Faria canto Magico & Sonhos
Grace Spiller


PERFUME-MARESIA
Grace Spiller
Ah, bem sei...
A gaivota que me veio morar
também mergulha em outros mares
e outras águas tem
para a encantar...
E a brisa que sopra no oceano
não reconhece caras ou narinas,
sereias, estrelas-do-mar ou meninas
e, d escuidada, sopra a poesia,
perfume-maresia,
versos de amor-beijar!
Grace Spiller

O AMOR QUE NÃO ESQUECEREI... JAMAIS!
Grace Spiller
A brisa noturna sopra suavemente
E roça meu corpo dolente
Perdido em suspiros e ais...
E o perfume que exala da boca da noite
Fustiga-me qual um açoite
Acordando lembranças vitais...
E teu amor – meu lindo jasmim
Ainda perfuma o meu jardim
Sobressaindo-se entre os roseirais!
Mas em outros mares foste navegar
Deixando-me tonta a esperar
O amor que não esquecerei... Jamais!
E hoje, apenas o eco dos meus suspiros
Dos tristes lamentos e insanos delírios
É o que ressoa na beira do cais...
Grace Spiller

MÃE
Por Grace Spiller
Maio/2006
Sementeira de luz:
Prenhe de amor
Pare flores...
Mas os espinhos...
Ah, não perdoam,
E sangram-lhe as mãos...
Porém,
Jardineira da vida,
Ela prossegue...
O trabalho é árduo...
Ervas daninhas
Infestam o jardim...
Mas ela não se detém
E, cheirando a jasmim,
Amor no coração,
Perfuma os botões,
Colore o mundo,
Cumpre a missão!
Site da Autora:
Grace Spiller em Verso e Prosa

AH! SE EU FOSSE UM POETA-JARDINEIRO...
Se eu fosse um poeta-jardineiro
Plantaria versos nos jardins dos corações
Perfumaria as avenidas e as praças
Incitando as gentes somente às boas ações!
Se eu fosse um jardineiro-poeta
Plantaria flores de mil e um perfumes
Flores que cheirassem a versos
E versos que clareassem qual lume!
Ah! Se eu fosse da palavra um esteta
Ou então um artista de jardim
De bom grado levaria a sina de poeta
Poetando a paz e à guerra pondo fim!
Ah! Se eu fosse um poeta-jardineiro
Plantaria um poema com perfume de jasmim!
Grace Spiller

ANSEIOS...
Onde estás?
Em vão te procuro, te busco, te procuro...
Procuro-te
Nos meus sonhos e fantasias,
Nos meus desejos, nos meus anseios,
No meu corpo, nos meus seios,
No coração, na alma,
Na pele, no sexo...
Ah, que busca insana, sem nexo!
Onde estás?
Busco-te e por todos os meios.
Querendo te encontrar
Passo meus dias, minhas noites,
Meus meses, minha vida.
Ah, minha vida... Prenhe de anseios!
Onde estás? Não te encontro!
E impiedoso, vai escoando o tempo.
Escoa e não me espera.
Passa e não volta mais.
E sem te encontrar eu me canso,
Desanimo e desencanto-me.
Desisto dessa espera,
Dessa ilusão, desse encanto.
E cansada, cesso o pranto.
Mas não cessam os meus anseios...
Onde estás? Não te encontro!
Talvez nem existas...
Mas existem e insistem por todos os meios,
Ah, como persistem os meus anseios!
Grace Spiller

Ah! Como eu preciso de ti!
Preciso de algo mais
Que conversas truncadas,
Vagas respostas,
Beijos no ar
Sem cheiro nem gosto!
Preciso do teu rosto
Morno e sereno,
Teu olhar encantado,
Doce veneno
Pregado em mim!
Preciso do teu corpo moreno,
Gostoso, colado ao meu;
Teu beijo em minha nuca;
Na minha a tua língua
Sem gosto de adeus!
Preciso-te, em carne e osso
E repleto de amor...
Preciso-te, sobejando em carinho
E engravidando-me de versos
Perfumados de flor!
Ah! Como eu preciso de ti,
Meu amor!
Grace Spiller

Por que escrevo?
Para abrir feridas ou curá-las?
Contar as mazelas da vida
Ou falar de alegrias?
Contestar ou dar soluções?
Escrevendo,
Talvez eu descubra as respostas tantas,
Descortine véus, encontre presentes,
Milagres, magias...
Ou, então,
Livre-me do mofo,
Do limo escorregadio,
Viscoso,
E agarre o que me escapa,
O que, sutil,
Escorre-me por entre os dedos...
Ah, céus! Afinal,
Por que escrevo?
Para fortalecer meu ego ou minha alma?
Brincar de atriz, fingir...
Talvez eu queira somente a SUA cumplicidade,
Ou quem sabe,
Esteja apenas tentando aprender a viver...
Em mim...
Grace Spiller

Sonhando com teu amor!
Queria ser uma gaivota e bem alto voar
Encontrar a nuvem perfumada
Onde mora o teu olhar...
Mas sem asas e cativa como a flor
Vou vivendo de quimeras
Sonhando com teu amor!
Grace Spiller

GRATIDÃO
Sou grata à vida
pelas chuvas que ora lavam
e purificam o chão,
que ontem pisei.
E o rio transborda
trazendo à borda a alma e o coração,
tornando mais fina e mais sutil
a camada entre a pele e a emoção...
A consciência é fresca ainda
do imenso caminho a percorrer;
a visão é tenra plantinha que, curiosa,
espicha-se toda querendo ver...
No âmago do ser
verde fibra brotando,
lutando bravamente,
querendo amadurecer;
na mente, novo painel se desenhando,
como leque se abrindo
e muitas cores, então, mostrando...
E aberto o leque, passagem dá
a palavras mil: intenso desabrochar!
Chegam brincando, querendo dançar...
Ora se unem, se abraçam ou se dispersam;
ora retornam, se amontoam ou se agrupam,
prontas pra desfilar...
E esperançosa, olhando o desfile imenso,
passo meu tempo, agora, a captar:
quero ver, sentir e assimilar
a vida; o colorido;
a luz; a beleza sutil;
o sonho que amadurece
e o ideal que se fortalece
encerrados, quem sabe?
...na profundidade de palavras mil!
Grace Spiller

NovaLuaNova
O rótulo na garrafa dizia:
“suave”...
E, no entanto,
o vinho era tão amargo!
Mas,
quando uma novaluanova
enamorada do céu
mostrou o sorriso-ternura
(donzela recém-deflorada),
logo as estrelas surgiram
e o céu ficou mais bonito...
E concedeu milagres!
E eu vi...
Vi à beira dum abismo
um menino e sua sombra
e enxerguei seu assombro
e senti os seus medos...
E a chuva contida
(nuvem escondida
pelo tempo e além dele),
buscando passagem
encontrou o caminho e,
porque era tanta,
logo se fez rio...
E trouxe-me o menino...
Trouxe-me o menino e seus segredos
e lavou sua alma
e levou seus receios...
E,
quando uma novaluanova
fez o céu mais bonito,
o vinho ficou mais suave
e eu vi...
Ah! Eu vi
uma nova estrela nascendo!
Grace Spiller
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