aforismos, deixados por aqueles que nos antecederam. Sabedoria Popular; que maior riqueza existe, quando aqueles saberes, devido há muita prática a que foram submetidos ao longo dos tempos, ultrapassam os conhecimentos que muitos Académicos procuram nas suas sebentas, nos laboratórios, ou nos livros cujo preço ultrapassa em muito os alimentos que aqueles, têm no seu dia-a-dia para se alimentarem. Quantas vezes, aqueles recorreram à sabedoria popular para ultrapassar vários obstáculos, cujos cálculos aplicados não deram os resultados que viessem a satisfazer a sua resolução. Agora fico esperando uma resposta. Um abraço Prudência quanta baste, tolerância sempre em demasia, e o Amor nos virá por acréscimo, sem esforço; já reparaste que ao teu lado irá sempre um Humano que precisará de Ti, e Tu poderás vir a precisar da ajuda dele. São os caminhos que nos foram dados para percorrermos, aqueles, aos quais não podemos fugir; são sempre a linha que vai em direcção à nossa meta; que os obstáculos que nos foram colocados, só há um modo de os poder ultrapassar: o nosso modo de Amar. Amar tudo o que nos rodeia, sejam as pedras que pisamos, sejam as aves do espaço, as estrelas que brilham lá longe quais gotas de um orvalho celeste, o mendigo que pede alimentos ou o vizinho que vive ao nosso lado e muitas vezes nem sequer o vemos; embora passemos muitas vezes uns pelos outros. Esse amor que não é fingido, hipócrita, mas sim desinteressado e que provêm do mais puro do que há em cada um de Nós, este é o alimento que nos faz ganhar força, aquela força que arrasa as montanhas que criámos ao longo da vida, que construímos com a maior facilidade e sempre feitas com o menor esforço; montanhas da indiferença, do orgulho, da inveja e da intolerância. São essas montanhas que ao serem escaladas, ultrapassadas, nos conduzem a uma serenidade na vida, a um bem-estar entre os nossos, e não há calmante que nos possa trazer aquele estado de bem-estar. Poderemos percorrer os caminhos mais lindos, mais floridos, sentados na mesa do maior banquete, ouvir os maiores mestres do saber, ouvir a melhor sinfonia; mas se não houver uma Paz interior, se não estiver construído o muro da compreensão e da Amizade, nada ficará dentro de nós; o ruído feito pelas setas que estão dentro de cada um e que ao saírem, não do arco, mas pela nossa boca, ou devido ao silêncio ou às nossas atitudes, deixam aquelas cicatrizes que medicina alguma pode sarar. Percorrendo, sempre de cabeça erguida, sempre com um sorriso nos lábios, sempre com um olhar de compreensão e estímulo, os caminhos serão os de duradouras jornadas que não nos cansam, a fadiga não aparece ao longo do trajecto; poderemos pedir a Deus, que nos dê uma partida com serenidade Divina e nos receba com a mesma alegria. Ouçamos o que o Mestre escreveu. “Como não há para mim filosofia sem teodoceia ou teologia – e gostaria bem de saber para que filósofo a há, negue-se ou afirme-se Deus – reflectiria eu sobretudo, se por lá andasse, sobre se não há semente de verdadeiro ecumenismo neste conjunto de Povos, de que estamos tratando, ecumenismo que vai da ponta animista de tantos de seus índios, africanos ou orientais, ao cristianismo protestante, com passo por tantos tipos de católico ou muçulmanos ou budistas ou ateus, próximos irmãos destes últimos.” Agostinho da Silva – Dispersos. Um abraço José B. Agostinho 17-Carta a um amigo De qualquer modo, o saber estar, o saber ver, o saber ouvir, não podemos olvidar estes requisitos em todas as circunstâncias da nossa vida, seja no ambiente familiar, seja no caminho para o trabalho, seja no local de trabalho ou no ambiente social em que nos encontremos, pois em todos aqueles onde estejamos, estamos a influenciar e a sermos influenciados porque fazemos parte do Universo; se temos um estatuto superior aos dos que connosco estão, no momento ou não, influenciamos mais do que somos influenciados, de contrário, também recebemos mais influências dos que partilham connosco o nosso meio. Vem isto a propósito do que se passa nos meios de comunicação social, e, se os mesmos forem os audiovisuais, aqui, as mensagens que passam são recebidas no seu todo, por uma grande parte dos telespectadores, sejam elas no sentido de sensibilizar as massas para uma maior consciência cívica ou para outra actividade; se forem de comunicação via rádio, aqui a influência é menor mas não deixa de ter o seu papel, para alguns locais é o único meio de informação que chega a esses mesmos, longe de todas as estradas ou vias de comunicação, devido ao isolamento em que se encontram. O grau de aculturamento que pode estar subjacente nos programas, dos meios audiovisuais, deveria ir sendo, pouco a pouco erradicado, para bem de uma cultura séria, para uma maior liberdade ao nível do todo; para bem de um modo de proceder perante o outro; aqui, aparece a escola local onde os mesmos efeitos se manifestam com mais rápida interiorização; pois, geralmente há uma preponderância muito maior para tudo o que transgrida as leis que nos impuseram como as vigentes e condizentes com o nosso modo de vida; há uma tendência para a transgressão, devido à irreverência que é própria da Juventude. Para tal, tem de haver uma sensibilização que deve estar presente em todos os programas de todas as cadeias de comunicação Social; se os mesmos contiverem actos ou atitudes menos condizentes com as boas regras de educação, as mesmas passam e aqui há uma assimilação muito maior por parte de quem vê e/ou ouve o que está a passar-se; assim, não é nada condizente com aqueles meios, certas atitudes que levam a incentivar todos os que recebem aquelas mensagens a entrar no campo da desobediência; não! Aqui não há teias para tecer lições de moral ou coisa parecida. Há sim um bom senso a preservar para uma conduta mais Harmoniosa na Sociedade que devemos construir; há sim um sinal de que devemos caminhar, rumando para um processo de discernir que devemos cultivar, indo pelos caminhos que conduzam o ser Humano ao seu ponto mais elevado de ter sempre o seu irmão ou o mundo que o rodeia como primazia; pois só com um pensamento livre e com uma justeza de tais procederes poderemos ambicionar caminhos que nos conduzam a um amor fraterno. Ouçamos o que diz o Mestre: “Pensaremos sempre que o melhor mestre é a vida e que só é boa educação a que parte do concreto para o abstracto, a que reflui do real ao mistério, a que se faz no quadro do colectivo sem a menor perda de individualidade e, por outro lado, a que, firmando pé no mito, se não contente senão com a precisão da matemática. Agostinho da Silva – Dispersos.” Um abraço. José B. Agostinho Por ora o que inventamos não nos deslumbra mais que o nascer do malmequer, a flor da esteva ou uma das minúsculas espécies que povoam o fundo dos mares; mas fomos até onde a grandeza Humana conseguiu levar os seus conhecimentos científicos; fomos até onde os limites da aprendizagem consegue levar o investigador na sua busca incessante de dar a conhecer novos mundos nos mais diversos ramos da ciência; conhecimentos estes que vêm sendo ampliados desde os primórdios da constatação da presença do ser Humano à face da terra. Se as Pinturas rupestres são um exemplo, se a cultura religiosa ligada ao Budismo ou Induismo até às viagens interplanetárias que hoje se efectuam, todos estes exemplos, são sinal de que a evolução Humana foi sempre uma constante, ao longo dos tempos, com mais ou menos avanços para trazer mais conforto, maior segurança e estabilidade terrena. Mas como amanhã esperamos fazer um pouco melhor que hoje, tudo depende do Presente; aqui, no Agora, tudo se desenvolve e se manifesta nas suas infinitas formas; uma máquina que governa o mundo, chamada Capital, não tem rosto, não tem idade, nem tão pouco conhece Pátria. Toda a vida material ou a vida de quase todos nós é vivida com o pensamento nos bens materiais, sem os quais a nossa sobrevivência, nos escraviza porque não estamos preparados, nem tão pouco há hipóteses de seguir uma vida de asceta, pois o mundo tal como se nos apresenta, está a definhar a passos largos para nos levar a sucumbir um após outro numa era não muito longínqua; aquela máquina de criar o oxigénio, fundamental para que haja uma vida com alguma qualidade, está a desaparecer, estão a dar-nos estradas em vez de florestas; estão a dar-nos grandes edifícios em vez de hortas e pomares; estão a queimar o que resta de uma floresta que os nossos antepassados preservaram e nos legaram; estão a poluir os rios e os mares com os mais venenosos produtos que a máquina Humana constrói; não há regato, ou poucos existirão, que não contenham um dos químicos que hoje são fabricados pelas poderosas multinacionais; no ar os aviões e as naves que lançam para o espaço; em terra os carburantes dos escapes dos motores com milhões de nuvens de gases que são lançados para o espaço; nos mares, tanto os produzidos pela energia nuclear com os carburetos extraídos dos fosseis, todos eles, qual cancro que está a contaminar o corpo, que é o nosso Planeta,
e em cada dia constatamos mais agressividade. Isto tudo para que, um grupo muito pequeno, possa usufruir de todas as comodidades, todos os luxos possíveis e imagináveis que desejam possuir. É neste cenário e com os argumentos de uma vida que se quer bem vivida, que estamos a construir o nosso túmulo. Parar para pensar, é urgente; parar para reiniciar outro modo de viver, é urgente. Se o ser Humano pensar no que é eterno, no que não se esgota no que nos traz harmonia e paz interior, no Divino que nos habita, decerto que podemos iniciar uma nova era para um mundo melhor e com melhor qualidade de Vida, tendo como fim o regresso ao Eterno. Esperando comentários e a aquela crítica sempre objectiva que nos incentiva envio. Um abraço José B. Agostinho Dos templos de luxo que a mesma possui; a uma vida de luxo que hoje em dia os mais altos dignatários, altos porque assim se intitulam, se dignam levar, contrasta num sentido muito real com a doutrina que Jesus Cristo deixou aos que o seguiram. Num País onde milhares, muitos milhares de Homens, Mulheres e Crianças passam fome diariamente, e sentem a falta de uma mão amiga, de uma palavra que lhes leve conforto; não é admissível à Luz da Religião Católica, que se diz, Apostólica Romana, vermos cenas de degradação Humana, devidas ao egoísmo, à hipocrisia e à falta de Solidariedade que existe dentro do que se chama território da Santa Madre Igreja; carências que estão a afectar tantos Portugueses e até cidadãos que procuraram Portugal como sua Pátria para viver. Não queremos que seja criado um Banco, tipo Banco Ambrosiano, mas deve ser criado um Banco Contra a Fome. Em cada Diocese o dinheiro que será enviado para Roma, vir a ser canalizado para aquele Banco Contra a Fome, e assim colmatar tanta carência que existe. Dignidade Humana? Será que haverá dignidade Humana sem ter o essencial para viver? Será dignificar o Homem, Imagem e Semelhança de Deus, a construção de templos de luxo, levar uma vida faustosa, quase todos, associada a uma prepotência que ultimamente vêm tomando alguma parte dos que a constituem, que faz lembrar os tempos da Inquisição em alguns episódios recentemente vividos? O próprio Bento XVI já veio falar numa igreja decadente nos seus métodos, velha nas suas teorias e no seu modo de pensar, outrora alinhando com o poder político que tantos males infligiram a uma grande parte da população portuguesa que divergia das suas ideias. Para aqueles assuntos em que a delicadeza tem de existir, vamos ter o poder de aceitar tudo o que se faz. Aceitação, é ir ao encontro da paz interior do Divino. É claro que o que foi passado de boca a orelha, durante os primórdios, neste caso da vida de Jesus Cristo, tal como aconteceu com os escritos Vedas ou com as tábuas da Lei ou outros escritos, de grande valor para a Humanidade, que tiveram a mesma origem, houve em todos eles discrepâncias de autor para autor e assim nem tudo o que hoje lemos que foi atribuído aquelas entidades o poderemos considerar como tendo sido realmente dito por eles. Assim a faca continua com dois gumes. Escolheremos aquele em que a defesa da Dignidade Humana, da Solidariedade, do Amor ao Próximo esteja implícito na doutrina que Jesus pregou aos seus Apóstolos. Que sejam os Evangelhos uma prática diária cujos Apóstolos foram espectadores daquelas qualidades que teriam sido o fundamento da Doutrina de Jesus e a que esteve na origem da criação da Igreja de Cristo. Pois em tudo o que fizermos seja para ir ao encontro do Divino que nos habita. Ir ao encontro do Eterno. Aguardo uma resposta igual a tantas outras; lúcida. Um abraço José B. Agostinho Continua a caminhada para o abismo, continuam a querer o que não lhes pertence; continuam a usar como vivência diária um tipo de violência que nos remete para os primórdios em que era só o Humano e o animal da floresta a lutar pela sobrevivência sendo sempre a lei do mais forte a impor a sua vontade de viver; continuam a fugir à prática de tudo o que é digno no Ser Humano. A resposta que mais acertadamente se pode dar a todos os acontecimentos que no dia-a-dia assinalam o viver num Mundo de Dor; tudo o que é digno terá de ser suportado pelos espíritos vencedores, pelos espíritos que terão de fazer a sua entrega total ao serviço do Divino, quando do Divino se trata; pois as caminhadas feitas pelos caminhos enfeitados com muitas cores, daquelas cores que não estão nos campos ou nos jardins, não serão decerto os que nos levarão a bom porto, não serão decerto os que nos levarão a uma vida que seja vivida com dignidade e que possam contribuir para um Mundo mais justo mais fraterno e Harmonioso em que nas desigualdades nos façamos todos mais iguais. O pensamento do homem de hoje está, todo ou quase todo, concentrado em adquirir ou atingir uma vida de posse e de mando em que as suas responsabilidades nunca sejam postas em causa pelos que os rodeiam; em levar uma vida sem preocupações sejam elas que de natureza forem; em muitas situações agir à margem do que é admissível e cujos actos e pensamentos o afastam do que é o Homem. O Homem é por natureza um animal sociável; que foi criado e vive em sociedade junto dos seus iguais; o único que tem regras escritas para seu comportamento; o que se auto-intitula racional. Porque não procura o Homem ir ao encontro do verdadeiro homem: essa verdade está dentro de Ti; “José Saramago no Ensaio Sobre a Cegueira diz: dentro de nós há uma coisa que não tem nome essa coisa é o que nós somos.” Vamos procurar, essa Coisa que não tem Nome; é o Divino; vamos iniciar um movimento de busca das nossas verdadeiras raízes Humanas; vamos em busca do que é Divino e que nos Habita, estando aí o remédio para tudo; iniciemos a viagem procurando nela a força que nos leva a construir uma Vida mais adulta que nos leve a percorrer os caminhos da Luz, do Amor e da Paz. Vamos procura a Luz necessária, a que possamos atingir, para que não caminhemos iluminados pelo lucilar da mesma, vamos procurá-la para que o nosso andar não esteja envolto em trevas em sombras tais que não saibamos os caminhos que estamos a percorrer, mas que seja uma Luz fonte de Vida um farol que nos guie ao longo da caminhada que vamos fazendo. Ao Humano tudo é possível: basta querer, mas este querer tem de estar assente no respeito por tudo o que o rodeia, só assim será um Homem livre, só assim haverá liberdade e só assim poderá ser estancada a caminhada para o abismo. Um abraço José B. Agostinho Demorou retomar um costume quase diário, de passar para estas folhas o que me vai saindo e que possa melhorar o mundo à minha volta. Sim! Porque não tenho, nem quero ter pretensão alguma de querer mudar o mundo, não há cosmética que valha, ou produto científico que possa ser criado, que manipule, no sentido real a vida de cada ser. Costumo dizer que vim para ajudar a construir algo de novo. Todos viemos como uma Missão. Não viemos por acaso; nada veio ou foi feito por acaso. Pensemos na Luz. Pensemos no Ar. Pensemos na Água. Quando se pensa ajudar alguém, só o devemos fazer se tivermos plena consciência de que o que irá ser feito seja sempre em prol do maior número de Pessoas; pois tudo o que se venha a fazer recairá por sua vez, em prol do Universo; tudo será, para nosso e benefício de todos. E o bem que se pratique, seja sempre dirigido aos mais fracos, seja no poder de compra ou no modo de pensar, seja na defesa do Ambiente ou em defesa da Paz, ou seja em criar condições para que no Universo haja uma redistribuição mais equilibrada de todas as suas riquezas. Reconheço como meio ambiente, tudo o que existe à face da Terra, seja no sentido da palavra escrita, ou no sentido físico do Planeta, tudo está interligado e dependente, nada é singular. Ontem não vi imagens que me dessem algo de especial, ou música que me enchesse o cérebro de ondas sonoras, daquelas que nos fazem elevar o espírito até às alturas do reconhecimento musical Divino. Ontem já não existe, existe sempre o presente; chamemos-lhe, Agora. Assim iniciaremos um modo diferente de ver o que nos rodeia. Vamos ler o que diz o mestre espiritual Eckhart Tolle. Desde os tempos mais antigos que os mestres espirituais de todas as tradições apontam para o Agora como sendo a chave para a dimensão espiritual. Não obstante, parece que tal continua a ser um segredo. Não é de certeza ensinado nas igrejas nem nos templos. Se você frequentar uma igreja, poderá ouvir leituras dos Evangelhos tais como “Não penses no amanhã; pois o amanhã pensará por si próprio”, ou “Ninguém que ponha as mãos no arado e olhe para trás é digno do Reino de Deus”. ou poderá ouvir a passagem sobre os lírios do campo que não se mostram ansiosos pelo amanhã, mas vivem à vontade no Agora intemporal e dos quais Deus toma conta. A profundidade e a natureza radical desses ensinamentos não são reconhecidas. Ninguém parece compreender que se destinam a ser vividas e a proporcionar assim uma transformação interior.” Como atrás se diz vamos iniciar a caminhada que nos levará à partida do corpo, a carcaça; só o Divino que nos habita é eterno; agora tomaremos a decisão que acharmos mais útil para nos despedirmos dos bens terrenos e sermos recebidos com a alegria divina. Um abraço José B. Agostinho Quando alguém daqui a alguns anos fizer um resumo do que foi a vivência deste início de século, decerto se interrogará para saber o que levou os homens a usar uma violência tal, contra o meio ambiente, contra os animais e até contra os animais de sua própria espécie. Porque estamos juntando mais dor à que já nos foi dada como dádiva da nossa existência. Onde estiver um Homem, há uma possibilidade de se gerar um mundo de dor;
“devemos ser bons para tudo o que existe porque tudo sofre de existir
”; onde o viver tem de passar pelo saber viver. Esta premissa, embora custe a aceitar, tem toda a razão de seu fundamento, uma vez que a vida, seja ela animal ou vegetal, não é pertença de nenhum ser humano; visto que nem fomos consultados para saborear a Luz do dia, ou mais acertadamente, para nascermos e nem tivemos opção de ter escolhido os nossos progenitores. Voltemos séculos atrás e, veremos, por certo, outras épocas de tanta ou mais violência; métodos, embora rudes mas todos tinham como fim a sobrevivência do mais forte, luta pelo poder, seja ele pela caverna, seja pelos recursos naturais, pelas riquezas ou pelo reino; actos praticados por muitos príncipes e que os levou a lutar contra os seus irmãos de sangue pelo e com o motivo de obter o poderio e a coroação de Rei. Mas séculos passaram, e a ordem evolutiva da espécie Humana, seria natural que aprendesse com os erros cometidos por aqueles; engano; o Tempo esse grande escultor, cito Margueritey Yourcenar, não foram apreendidos tendo o poder; podiam ter feito algo para mudar o rumo dos acontecimentos que hoje vivemos; isto é; a lição não teve alunos brilhantes, nem mestres que propiciassem lições de vida a gerações futuras; e os poucos que quiserem dar testemunho de um mundo melhor, ou, não foram ouvidos, ou, foram espezinhados e seus princípios foram renegados. Pobres, ficamos mais pobres sempre que não soubermos aproveitar, pelo menos, o que de bom foi feito por gerações que nos antecederam no que se relaciona com a defesa do Planeta. Ficamos mais pobres quando desbaratamos energia que poderia ter sido usada para avistarmos a luz ao fundo do túnel; a luz da sabedoria que nos foi legada, luz de experiências, e saber, que dariam seus promissores frutos para uma continuidade evolutiva e construtiva. Erros? Onde está o erro está uma solução! Certo. Nem sempre aquela é obtida pelo processo de resolução mais prático, rectilíneo e que satisfaça, e obedeça à doutrina existente em teorema que nos foi dado. As decadência que se vem acentuando com mais nitidez a partir do início do século XX e com maior violência neste início de Séc. XXI. O que deveria ser o início de uma nova vida, visto que iniciámos um novo século, não quiseram os governantes que têm o poder a nível mundial que se iniciasse e que um ciclo de vida harmonioso a nível planetário fosse recebido, principalmente, por aqueles cuja dor e fome são constantes do seu dia-a-dia, e um pouco de esperança lhes fosse dado porque têm direito a ter uma vida com dignidade. Estamos a assistir nos quatro continentes a um recrudescer de métodos, ainda não há muito desaparecidos os seus efeitos nefastos, cujos requintes de horror foram vividos nos anos de 1914 a 1918 e mais tarde entre 1939 e 1945; não esquecendo o que se passou na antiga URSS, nesses mesmos anos; nas duas últimas décadas do século XX, a Europa entrou de novo em convulsões que deram origem a que fossem perpetrados vários massacres de pessoas inocentes, milhares de pessoas tiveram de abandonar as suas casas, o seu país e terem de ir viver para novas terras; para por término aos conflitos foram usados meios de destruição de alta tecnologia e grande poder de destruição, pois perante o terror, só agindo com o mesmo terror os beligerantes se renderam à evidência da força, isto o que se passou na zona dos Balcãs. É claro que o desmembramento de um Império e dos seus satélites, levou aqueles povos subjugados e humilhados durante muitos anos, a não entender que o recomeçar, tal como a criança pequena inicia seus primeiros passos sempre devagar em equilíbrio instável até se poder manter e caminhar no mais perfeito dos seus movimentos, implica um saber que só os mais idosos e com mais experiência os podem aconselhar, se para tal, aqueles que foram bons alunos e cidadãos exemplares tiverem o condão de Mestres. Mas tal não tem acontecido. Onde há grandes transformações sociais ou políticas, há convulsões que fogem aos padrões inicialmente tidos como lógicos. Assim os conflitos generalizaram-se entre grupos de etnias diferentes, de religião diferente ou devido a questões territoriais, nem sempre fáceis de distinguir a razão do acontecido. Mas há a palavra Esperança; esperança num Novo Mundo; um Mundo melhor onde haja um tecto e uma côdea de pão para cada ser Humano. E é tão simples; deixem de fabricar armas, fabriquem por sua vez arados, tractores e todos os utensílios destinados à agricultura. Um abraço José B. Agostinho 23-Carta a um amigo Hoje gostaria de falar daquele continente, cujo tema, ainda não chegámos a esclarecer e tanto há para dizer acerca do mesmo. Ontem ouvi dizer num programa da National Geographfic, se ouvi bem, que há muitos milhões de anos tivemos no planeta sete continentes; hoje não sei quantos há; devido ao degelo que se está a dar, provavelmente criar-se-ão outros continentes; embora seja assim perante a classificação que os homens do saber lhes atribuem, ainda não repararam que há aquele continente que eles próprios transportam; sejamos mais diligentes um pouco na busca de encontrar motivos para que possamos chamar-lhe assim. Vamos percorrer esse trilho de veredas, ruelas, avenidas e grandes lagos que o mesmo possui; vamos chamar ao que enfeita o exterior os jardins suspensos; quantas variedades, qualidades e formas de crescimento há neste conjunto; tantas, como seres humanos que existem à superfície do planeta; uns mais coloridos, outros mais lisos, outros mais curtos, ainda outros mais compridos e mais invulgares. Do sitio do Pavilhão do Conhecimento – Ciência Viva; tirei o seguinte: os pêlos têm 3 funções: isolam do calor ou do frio, protegem a pele quando o animal se desloca no seu meio e formam uma espécie de “radar” (sobretudo os pêlos da cauda e ao longo da coluna, à semelhança dos bigodes); se partirmos em direcção à máquina que bombeia o sangue para todos os circuitos, qual lago que alimenta milhares de rios dando-lhe Vida. Se formos para a parte que diz respeito ao que alimenta o corpo dando origem ao sangue para todo o nosso organismo ali temos outro mapa para nos orientar para uns lugares remotos, cuja importância em todos eles existe, claro, mas ali é mesmo vital o seu mau funcionamento. Obra do Divino, uma das obras maravilhosas que o Criador nos deixou para usufruirmos de todo um Planeta que tão mal tratado foi que está a ficar cansado e doente: pois assim não aguentará muitas centenas de anos, para assistir, quem cá estiver, à sua destruição. Continuando a desaparecer as espécies a um ritmo que tem sido observado ultimamente, terão as gerações vindouras motivos para nos culparem por aquilo que lhe legámos. O próprio corpo humano e todas as espécies, ou seja tudo o que existe no planeta virão a sofrer modificações das mais variadas no campo da genética. O tal continente que acima se refere, tal como os outros geograficamente localizados e uma vez que se estão a deslocar à média de dois centímetros por ano, será o que mais virá a sofrer com todos os desequilíbrios que se vieram a manifestar. E a surdez de uns a ganância de outros e a ambição sem limites, que é apanágio em muitos cérebros, não pára um pouco para escutar a voz dos que estudam o comportamento do meio em que vivemos perante as ameaças diárias que lhes infligem. Pelo seu comportamento, pelo prazer de viver e não olhando aos meios com que o faz, pela sua atitude perante toda uma Vida que se desejaria saudável, mas que os procedimentos o contradizem, asfixia-se todo um Paraíso que o Criador pôs à nossa disposição para uma Vida cheia de saúde, paz e alegria. Poderemos deixar a citação: por quem os sinos dobram. Um abraço José B. Agostinho 24 -Carta a um amigo Desabafos O respeito por mim implica que te respeite Sê paciente, tolerante e viverás pacificamente Se quiseres viver entre os teus escuta, depois pede para falares Criai em mim Senhor um coração que saiba ouvir. Só os ouvidos que não sabem escutar conduzem ao confronto. Não atropeles o teu semelhante seja com palavras ou acções amanhã o inverso poderá ser verdadeiro. Se alguém te magoar, ignora mas não mudes teus princípios A melhor prova de uma amizade verdadeira é saber dizer-te que erraste. O respeito pelo próximo não se coaduna com a idade. Todo o Ser por mais frágil que seja, tem direito a ser respeitado. Ser tolerante e paciente é a melhor semente que podemos semear. Ao dares, espera; sempre receberes com igual moeda. Um abraço José B. Agostinho Diz o povo que, “ de uma árvore boa se poderão colher frutos menos bons.” É claro que, nem todos os dizeres que vêm de geração em geração, os devemos considerar como sendo justa a sua aplicação à vida prática. Indo ao encontro do Reino Vegetal, quão surpreendente é a natureza quanto aos seres que nos dá; quão perfeita obra, seja ela do minúsculo insecto, ao gigante dos mares ou ao porte grandioso do animal da mata ou savana. Todos crescem obedecendo à lei natural da sobrevivência; seja os que habitam as profundezas dos oceanos, as cavernas mais profundas ou os que se passeiam pelos bosques e nos gélidos pólos. Lições de vida. Lições de como sobreviver, seja perante as condicionalidades do meio em que nasceram, seja devido ao seu porte ou à satisfação dos seus hábitos alimentares. Além da formiga que amealha no verão para comer no inverno; isto nas zonas onde e quando as estações eram bem definidas, quanto às temperaturas; sendo o esquilo ou serelepe, outro, quão gracioso e habilidoso, que amealha em épocas de fartura , para se precaver nas épocas em que bate-lhes na toca a escassez. Mas todos, sejam de origem vegetal ou animal, usam o meio onde vivem preservando-o o melhor possível, não violentando a Terra Mãe. Lições que não foram e não estão a ser recebidas por quem devia; o ser Humano; o animal mais destruidor à face da terra; o que amealha para se abastar desprezando o seu irmão, vizinho ou companheiro, com fim último de o moldar a seu belo prazer ou de o escravizar. Sinal de enfraquecimento da cadeia Humana, elos que se queriam fortes, quais peças de puzle, que a pouco e pouco vão ficando incompletos; braços que não abraçam; braços em que uma grande parte são utilizados para usar as armas mais mortíferas ou escrevendo artigos para noticiário, com fim último de desestabilizar ou criar pânico ou ódio. Vamos todos usar as nossas mãos, utilizando os dedos para fazer o sinal de vitória, para dizer um Adeus de alegria, por termos tido a felicidade de habitar um Planeta tão lindo. E os nossos irmãos que amanhã chegarão, darão graças ao Divino o termos sido generosos no preparar de sua chegada. Prestamos uma singela homenagem àquela árvore; a que foi feita à imagem e semelhança do Criador, à qual chamamos Mãe. Vamos dar as mãos em defesa de todas as árvores; e a árvore Divina à qual todo o Universo pertence, proteger-nos-á com sua sombra. Um abraço José B. Agostinho Respeite os direitos autorais Coordenada e Publicada pôr João Faria








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José B. Agostinho


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A Árvore